Bolsonaro diz que país vai ficar "ingovernável" com atual STF
Pré-candidato do PSL à Presidência da República, deputado Jair Bolsonaro, participa de evento na CNI 04/07/2018 REUTERS/Adriano Machado
Por Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA (Reuters) - O pré-candidato do PSL ao Palácio do Planalto, deputado Jair Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira que com a atual composição do Supremo Tribunal Federal (STF) o país vai ficar "ingovernável" e argumentou que o sinal que se passa para a população é de não se respeitar as leis.
"Com esse Supremo vai ficar ingovernável o país também. O sinal que dá para a população é não respeite as leis", disse Bolsonaro, em entrevista coletiva após participar de evento com presidenciáveis promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
As críticas de Bolsonaro --líder nas pesquisas de intenção de voto ao Planalto nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva-- ocorreram após ele comentar a decisão do ministro do STF Ricardo Lewandowski de suspender processos de venda de ativos de empresas públicas com base na Lei de Estatais.
Essa determinação de Lewandowski fez, por exemplo, a Petrobras suspender parte do seu programa de desinvestimento. O ministro do STF entendeu que esse tipo de processo de venda de ativos precisa passar antes pelo Supremo.
Para Bolsonaro, essa decisão judicial foi "ideológica".
O pré-candidato do PSL criticou ainda o Poder Judiciário ao afirmar que vários órgãos dele estariam "legislando" ao tomar decisões e destacou que é preciso de um presidente que, de forma "isenta, transmita confiança e respeite as leis".
"Que evite que o nosso Supremo Tribunal Federal continue legislando, bem como o CNJ, como legislou em relação às audiências de custódia", disse ele, que também se referiu a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, que se pronunciou sobre a forma como os cidadãos podem se manifestar em abordagens policiais.
Dias atrás, o parlamentar defendeu o aumento do número de integrantes do STF, atualmente composto por 11 ministros.
Na sabatina promovida pela CNI, Bolsonaro repetiu novamente que vai "botar alguns generais" nos ministérios se vencer a corrida ao Palácio do Planalto.
"Que o presidente que chegar lá nomeie e escale o seu time", disse. "Os anteriores colocavam terroristas e corruptos quando chegavam lá", completou ele, em um dos dez momentos que foi aplaudido durante o evento --o que recebeu o maior número de palmas do público até o momento.
Em entrevista coletiva após o evento, o pré-candidato disse que, quando a campanha começar, vai apresentar quase todos os nomes que poderiam compor o seu ministério.
"Ou faz algo diferente ou não faz", disse. "Não é general por ser general, é pessoa competente", acrescentou, ao destacar que general não é "incorruptível", mas a "pressão é menor".
Bolsonaro disse novamente que terá apenas 15 ministérios -- atualmente são 29 pastas na Esplanada.
Em outro momento em que foi fortemente aplaudido, o deputado disse que pode ser preciso reduzir direitos trabalhistas.
"Teremos de decidir: menos direitos e emprego ou todos os direitos e desemprego", destacou.
PREVIDÊNCIA E APOIO DO CONGRESSO
Sem dar detalhes, após falar duas vezes sobre o assunto, o ex-capitão do Exército da reserva defendeu a realização de uma reforma da Previdência de forma gradual. "Devagar a gente chega lá, de uma vez só o remendo novo vai rasgar a calça toda", disse.
O deputado criticou a proposta apresentada pelo atual governo, que não prosperou. "Essa proposta do senhor (Henrique) Meirelles (ex-ministro da Fazenda) é remendo novo em calça velha. Temos um filtro na Câmara e no Senado", afirmou.
Bolsonaro afirmou que um presidente tem que agir como um "técnico". Ele disse que tem a humildade de reconhecer que não sabe de tudo, mas destacou que vai buscar os melhores para governar.
"Um presidente é como um técnico, ele não vai entrar em campo. Ele tem que ter o discernimento, força para buscar as soluções", disse. "Nós pensamos de maneira diferente. Quais seriam as primeiras medidas? Primeiro eu pediria a benção de Deus para o Brasil, essa é uma realidade."
Integrante de um partido nanico, Bolsonaro disse que os apoios suprapartidários a ele no Congresso estão aumentando. Disse que nesta tarde vai anunciar o apoio de 110 deputados a ele.
O pré-candidato disse ainda que, a depender das propostas que apresentar ao Congresso, vai angariar apoios.
"Se tipificarmos as ações do MST como terrorismo, será que a bancada ruralista não estará conosco? Se acabarmos com a ideologia de gênero e resgatarmos os bons valores, será que não teremos o apoio dos evangélicos, que fazem um bom trabalho no Parlamento? Se redirecionarmos a política dos Direitos Humanos, não vamos ganhar a simpatia da população?", questionou. O deputado afirmou ainda ser contra a política de cotas.
