domingo, 13 de dezembro de 2015

A Unidade Nacional, o respeito internacional e o progresso do Brasil precisam ser restaurados.

Foto de Emanuel D Bugarin.
A Unidade Nacional, o respeito internacional e o progresso do Brasil precisam ser restaurados.
 E a história é a testemunha indiscutível e incontestável de que o Brasil que deu certo e pode ainda dar certo é o Brasil Império. Viva a restauração da Monarquia Constitucional Parlamentarista. Viva o Imperador!!!!
A UNIDADE NACIONAL QUE RESULTOU DO IMPÉRIO
O Imperador-menino, pólo da unidade nacional
Auguste Saint-Hilaire escreveu em 1833, quando D. Pedro II tinha apenas 8 anos de idade: “Quanto ao Brasil, repousam hoje seus destinos sobre a cabeça de um menino, o único, entre os brasileiros, que une o presente ao passado. É uma criança que une ainda as províncias deste vasto Império, e somente a sua existência opõe uma barreira aos ambiciosos que surgem de todos os lados, de igual mediocridade e pretensões igualmente gigantescas. Idéias de federalismo foram semeadas entre todas as províncias do Brasil, mas os brasileiros não saberiam estabelecer no seu seio o sistema federal, sem começar por desfazer os fracos laços que os unem ainda”.
Escrevendo de Portugal ao seu filho e sucessor, felicitando-o pelo aniversário, D. Pedro I afirma:
“Todos os bons brasileiros que desejam de coração, como eu, ver feliz a Terra da Santa Cruz, não poderão deixar de celebrar este dia, com todo o entusiasmo, como o de maior interesse para o Império brasileiro. Da tua conservação dependerá a futura felicidade do Brasil. A ti está reservada a glória de o fazer chegar àquele grau de prosperidade de que é capaz.
Eu faria uma grande injustiça aos meus concidadãos, se não estivesse persuadido de que eles se acham penetrados destas verdades e se desvelam por sustentar-te no trono. Estou convencido de que, se não seguirem a Constituição e D. Pedro II, a mesma sorte da infeliz América espanhola os espera.
Não posso deixar de te pedir que cuides muito de te instruíres, de te fazeres digno do amor dos teus súditos e da admiração de todos”.
O grande orador sacro Mont’Alverne afirmou em um sermão, por ocasião do aniversário de D. Pedro II em 1833, depois que este se recuperara de uma doença grave: “Vós nos convenceis de que o Brasil está salvo, que o primogênito dos brasileiros está vivo. Não é só uma fiança de paz, que o Brasil possui no seu Imperador. Ele é ainda o símbolo da unidade nacional, que seria posta em risco por uma adversidade tão deplorável como a sua morte. A perda do Imperador, afrouxando todos os vínculos sociais, abriria uma vasta arena a empresas temerárias”.
O primeiro Imperador libertara o Brasil e tornara-o independente. O seu cetro e o do seu pai tinham impedido que a Nação se fragmentasse em tantas repúblicas quantas as províncias, dispersando a sua energia e valor, estilhaçando o astro em vinte pequenas estrelas.
O Brasil salvara as suas formosas províncias de se transformarem em outras tantas repúblicas, e amava os seus soberanos. Sem os Braganças, seria a pulverização da grande América, com suas repúblicas faltas de unidade, até a guerrearem-se.
Haviam caído em pedaços todas as possessões americanas da grande nação espanhola. Cada zona, cada palmo desse território se foi progressivamente destacando, como corpo moribundo invadido pela gangrena, e que vai sucessivamente pagando o seu tributo à dissolução e à morte. Todos esses destroços da nobre Espanha se foram atenuando e nulificando. A forma republicana implantou neles o gérmen da anarquia e a caudilhagem, e a desordem e o retrocesso campearam impunes nas plagas outrora regidas pelo leão da Ibéria.
Por um contraste esplêndido, o Brasil estabelecendo um cordão sanitário, único da América, contra as idéias e instituições demagógicas, lançou à terra, desde o dia da sua separação, a semente desta grandeza e prosperidade, que tornará nossos vindouros felizes e poderosos.
