sexta-feira, 23 de março de 2012

Libia: Os Bandidos Revolucionarios e a ONU


Libia: Os Bandidos Revolucionarios e a ONU

23.03.2012
 
Líbia: Os Bandidos Revolucionários e a ONU 
Por Alexander Mezyaev*
Tradução: Anna Malma para Irã News
Libia: Os Bandidos Revolucionarios e a ONU. 16664.jpegUm relatório do Secretário Geral da ONU  foi submetido ao Conselho de Segurança para uma prolongação da missão de avaliação da situação na Líbia. O Conselho de Segurança prolongou a missão para mais doze meses e especificou que a missão deveria ajudar as novas autoridades da Líbia  a definir as exigências e prioridades para todo o país,  a  promover a lei,  a  assegurar os direitos humanos,  a reestabelecer a segurança pública  e a combater a proliferação ilegal de armas. Dentre essas armas destacou-se então o sistema de defesa aéreo portátil.
Apesar do relatório do Secretário Geral  da ONU  ter tentado apresentar as novas autoridades da Líbia na melhor das perspectivas,   uma análise por mais superficial que fosse mostra que  o relatório contém informações a serem ressaltadas. Por ex. o relatório mostra  que  forças loiais à Jamahiria líbia continuam a resistir os ocupantes da OTAN e da ONU e que essa resistência toma lugar em grandes cidades, como por ex.  Trípolis, Bani-Walid e Corfu.
Tentando disfarçar  a  gravidade  da situação o Secretário Geral da ONU denominava as ações de combate como "escaramuças".  Esse não era o único absurdo no seu relatório que não  esclarecia  a situação de modo desejável, muito pelo contrário. Por ex., ao lado das novas autoridades e dos apoiantes do antigo regime de repente surgia um terceiro ator que ele sem especificações  denominava como "brigadas  revolucionárias".
O relatório então não especificava o que seriam essas brigadas, quem faria parte delas,  que áreas que elas estariam a controlar  e a que comando elas responderiam. O relatório não dizia  uma palavra a respeito do assunto, mas o texto mostrava  claramente para que essas brigadas seriam  necessárias.  Essas "brigadas revolucionárias" seriam necessárias para a continuação do  emprisionamento de supostos apoiantes do então regime de Moamar Kadafi. Seriam também importantes  para fazer interrogatórios e  controlar centros de detenção.  Compreende-se que há graves atos de tortura e mau tratamento perpetrados por essas brigadas,  incluindo mortes durante custódia.  Isto especialmente em Trípolis, Misrata, Zintan e Gheryan.
Ao que parece o relatório tenta mostrar que as novas autoridades nada tem a ver com tudo isso. Tudo seria então por causa dessas "brigadas", mas nesse caso uma outra questão se apresenta. Se essas "brigadas" ou "salteadores revolucionários" operam em Trípolis, o que é então que o "governo" controla?
Muito fica abaixo de forte neblina, mas um representante da Líbia na ONU falou mais claramente. Foi dito que havia áreas fora do controle do "governo".  Como não havia nem presença policial, nem Cortes de Justiça  não se podia por  as responsabilidades nas autoridades que nem saberiam o que se estaria passando por lá.  Entretanto, o representante líbio não foi mais específico em relação a que partes do país que estariam fora do controle das autoridades governamentais.
De acordo com as leis internacionais qualquer autoridade constitui um governo legal se essa autoridade controlar  todo o território do país. Isso é ao pé da letra, mas na prática admite-se o fato que o governo deverá controlar pelo menos a maior parte do território do país.  Isto é então exatamente o que o chamado "Conselho Nacional de Transição" da Líbia não tem  acarretando,  ao que tudo indica,  os absurdos relatórios oficialmente apresentados.
[Nota do tradutor: Aqui apresento uma tradução mais livre do texto concentrando-me no  aspecto geral do apresentado  deixando de lado os dados específicos do texto original ]:-  As novas autoridades da Líbia sabem muito bem quão precária é a situação delas no contexto geral. Há movimentos para sabotagem e bombardeamentos. Há complexidades em relação a muitos fatores como por exemplo os embargos impostos à Líbia pela própria ONU.  Os embargos e as decisões tomadas pela ONU,  tanto em relação a armamentos quanto a possibilidades econômicas tornam tudo muito complicado. Há muitas complexidades e incertezas. O que parece completamente certo é que as chamadas autoridades não controlam a situação.