Bolsonaro defendeu o apoio do público a ele. "Vocês podem errar comigo, os outros já erraram", disse.
Em sua entrevista coletiva, ele afirmou que está com a verdade por ter o povo ao seu lado. Disse que 80 por cento dos que votam nele não vão mudar de posição e disse que tem tudo para vencer a disputa no primeiro turno.
Se Exército intervier, será para
cumprir Constituição e manter
democracia, diz comandante
Luís Adorno
Do UOL, em São Paulo 05/07/2018 12h55
Ocomandante do Exército, general Villas Bôas, durante cerimônia em homenagem ao soldado Mário Kozel Filho, morto durante a ditadura militar..
Tiago Queiroz / Ag. Estado
O comandante do Exército, general Villas Bôas, durante cerimônia em homenagem ao
soldado Mário Kozel Filho, morto durante a ditadura militar
O comandante do Exército brasileiro, o general Eduardo Villas Bôas, afirmou nesta
quinta-feira (5) que não existe a possibilidade de uma intervenção militar nos
mesmos moldes do período da ditadura militar, entre 1964 e 1985. O comandante
afirmou que, se o Exército intervier, será para respeitar a Constituição e manter a
democracia.
Com relação ao movimento intervencionista, que pede a volta dos militares no
poder, Villas Bôas disse que há uma identificação na população com os valores das
Forças Armadas e uma ânsia pelo reestabelecimento da ordem.
"Eu nem vejo um caráter ideológico nisso. Mas, de qualquer forma, as Forças
Armadas, e o Exército, pelo qual eu respondo, se, eventualmente, tiverem de
intervir, será para fazer cumprir a Constituição, manter a democracia e proteger as
instituições", afirmou.
"Sempre o Exército atuará sob a determinação de um dos Poderes da República,
como aconteceu agora, por exemplo, nessa greve dos caminhoneiros",
complementou.
Villas Bôas classificou a questão como "muito simples": "Quem interpreta que o
Exército pode intervir [como na ditadura], é porque não conhece as Forças Armadas
e a determinação democrática, de espírito democrático, que reina e preside em
todos os quartéis", disse.
Ainda segundo o comandante, os brasileiros perderam a confiança uns nos outros e
estão muito carentes de disciplina social. "Isso nós podemos medir em grandes
eventos como a Copa do Mundo. Está totalmente diferente a reação da população",
Para Villas Bôas, o Brasil está na "iminência de algo muito grave acontecer, que é a
perda da nossa identidade".
"SP deve liderar arrancada", diz comandante em homenagem
a soldado morto na ditadura
O Exército brasileiro, por meio do Comando Militar do Sudeste, promoveu, na
manhã desta quinta-feira (5), uma cerimônia em homenagem a um soldado morto
por guerrilheiros em 1968, durante a ditadura militar. O evento teve Villas Bôas à
frente.
General Luiz Eduardo Ramos durante a cerimônia...
A homenagem ocorreu em memória ao
soldado Mário Kozel Filho, morto há
exatos 50 anos em um ataque da VPR
(Vanguarda Popular Revolucionária).
Os guerrilheiros aceleraram um carrobomba
com dinamites dentro de um
quartel-general de São Paulo. Pós
morte, o soldado foi promovido a
3º sargento. À época, ele tinha 18
anos. Além de Kozel Filho, outros seis
militares ficaram feridos.
Após a ação dos guerrilheiros, dez
suspeitos foram detidos. Entre eles,
Eduardo Leite, o Bacuri, morto
enquanto preso em 1970, em São
Paulo. Um outro suspeito do atentado,
o ex-sargento Onofre Pinto, foi morto em uma ação do Centro de Informações do
Exército, em Foz de Iguaçu (PR).
O comandante Villas Bôas afirmou que "São Paulo deve, novamente, liderar uma
arrancada de desenvolvimento de nosso país, a locomotiva, como fez a partir de
1932. O Brasil precisa de São Paulo, de seus valores, de seu empreendedorismo,
de sua capacidade de inovação".
Suzana Kozel recebeu homenagem ao lado do comandante do Exército, General Villas Boas (na cadeira de rodas)..
Ainda segundo o comandante, "este
evento significa a celebração de
valores e deve motivar nosso
pensamento, nossa análise, para que
fatos como esse não venham se
repetir no futuro", complementou.
Na sequência, o comandante leu um
comunicado emitido no site do Exército
nesta quarta-feira (4). No texto,
afirmou que a morte do soldado
ocorreu em um "um período de
entusiasmos artificializados, de
intolerâncias incitadas e de paixões
extremadas que faziam os brasileiros
míopes para a realidade civilizada. Foi
um tempo que nos dividiu, que
fragmentou a sociedade e nos tornou
conflitivos."
complementou o informe lido pelo comandante.