O trono brasileiro, pelo próprio fato da sua singularidade na América, repousava sobre uma base precária, e ter-se-ia certamente desmoronado sob o peso do seu novo ocupador se não fosse este uma criança de cinco para seis anos, e não representasse, portanto, um fardo levíssimo.
Esse infortúnio, pelo qual uma criança que já era órfã de mãe se tornava como que órfã com o pai ainda vivo, despertou em todo o País um movimento de afeição suave pelo Imperador-menino. A compaixão, mola poderosa num povo sentimental, tomou o lugar das amizades e dedicações dinásticas que faltavam, e o receio de ver despedaçar-se a bela unidade nacional, alcançada não sem esforço, agiu como se houvesse um partido organizado e disciplinado para manter as instituições monárquicas, ou uma classe verdadeiramente interessada em defendê-las.
Com a maioridade de D. Pedro II, o prestígio da Monarquia salvou o Brasil
Os nove anos de regência, que vão desde 1831 até 1840, constituem a fase mais agitada da nossa existência autônoma. A “experiência republicana” das regências não pudera dar seus frutos, não só pela dispersão das forças nacionais em choque, mas também pelo caráter extraordinariamente singular de Diogo Feijó. Sentia-se a falta de um homem-símbolo, de uma figura central que encarnasse a autoridade suprema e a pusesse a cavaleiro das revoltas periódicas ou das indisciplinas ousadas. O Imperador, com seus 15 anos, oferecia um pólo em redor do qual podiam evoluir as idéias, as aspirações, as forças políticas dispersas até então dentro do País.
Em 1839, quando se cogitava da grave questão da antecipação da maioridade, foi dito a D. Pedro II:
— Senhor, acha-se em risco tanto a paz do Império como a causa da Monarquia. Só um braço há que a ambas possa salvar: é o de Vossa Majestade. Antevemos desde já um porvir de venturas, confiado a tão alta sabedoria.
D. Pedro então perguntou:
— Será certo que com pouco mais de 14 anos possa haver sabedoria?
Os senadores se reuniram e formularam a D. Pedro a pergunta:
— Quererá Vossa Majestade assumir o Governo em 2 de dezembro, quando completa seus 15 anos, ou quer já?
— Quero já! – foi a sua resposta.
A campanha pela maioridade de D. Pedro II foi uma revolta do instinto de conservação nacional. Ninguém se preocupou com indagar propriamente dos méritos do régio adolescente. A confiança geral residia no princípio que ele encarnava, e que era o símbolo da paz e a garantia da segurança da nacionalidade. No dia 23 de julho de 1840, o prestígio da Monarquia salvou o Brasil. Salvou-o, e é fato que todos se voltaram para o Imperador-menino como se vissem nele o único recurso possível de salvação para o País. Somente um poder superior e inacessível às contingências dos partidos poderia pacificar e tranqüilizar os espíritos e robustecer os laços da unidade nacional. Com a sua investidura, conseguiu evitar a perturbação da ordem, senão a dissolução do Império.
Charles Reybaud conta que, em 1850, o Conselheiro Marques Lisboa, embaixador do Brasil em Londres, falava, diante do Duque de Wellington, sobre a situação do Império do Brasil e a vitalidade de suas instituições, que haviam permitido atravessar, sem confusão, o período tão tempestuoso de uma regência de dez anos. O Duque meditou alguns instantes. Depois, em voz lenta e grave, e como que pesando as palavras, respondeu:
— Podeis orgulhar-vos de vossa Constituição e de vosso país. Não conheço na Europa um único Estado que tivesse resistido a semelhante prova.
Visto no seu conjunto, o reinado de D. Pedro II é uma obra-prima de paciência humana e de dedicação patriótica. Nada era mais fácil do que inutilizar, no dia seguinte à Maioridade, a boa vontade e a esperança dos que não viam outro meio de sair da oligarquia senão a sua coroação. No entanto, ele teve a habilidade de conseguir, por perto de meio século, a quase unanimidade nacional em apoio do seu trono e de sua pessoa.