[Voltando ao texto original]:-   Há uma operação  em andamento para transferir mercenários e bandidos da oposição vindo da Síria e indo para a Líbia.  Essa transferência deveria ser feita  dissimuladamente  abaixo da proteção nominal da ONU.
Quanto tudo estava por se dar a conhecer  tentou-se  apresentar o movimento dos  militantes como movimnetos de  "refugiados  fugindo do regime sangrento".  Entretanto, para qualquer   um  que olhe  para o  mapa da região fica claro que para se "fugir" da Síria  em direção  à Líbia tem-se que atravessar a Jordânia e Israel,  para depois  poder atravessar o Egito. O fugitivo teria que vencer todos os obstáculos  de uma  tal peripécia.  Estaria então nas condições de  poder pedir asilo "num país sem problemas" - a Líbia!  Para poder ter sucesso nas condições ditas vigentes essas pessoas teriam que,  no mínimo,  de ser  campeões  de maratonas e não simples refugiados em aflição. Como se pode ver  é mais uma história idiota.
Já de há muito as sessões do Conselho de Segurança da ONU tornaram-se exemplo de cinismo e hipocrisia. Um palco para fabricação e distribuição de falsidades para promover o apoio da opinião pública para crimes sanguinaŕios, crimes esses realmente reles e brutais.
O que ocorreu na Líbia? Relatórios oficiais mostram-se insuficientes. Reações oficiais também apresentam um distanciamento moral surpreendente. Entretanto, é um fato conhecido e bem documentado que muitos crimes foram cometidos como resultado das operações de bombardeamento da OTAN.
Recorda-se o bombardeamento de Zlitan, em 9 de agôsto de 2011. Esse bombardeio  levou  80 pessoas  incluindo 30 crianças, à morte brutal.  Recorda-se também dos bombardeios contra a Televisão de Trípolis, em julho de 2011. Inexplicavelmente esses e muitos outros bombardeios e mortes em massa, mesmo os mais importantes com  inumeras vítimas da  violência desmesurada da OTAN,  não foram nem mencionados nos relatórios da Comissão Internacional de Inquéritos. Relatório esse que foi  apresentado em Geneva,  no dia 9 de março - sessão do  Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Apesar do relatório conter uma parte dedicada a morte de Moamar Kadafi e seu filho Mutassim,  os advogados responsáveis pelo relatório tiraram conclusões muito controversiais. Declararam que apesar de terem insistido em receber os documentos da autópsia teriam recebido  sómente fotos que não permitiriam conclusões relevantes quanto a causa- mortis. Concluiram portanto que não se poderia  apresentar conclusões definitivas  quanto a  uma  possível criminalidade envolvida no ato.
O ponto crucial aqui é que esses advogados experientes não reagiram com significância judicial e legal ao fato de um prisioneiro ter sido morto quando em custódia  abaixo dos auspícios das autoridades relevantes no caso. [Em última instância sob a responsabilidade da ONU e da OTAN].
As deliberações do Conselho de Segurança da ONU quanto a situação da Líbia,  nesse março vigente,  assim como os resultados da investigação conduzida pela Comissão de Inquérito da ONU mostram que há uma intenção de converter a Líbia numa zona judicial  obscura na cena dos acontecimentos internacionais.
A Líbia está a ser transformada  numa espécie de fusão entre um Iraque e uma Somália. Está a ser transformada num lugar de difusão incontrolada de armamentos,  bombeamento de petróleo -como que gratuito-  e treinamento de militantes para novas "revoluções" . Mas enquanto as forças da Jamahiria líbia  estiverem ativas,  esse plano malévolo não poderá ser completamente consumado.
[O apresentado acima  pode por-se em relação ao contexto atual vis-a-vis Síria e Irã]           
Referências e Notas:
* Alexander Mezyaev, "Libia. Brigands-Revolutionaries and the UN".
O original encontra-se em www.strategic-culture.org   -  Com agradecimentos ao autor e  a  "Strategic Culture Foundation",  Moscou.

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