Antes do comandante, o general Luiz Eduardo Baptista Ramos Pereira afirmou que
"não existe separação entre civis e militares. A sociedade brasileira, em um grito
unido, disse: 'não aos atos terroristas e à minoria inconformada'. Juntos, civis e
militares lutamos pelas crenças de nossa rica e próspera nação. Sempre capazes
de superar crises de todos os matizes."
"Estamos fazendo, atualmente, exatamente isso. Face a uma crise moral, na qual
valores do bem comum e de amor à pátria, vem sendo afrontada. Somos um povo
conhecido pela tolerância, pela solidariedade", complementou.
Durante a cerimônia, a irmã do soldado, Suzana Kozel, 70, foi homenageada com
um buquê de flores. Ela também deixou um ramo de flores em frente a um busto de
seu irmão. Houve tiros e pétalas de rosas jogadas de um helicóptero no momento.
A cerimônia ocorreu um dia depois à decisão da Corte Interamericana de Direitos
Humanos de condenar o Estado brasileiro pela tortura e assassinato do
jornalista Vladimir Herzog
(https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2018/07/04/corte-condena-brasil-pornao-punir-assassinato-de-herzog-pela-ditadura/),
ocorrido em outubro de 1975, por
militares.
Villas Bôas afirmou que "naquela época, a sociedade brasileira cometeu o erro de
permitir que a linha de confrontação da guerra fria dividisse a nossa sociedade, o
que acabou criando ambientes para que fatos lamentáveis, como a morte de Kozel
e Herzog, tivessem ocorrido", disse.
Estiveram presentes, também, o comandante-geral da PM paulista, Marcelo Vieira
Salles, e quatro deputados estaduais da chamada "bancada da bala".
Ao lado do comandante da PM, Villas Bôas prestou homenagens a um soldado da
corporação que também morreu durante a ditadura. "Igualmente à gloriosa Polícia
Militar de São Paulo, que perdeu o tenente Alberto Mendes Júnior, vítima também
do terrorismo", afirmou.
terça-feira, 3 de julho de 2018
Morre menina de três anos esfaqueada em ataque à festa infantil nos EUA..
Em Washington 02/07/201820h54..
Brian Lawdermilk/Getty Images..
Uma menina de três anos morreu nesta segunda-feira dos ferimentos sofridos no
ataque de um homem que esfaqueou várias crianças no sábado em uma festa
infantil no estado americano de Idaho.
A criança havia sido transferida por via aérea para um hospital no vizinho estado de
Utah, mas não resistiu aos ferimentos, informou a polícia.
"Entre as outras oito vítimas, um menino já teve alta e sete permanecem internadas,
muitas em estado grave ou crítico", revelou um oficial.
No sábado, o homem feriu nove pessoas pessoas, entre elas seis crianças, durante
a festa de aniversário de uma criança em Boise, cidade de 226 mil habitantes, ao
que parece para se vingar de outros moradores de um complexo de apartamentos.
O suspeito, um americano negro de 30 anos de Los Angeles identificado como
Timmy Kinner, teria atacado suas vítimas porque pediram sua saída de um
apartamento onde um conhecido o hospedou por alguns dias.
O agressor tem um longo histórico criminal e cumpriu pena em Kentucky, segundo a
polícia de Boise.
[BOATO] RÚSSIA TERIA AMEAÇADO EXPULSAR TODA A EQUIPE DA GLOBO DA COPA DO MUNDO 2018
Corre um boato entre profissionais que cobrem os bastidores da televisão de que a Rússia teria ameaçado expulsar toda a equipe da Rede Globo de Televisão que está no país fazendo a cobertura da Copa do Mundo 2018 para a emissora.
Os estúdios da emissora na Praça Vermelha, inclusive, passaram por um revista da polícia russa há poucos dias, fato que a Globo comentou como sendo um procedimento de rotina das autoridades russas com todas as emissoras de televisão que está cobrindo a Copa do Mundo.
O buraco no entanto parece ser mais embaixo e o que os policiais russos buscavam no estúdio de vidro da Globo não foi esclarecido.
O problema do governo russo com a Rede Globo teria começado por conta de um vídeo feito com um celular por um profissional da equipe técnica da Globo na Praça Vermelha, um dos locais que está sendo mais monitorado pelas autoridades russas durante a Copa, o vídeo mostra um policial russo abordando uma pessoa que portava uma bandeira do movimento LGBT e a escoltando para um local que não foi mostrado a posteriori.