Firmeza e clemência do Imperador garantem a paz e o progresso
Não sabemos se D. Pedro II daria o grito do Ipiranga. Mas podemos afirmar que D. Pedro I não atravessaria tão prudentemente os perigos dos primeiros anos do Segundo Reinado, nem resolveria com tamanho acerto os árduos problemas de meio século de administração.
A desgraça mais temerosa de todas, naquele tempo, foi o desmembramento do Império. E esta possibilidade mais de uma vez se afigurou inevitável. A unidade se fez em volta do Imperador, e nesse sentido as manifestações separatistas deixaram de se produzir.91
Começando o seu reinado pela clemência, que por meio século lhe marcou o roteiro na alta administração do Império, concedeu plena anistia a todos os que estivessem presos por crimes políticos. O decreto, de 22 de agosto de 1840, continha também uma proclamação aos revoltosos do Rio Grande do Sul, chamando-os de novo ao grêmio da sociedade brasileira, em termos em que transpareciam a bondade que perdoa e a energia que ameaça: “A natureza deu-me um coração para perdoar-vos; o concurso da Nação inteira ministra-me forças para vos subjugar. Aproveitai-vos, enquanto é tempo, do que o coração vos oferece, e temei de arrostar as forças do Império”.
A guerra dos Farrapos, que ensangüentara por dez anos as campinas riograndenses, tivera termo graças à ação enérgica de Caxias, a quem não faltou força para vencer os rebeldes heróicos, nem benevolência para colher as suas propostas de paz. Visitando a província logo depois, D. Pedro II conseguiu, só com a sua presença, conciliá-la e conservá-la lealmente unida por todo o longo período do seu reinado.
A 13 de maio de 1842, em Sorocaba, estoura uma rebelião liderada por Rafael Tobias de Aguiar e pelo Padre Feijó. Em 10 de junho, os Otonis desfecham um golpe em Barbacena. A mão firme de Caxias susteve o edifício do Estado. Três anos antes, sem um Imperador, esses golpes seriam uma catástrofe, mas em 1842 não passaram de um sobressalto.
Em 1843, por ocasião das comemorações da Independência, D. Pedro II escreveu um soneto que termina com estes versos:
“Juro, nas aras da fidelidade:
De meu pai recebeste a Independência,
Receberás de mim a Liberdade!”
Em menos de dez anos o País entrou na ordem, e o que eleva extraordinariamente o nome de D. Pedro II, na gratidão nacional, é que conseguiu este enorme resultado sem repressões violentas, sem perseguições cruéis. Vencia as revoluções e perdoava aos revoltosos, completando a obra da justiça com a colaboração de sua magnanimidade.75
Foi incontestavelmente um estadista, que conseguiu, com a força moral de sua virtude, unir durante cinqüenta anos, no mesmo pensamento, interesses e homens tão diferentes, ainda apaixonados das lutas em que se haviam batido. O Brasil lhe deve sua unidade política, o seu prestígio no exterior, a rápida civilização do povo, que se exterioriza brilhantemente na capacidade e na moralidade dos seus homens públicos, e principalmente na brandura de nossos costumes, ao tempo em que os caudilhos de países vizinhos se revezavam no poder, reduzindo, de cada assentada, o número de cabeças de seus concidadãos.
Relatando suas impressões, após viagem ao Brasil em 1882, o Conde Alexandre Hübner afirma: “O Imperador possui, em alto grau, a arte de manejar os homens. É graças a essa arte que ele alcançou um resultado prodigioso. Cercado de repúblicas onde as revoluções se repetem periodicamente, o Brasil se beneficia há 32 anos de uma paz interna ininterrupta. Isso deve-se ao Imperador”.
D. Pedro nos deu meio século de progresso moderado, disciplinado, sadio. Meio século de paz, de tranqüilidade, de ordem. Meio século de legalidade, de justiça, de moralidade.
O Imperador consolida a nacionalidade brasileira
O maior milagre que já se registrou na crônica dos povos sul-americanos é, sem dúvida, a preservação da unidade política do Brasil. Tantas e tão variadas eram as dissensões que trabalhavam a vida interior do Império, que tudo fora de prever, menos que a Nação saísse ilesa do choque dos interesses e das ambições dos primeiros dias da independência. Alcançada em definitivo a emancipação sonhada pela alma brasileira, logo entrou o Brasil a pagar o tributo da sua própria felicidade, encontrando dentro de si mesmo maiores inimigos a vencer do que em terras estrangeiras.
