segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Dilma e o Negão da Chatuba

Dilma e o Negão da Chatuba


Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Nas redes sociais, a palavra de ordem viralizada é uma só: "Vamos enterrar o 13, no dia 13, às 13 horas". Protestar, mostrar indignação, nas ruas, é sempre muito bom, inclusive como catarse. A intenção e o objetivo são justos, perfeitos e oportunos. No entanto, é preciso não se iludir. O 13, o PT, não é o único componente do desgoverno do crime organizado.

Portanto, acabar com o PT, isoladamente, não impedirá a continuidade da atuação das organizações criminosas que infestam o Estado Capimunista brasileiro, com poder crescente desde o golpe militar de 1985, que implantou a Nova República, botando José Sarney, de forma ilegítima, na cadeira para o qual foi eleito (indiretamente, pelo Congresso Nacional) o falecido Presidente Tancredo Neves. Esta verdade objetiva incomoda aqueles que levam a briga para o lado meramente "pessoal-partidário" ou simplesmente ideológico.

Vale repetir por 13 x 13, sob o risco de não passar por otário e se iludir com um objetivo tático que, além de não ser alcançado no tempo certo, ainda pode comprometer a estratégia maior para passar o Brasil a limpo: Trocar meramente o PT pelo PMDB não resolve o problema. A base falida que desgoverno o País continuará reinando. Os peemedebistas, sempre governistas, já se preparam para permanecer ocupando o poder, se Dilma vier a ser derrubada por impeachment. Além disso, o PT não será extinto em um passe de mágica.

Dilma merece ser saída? Elementar, Watson! Tem culpa Dilma? Sim, tem toda! A impopular é uma Presidenta Porcina. Dilma já caiu pela estupidez, truculência e incompetência dela mesma. Agindo como uma "ogra", ela transformou o frágil "presidencialismo de coalizão" em um "presidencialismo de colisão". Com suas trapalhadas e ignorância, alimentou a ira dos inimigos internos. Supostos aliados e companheiros do Pt, em sua maioria, não suportam Dilma - que não se dá bem com quase ninguém. Ela é uma crise de relacionamento ambulante. Não sabe fazer política. E faz politicagem de forma estúpida. Por isso toma pau, toma no TCU e toma no Cunha...

Dilma já era! Mas o PT, não! E o PMDB, menos ainda. Por isso, é muita babaquice e idiotice de quem pensa que basta tirá-la do poder, e compor um suposto novo governo com o PMDB, PSDB e demais aliados, para que tudo volte ao normal no Brasil. Não vai voltar - ao menos deste jeito imbecilmente pensado. A crise brasileira é Estrutural e - não conjuntural. Dilma é uma consequência da crise - e não a criadora dela, embora tenha sido uma impulsionadora "natural". Um parcela da zelite brasileira está tão acostumada a ser escravizada, tão resignada com as coisas erradas, que embarca, otariamente, na proposta de derrubar Dilma e deixar peemedebistas e demais comparsas mamando nas tetas estatais.

A governança do crime não vai cessar, se não for parada por uma intervenção constitucional da cidadania. Vale conferir o que escreveu ontem no Estadão o jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment que agora inferniza Dilma, que também comete o erro oportunista de focar todas as culpas apenas no PT, mas sendo obrigado a reconhecer que o problema é estrutural: "Uma organização criminosa passou a dominar o País e suas instituições políticas, levando ao cúmulo de se eliminar a divisão de Poderes e o jogo de contrastes de perspectivas próprio da democracia. Parlamentares e administradores uniram-se na festança da fruição do dinheiro público desviado. A corrupção tornou-se o denominador comum por via do qual se compuseram Executivo e Legislativo visando à apropriação de vantagens indevidas de toda ordem".

A corrupção brasileira é estrutural e sistêmica. É um mal arraigado em nossa "cultura" subdesenvolvida. As oligarquias brasileiras e suas zelites cultivam a psiquê das coisas erradas e dos conceitos equivocados. A mentalidade rentista improdutiva, combinada com a tradição vagabunda da mamar nas tetas estatais, viabiliza e alimenta a corrupção no sistema capimunista (cartorial, centralizador, cartelizado e essencialmente canalha). Para piorar, o modelo brasileiro se tornou refém do "banqueirismo", que financia e lucra de forma recorde, via juros altos, com a rolagem da dívida que financia o desperdício, a ineficiência e a corrupção estatais.

A única saída contra essa estrutura capimunista, corrupta na base e nos valores, é uma inédita Intervenção Constitucional pelo Poder Instituinte de cada cidadão-eleitor-contribuinte unido em grupos de pressão e cobranças objetivas. Membros não corrompidos das Forças Armadas e do Judiciário têm um papel fundamental neste processo que é, sem maniqueísmos, uma luta do Bem contra o Mal.

Em resumo: simplesmente tirar Dilma ou qualquer outro Zé Ruela, sem mexer na estrutura capimunista, é o mesmo que convidar o lendário Negão da Chatuba para passar a noite na cama com Chapeuzinho Vermelho no Palácio da Alvorada. O estrago vai ser enorme... Dilma não quer conversa com ele. Afinal, quem já tomou no TCU e no Cunha, conhece bem os poderes curativos do famoso monstro-malandro de Nova Iguaçu...

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