domingo, 15 de julho de 2018

postado em 09/07/2018 16:12

Cenário constante de catástrofes naturais, o Japão sofre com terremotos, tufões, tsunamis e erupções vulcânicas, porém é geralmente bem preparado para enfrentar essas situações.
Como é possível, então, que as chuvas torrenciais da semana passada possam ter feito tantas vítimas fatais?

Veja alguns dos fatores que contribuíram para a pior tragédia japonesa relacionada às chuvas desde 1983.

Época de tufões, recorde pluviométrico

As chuvas violentas começaram com a chegada de um tufão que atingiu o Japão, durante a época de precipitações. O arquipélago é atingido em média seis vezes entre julho e outubro/novembro por tufões.

Essas pertubações graves trazem consigo precipitações torrenciais e ventos violentos.

Apesar das medidas tomadas, como o estabelecimento de barragens para controlar o aumento das águas, as chuvas fazem vítimas todo ano.

Mas em 2018, as precipitações surpreenderam: recordes pluviométricos foram registrados em 118 pontos de observação repartidos em cerca de 15 prefeituras no período de 72 horas.

Uma geografia complicada 

Por volta de 70% do território japonês é constituído de montanhas e colinas. Muitas casas são construídas em zonas de risco, como ladeiras abruptas ou planícies inundáveis.

"Além disso, o solo do país não é homogêneo, em razão das placas tectônicas e das camadas vulcânicas sobre as quais está situado. Ou seja, é muito vulnerável", explica Hiroyuki Ohno, encarregado do Instituto Sabo, que estuda deslizamentos de terra.

O governo colocou em prática um projeto de longa duração com o objetivo de deslocar as pessoas para lugares mais seguros. 

Esse projeto impede a construção de novos prédios e residências em zonas potencialmente perigosas. Mas a empreitada não foi concluída e várias pessoas continuam expostas a desastres.


Casa de madeira

Muitas residências japonesas são feitas de madeira, principalmente em zonas rurais.

A base dessas casas também é de madeira, o que aumenta sua resiliência quanto aos terremotos. Porém isso as torna particularmente vulneráveis às cheias ou a um terreno instável. 

Ordens de evacuação
Nos primeiros dias, as autoridades japonesas emitiram ordens de evacuação a 5 milhões de pessoas, mas essas instruções não são obrigatórias e muitas vezes não são seguidas, por ignorância ou por ser perigoso partir ou ainda pelo fato do risco não ser percebido.

"Os seres humanos possuem o que chamamos de viés de normalidade, o que significa que as pessoas têm tendência a não sair de suas casas ou a ignorar informações negativas", explica à AFP, Hirotada Hirose, um especialista em gestão de catástrofes.

"Por causa da natureza humana, nós não reagimos como deveríamos quando somos confrontados a desastres naturais, como desabamentos de terra ou inundações repentinas, que ocorrem sem prevenir", relata Hirose.

Porém os especialistas acusam o sistema de alerta japonês, que coloca  a decisão de emitir ou não as ordens de evacuação nas mãos de funcionários locais sem experiência na gestão de catástrofes.

"A relutância em emitir ordens de evacuação pode criar atrasos (...) e se o alerta é dado no período noturno, ninguém o escuta", se preocupa Hirose.

Mudança climática

Muitos moradores talvez tenham sido iludidos por uma ideia de segurança, depois de anos de eventos meteorológicos impressionantes, mas com poucas vítimas fatais. 

"A frequência de catástrofes naturais aumentou, e nós vivemos em um mundo onde as regras que aprendemos no passado não podem ser mais aplicadas", insiste o encarregado do Instituto Sabo.

A mudança climática bagunça o quadro atual e os especialistas recomendam que daqui em diante as populações saiam antes mesmo da ordens de evacuação, assim que chuvas intensas são previstas.

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