Antes de completar dez anos de administração, o Imperador já havia aniquilado o espírito de caudilhismo que reinava em várias províncias brasileiras, desviando do campo da atividade patriótica algumas dezenas de militares e de paisanos, que passaram depois a prestigiar-lhe a autoridade, cheios de entusiasmo pelas suas qualidades de administrador justiceiro e clemente.
O Gabinete da Conciliação, organizado pelo Marquês de Paraná em 1853, assinala na história política do Segundo Reinado uma época cujos frutos permanecerão vivos até o fim do Império. Acabou com o espírito revolucionário e firmou definitivamente a paz dentro da qual prosperará o País. Preparou um punhado de homens novos para o futuro governo, selecionando os mais capazes, ensinando-lhes a escola da tolerância, do respeito mútuo e do interesse público, que passou a ser a característica do governo. E finalmente criou o ambiente constitucional em que passariam a se revezar, sem se excluírem, os dois grandes partidos da Monarquia.
Cercava o Imperador nessa época, ajudando-o na obra de consolidar a nossa nacionalidade em formação, uma brilhante coleção de homens públicos, sem dúvida a mais completa que já nos foi dado possuir. Nunca se vira, nem se veria depois no Brasil, como nesse período áureo da Monarquia, semelhante galeria de estadistas, notáveis pelo talento, pelo senso da medida, pelo amor à causa pública, pelo desinteresse pessoal, pela rigidez de costumes, pela austeridade de suas vidas privadas.
O grande serviço que o Imperador nos prestava não era tanto o de preparar um Brasil de amanhã, mas sobretudo o de consolidar o Brasil do presente, o Brasil do seu tempo, dar-lhe uma estrutura política e social bastante resistente, para que as gerações vindouras pudessem construir o grande edifício que seria o Brasil do futuro, sem receio de vê-lo um dia por terra. Ele era, neste particular, um dos grandes consolidadores dos alicerces da nossa nacionalidade. Durante cinqüenta anos de reinado, fez de sua vida um longo e constante dever cumprido sem impaciência, sem dilação, sem preguiça. Foi mais administrador do que estadista.
À atuação do Imperador, à sua habilidade política e espírito de longanimidade, atribui Gustavo Aimard a paz profundíssima que o Brasil desfrutava quando o visitou. O Soberano era ao mesmo tempo político e filósofo dotado de enorme benevolência, conhecedor de homens como ninguém, e animado pelo maior patriotismo.
A lógica inflexível do Imperador nos objetivos de longo prazo
A coerência, com a madura reflexão, era uma das virtudes de D. Pedro II. Uma vez adotado um sistema ou aceito um plano, não mudava facilmente. A tradição, a continuidade do governo, está com ele só. Como os gabinetes duram pouco e ele é permanente, só ele é capaz de política que demande tempo. Só ele pode esperar, contemporizar, continuar, adiar, semear para colher mais tarde, em tempo certo.
Durante a guerra do Paraguai os ministérios se sucederam, como também os chefes combatentes. Mudaram a política dos países amigos e as circunstâncias em que a luta se desdobrou. Mas permaneceu ele, seguro dos seus objetivos, sem esmorecer nem precipitar, árbitro das soluções, fiel ao programa. Se a política exterior do Brasil teve então uma lógica inflexível, foi porque a fez o Imperador.
No Brasil, ninguém se identificava mais com a campanha do Paraguai do que o Imperador. Ninguém a intensificava com maior interesse e mais acentuado patriotismo. Joaquim Nabuco afirma: “A influência do Imperador foi notável, nessa época. Cedeu para as despesas da guerra a quarta parte da sua verba pessoal. A sua atividade proverbial aumentou ainda mais. A sua solicitude não teve limites. O seu ardor em animar os que partiam dava às suas palavras a emoção da voz da Pátria. O Imperador arrastava atrás de si todos que o circundavam”.
Por vezes, sua insistência era quase uma súplica: “As circunstâncias são muito graves, e todos devem concorrer para o fim patriótico de concluir a guerra, como só posso admitir que ela termine, com honra para o Brasil. Caxias está animado. Porém ele merece, e o bem do Estado exige, que ele receba, como até agora, o maior apoio do Governo”.
A guerra do Paraguai envelheceu precocemente D. Pedro II. Foram cinco anos que valeram vinte.
Nunca, talvez, um rei o foi tão inteiramente como D. Pedro II, entre 1864 e 1870. Havia já construído o seu sistema de governo – a macia direção pessoal do Estado, em harmonia com um gabinete representativo – e imposto aos políticos a sua maneira de agir e de conciliar, de resolver e de negar, de conduzir e de orientar.
A luz perene das suas janelas, iluminadas até altas horas, projetava-se sobre os horizontes da nacionalidade. Sabia-se que o Imperador dormia pouco, empenhado em dar à sua terra o completo esforço, para que vencesse a tormenta com dignidade e glória.
Tomemos os Estados Unidos e o Brasil, frente ao mesmo problema: a abolição da escravatura. Tiveram os Estados Unidos a solução pela violência, pela força, pelo grande fragor da guerra fratricida. Teve o Brasil uma solução que todos vimos, solução que excedeu aos sonhos dos humanitários mais otimistas. Porventura deveremos envergonhar-nos da solução que soubemos e pudemos dar ao problema, e sentir o não termos imitado os Estados Unidos também nesse ponto?
“Se os Estados Unidos, em 1862, tivessem um monarca em vez de um presidente eleito por poucos anos, certamente lhes teria sido possível dirigir o problema servil para uma solução pacífica, evitando uma sangrenta guerra civil, cujos efeitos ainda perduram”.
Isto dizia Doellinger em 1880, e oito anos depois os fatos vieram dar-lhe razão, porque o único país monárquico da América foi também o único que pacificamente extinguiu a escravidão. O seu natural instinto de conservação leva as monarquias a procurarem resolver os problemas sociais, enquanto que as oligarquias republicanas temem esses problemas e adiam-lhes indefinidamente as soluções.
O Conde Afonso Celso, em visita ao Imperador exilado em Paris, contou-lhe minuciosamente as notícias da Pátria, algumas das quais desagradaram-no. Um dos presentes perguntou-lhe:
— O espírito patriótico de Vossa Majestade não se confrange com as desgraças que se desencadearam sobre o nosso País?
— Certamente! Sucedem ali fatos que me fazem sofrer muito. Por exemplo, a notícia de que pretendem ceder aos argentinos parte do território das Missões. Isso, nunca! Nem um palmo do nosso território, nem uma pedra das nossas fortalezas. Contamos a nosso favor com o direito e a força. Como transigir nessas condições? Foi o meu empenho sagrado conservar o Brasil unido e íntegro. Reside nessa homogeneidade individual a nossa grandeza.
Não pertencendo a partidos, o Monarca é Imperador de todos os brasileiros
Um dos maiores serviços que o Rei presta ao povo é a garantia da sua total independência em relação aos partidos políticos, e dum modo geral em relação aos interesses particulares das pessoas ou das associações, sejam de que tipo forem: políticas, econômicas, profissionais.
Em 1886, ao visitar as obras do Museu do Ipiranga, em São Paulo, o Imperador mandou a carruagem seguir pelo caminho histórico. Chegando ao local, comentou:
— Esta é a verdadeira arquitetura adequada a um monumento desta ordem.
E perguntou ao Conselheiro Ramalho:
— Ainda vive alguém do tempo da Independência?
— Há em Campinas um velho, chamado João Cintra, que fez parte da comitiva do augusto pai de Vossa Majestade.
Dias depois, quando chegou a Campinas, foi logo indagando onde morava o velho Cintra, cuja casa era fora da cidade. E seguiu para lá, acompanhado apenas de um jornalista e do seu velho negro Rafael. Encontrou João Cintra falando a meia voz, num grupo de velhos. Depois dos cumprimentos, perguntou:
— Que história estava aí contando? Continue, eu também quero ouvir. Quem é velho sempre sabe muitas histórias.
Não sabendo o que lhe haveria de dizer, o rude velhinho perguntou a Sua Majestade:
— Por que é que o Senhor não se muda para cá? Será por ser carioca?
— Eu não sei o que é ser carioca, paulista, gaúcho, mineiro ou pernambucano. Só sei que sou brasileiro.
No dia 10 de julho de 1888, os brasileiros residentes em Paris promoveram um banquete para comemorar a abolição da escravidão. Compareceram 169 personalidades do mundo oficial. Os organizadores desejavam convencer o Imperador, presente então na França, a presidir o banquete. Coerente com a sua situação de Imperador de uma maioria de abolicionistas, mas também da minoria não abolicionista, ele se recusou:
— Desejo continuar Imperador de todos os brasileiros, quaisquer que sejam os credos e convicções políticas.
Numa carta dirigida a D. Pedro II, Lamartine escreveu: “Todos os súditos de Vossa Majestade, que vêm do Brasil ou que daí nos escrevem, felicitam-se de viver sob o governo de um príncipe que extinguiu no Novo Mundo, por seu caráter e suas virtudes, a eterna disputa entre as naturezas do governo republicano ou monárquico: a liberdade das repúblicas sem a instabilidade, e a perpetuidade das monarquias sem o despotismo”.
Tivemos 67 anos de Monarquia que, além de nos trazer a Independência, trouxe a este País crescimento industrial e comercial, estabilidade política e ideológica, liberdade total, honestidade, probidade com as coisas públicas e identidade pátria, além de governos livres e independentes, sistema monetário forte, estruturas institucionais fortes e morais, estrutura partidária de grande potência e uma política exterior digna.
Na “questão religiosa”, atuação objetável do Imperador
Dos muitos fatos ocorridos no Segundo Reinado, nenhum houve que, sequer de longe, causasse tanta comoção no extenso Império do Brasil quanto a chamada “questão religiosa”, que se desenrolou de março de 1872 a setembro de 1875.
Herdeira e continuadora da Monarquia portuguesa, a Monarquia brasileira conservava o Estado unido à Igreja. A Religião Católica era a única oficialmente reconhecida como verdadeira pelo Império, conforme previa o artigo 5º da Constituição. A prática de cultos não católicos era tolerada, porém só o culto católico podia ser realizado em edifícios com forma externa de templo. Quando o Santíssimo Sacramento passava pelas ruas, a tropa recebia ordem de ajoelhar-se. Os membros do episcopado eram objeto de honras oficiais, como dignitários do Estado.
A estes justos privilégios se contrapunham, infelizmente, graves e injustos cerceamentos da liberdade da Igreja, entre os quais ressaltava o fato de que, segundo o entendimento de canonistas eclesiásticos e civis, as bulas e decretos do Soberano Pontífice, com vigência para o mundo inteiro, não podiam ser aplicadas em território brasileiro sem a aprovação – ou “placet” – do Imperador.
Assim, tendo o Papa Pio IX, então reinante, publicado decreto proibindo aos católicos filiarem-se à maçonaria, o Gabinete de então, presidido pelo Visconde do Rio Branco, grão-mestre da maçonaria brasileira, se declarou contrário à aplicação do documento pontifício em nosso País. E nisto foi apoiado pelo Imperador, que recusou seu “placet” ao mencionado ato pontifício.
Discordando dos canonistas que sustentavam a legitimidade do “placet” imperial, dois prelados brasileiros – D. Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira, Bispo de Olinda, e D. Antonio de Macedo Costa, Bispo de Belém do Pará – deliberaram aplicar nas respectivas dioceses aquele decreto, afirmando assim a obediência que, como bispos católicos, lhes cabia ter em relação a todos os atos emanados do Vigário de Cristo na Terra. Em conseqüência, determinaram que, sob penas canônicas, saíssem da maçonaria todos os eclesiásticos e leigos católicos a ela filiados.
À vista desse ato, que teve graves desdobramentos, o Governo Imperial decidiu levar presos ao Rio de Janeiro ambos os prelados, a fim de serem julgados. O Supremo Tribunal de Justiça, em maio de 1874, condenou os bispos a 4 anos de prisão com trabalhos forçados. Fazendo imediatamente uso da sua atribuição constitucional, D. Pedro II comutou a pena em prisão simples.
É difícil avaliar devidamente, em nossos dias, a comoção causada em todo o Brasil pela decisão do Tribunal. De todo o País afluíram católicos inconformados, para visitarem nos respectivos cárceres os valorosos prelados. E de todas as partes convergiam para a mesa de D. Pedro II os pedidos de anistia em favor destes. Entre as pessoas de maior destaque nesses pedidos, figuravam muitos membros do episcopado nacional e a Princesa Isabel.
O seguinte episódio, ao mesmo tempo que nos mostra um aspecto gracioso da intimidade entre as pessoas da Família Imperial, deixa reluzir a firme têmpera dessa grande dama católica que foi a Princesa Isabel.
Em visita à Princesa, em julho de 1875, o Imperador e a Imperatriz comunicaram-lhe que pretendiam viajar à Europa, para o tratamento de D. Teresa Cristina. Aproveitando o ensejo, a Princesa declarou que só aceitaria a Regência com satisfação se fossem anistiados D. Vital e D. Macedo Costa, então cumprindo pena de prisão. O Imperador não respondeu, mas ela voltou, decidida, ao assunto:
— Pois o papai fique certo de que, se até eu assumir a Regência o caso permanecer como está, eu anistiarei os bispos. Será o meu primeiro ato.
Afinal, no dia 3 de setembro de 1875, o novo Gabinete, presidido pelo Duque de Caxias, obteve do Imperador o decreto de anistia dos bispos.
Alguns anos mais tarde, quando visitou o Colégio do Caraça em abril de 1881, D. Pedro II percorreu as aulas do Seminário Maior. Depois de ouvir os alunos que eram interrogados sobre Teologia Dogmática, Moral, História, quis saber o que se ensinava ali sobre o “placet”. Foi chamado então um seminarista, que expôs a doutrina do Concílio Vaticano sobre o assunto:
— Há dois poderes, o eclesiástico e o civil, e ambos vêm de Deus. O primeiro, imediatamente de Deus. Sobre o segundo, as opiniões divergem se imediatamente ou mediante o povo. O poder eclesiástico é superior ao civil, porque tem objeto mais nobre, espiritual, sobrenatural – o bem das almas – e extensão territorial maior, pois abrange o mundo todo. O poder civil tem por objeto o bem temporal, e se limita a uma nação particular. Estes dois poderes são distintos e livres na sua esfera.
Houve um silêncio, e D. Pedro perguntou:
— E nas questões mistas?
O professor, Pe. Chanavat, tomou a palavra:
— Para estas, a decisão pertence à Igreja.
— Protesto! Como chefe do poder civil e defensor nato da Constituição Brasileira, protesto contra esta doutrina.
Com tato e delicadeza, o Superior, Pe. Clavelin, propôs outro assunto, desfazendo o incidente. Mais tarde, durante o recreio, D. Pedro passou com a comitiva perto do Pe. Chanavat, que se encontrava em uma roda de alunos, e este aproveitou para interpelar o Imperador:
— Não posso admitir o protesto de Vossa Majestade. É escandaloso um monarca católico protestar contra a doutrina da Igreja diante de um seminário maior.
Mais tarde, D. Pedro comentou com a comitiva:
— O Pe. Chanavat é um sacerdote digno da batina que veste e da cátedra que ocupa. É um homem!
O elogioso comentário do Monarca sobre a pessoa do Pe. Chanavat deixa claro o respeito com que considerava os sacerdotes e os católicos que se tinham oposto a ele tão firmemente, em defesa das inalienáveis prerrogativas do Papado. As suas atitudes, decorrência natural das doutrinas que lhe inculcaram os professores designados pela Regência, durante a menoridade, não se revestiam, portanto, de um caráter rigoroso e inflexível.
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Postado por LEON BEAUGESTE às 08:44
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