O tal vídeo viralizou após a apresentadora Fernanda Gentil, que mantém uma relação amorosa com outra profissional da Globo, ter participado do programa “lacração” da Fátima Bernardes que exibiu o tal vídeo e questionou a apresentadora sobre as leis russas de repressão russa contra manifestações homossexuais em público. Fernanda Gentil, que está na Rússia com a namorada, informou que a proibição russa de troca de carinhos homossexuais em público e de manifestações contra tal lei é justificada pelo governo pelo fato de que as crianças não devem ser expostas ao relacionamento entre pessoas do mesmo sexo nas vias públicas na Rússia. A regra, pelo que se sabe, também é cumprida pelas famílias nos lares russos e os canais homoafetivos se mantém de forma discreta no país.
O treçho do programa da Fátima Bernardes mostrando o exposto acima foi copiado e está sendo compartilhado nas redes sociais com muitas visualizações e compartilhamentos, fato que teria desagradado o governo russo que não deseja qualquer tipo de manifestação ou protesto contra as rígidas regras de comportamente vigentes naquele país.
Como pôde ser visto na abertura da Copa e nos jogos em que mostrou as caras no estádio, o líder russo Vladimir Putin, mesmo impondo rígidas regras de comportamento às minorias em seu país, tem grande apoio popular e foi ovacionado pelos russos presentes aos estádios.
E a Globo aprendeu a duras penas que a Rússia não é o Brasil.
As jaulas de Trump e uma civilização que desmorona
27.06.2018
Roberto Malvezzi (Gogó)
As jaulas de Trump e uma civilização que desmorona
Há tempos pessoas que lidam com o pensamento afirmam que estamos atravessando uma crise de civilização. As referências da humanidade para conviver em sociedade dissolveram-se no ar. Agora impera o salve-se quem puder dos países dominantes ou hegemônicos, isto é, Europa e Estados Unidos, além dos núcleos dos bem estabelecidos em outros lugares do mundo, como no Brasil.+
Roberto Malvezzi (Gogó)
Acontece que o resto da humanidade vive na instabilidade social, econômica, política e militar. As guerras no Iraque, Afeganistão, Síria, a instabilidade na Venezuela, as tragédias socioambientais e humanitárias, levam multidões a buscar outros lugares para sobreviver. A ONU fala em mais de 240 milhões de migrantes internacionais nesse momento da história.
Para sobreviver em seu "apartheid" os Estados Unidos fazem muro que os separa do México e do resto da América Latina, os israelenses dos palestinos, as cercas europeias dos países africanos e do Oriente Médio. É a tentativa desesperada de continuarem estáveis num mundo em transe.
Até para quem está acostumado a lidar com situações macabras e desumanas, chama a atenção as crianças enjauladas, filhas de imigrantes nos Estados Unidos. Um país que já foi o defensor dos direitos humanos não faz mais questão alguma de manter as aparências e dispensar um trato digno de humanidade a crianças ainda em situação de colo.+
Não há como salvar uma burguesia internacional num mundo caótico. Mais cedo ou mais tarde as fronteiras cairão. A tendência é que a humanidade mergulhe cada vez mais na instabilidade, nos fluxos migratórios, na construção de muros, nas guerras, na eliminação de milhões de pessoas, até reencontrar um equilíbrio mínimo em nova etapa sobre a Terra.
A poda dos direitos, a relativização até da democracia burguesa, a indiferença com os descartados da Terra, fará com os corações endureçam, as políticas de autopreservação se estabeleçam. Porém, nada garante que os bem estabelecidos estarão seguros das hordas humanas que circularão pela face da Terra.
Sempre haverá nas periferias da humanidade aqueles que solidarizam com os descartados, sempre haverá rebeliões justas e com causa. É inútil pensar em ilhas de segurança num mundo instável. Por isso, também sempre haverá mentes e corações propondo um mundo mais inclusivo, com lugar para todos, verdadeiro caminho da paz.
A história dirá.
OBS: os militares brasileiros estão criando grupos de soldados para combater núcleos de instabilidade interna numa projeção de 50 anos. Estão cientes que o Brasil dos descartados também reagirá. Portanto, a estratégia dos militares - e da burguesia nacional - é combater os descartados, não propor um país mais inclusivo para todos os brasileiros.
Roberto Malvezzi (Gogó) é bacharel em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. É assessor de Movimentos e Pastorais Sociais
Os grupos organizados nas redes sociais cansam de criticar o Supremo Tribunal Federal e a atuação (mais política, disfarçada de jurídica) dos seus ministros. A reclamação apenas amplia o desgaste de imagem dos membros Judiciário. Na prática, os criticados magistrados são inatingíveis. Decidem o que querem, como lhes é conveniente, porque o exagerado aparato legal brasileiro dá margem a qualquer interpretação, a favor e contra um réu ou reclamante. Nesta zona legal, causa e conseqüência se confundem. A toga corre atrás do próprio rábula...
A sessão de ontem do STF foi apenas mais uma prova do funcionamento pífio de um Judiciário que se acostumou a interferir nas decisões do Executivo, também legislando via imposição de interpretações convenientes de jurisprudência. O polêmico Gilmar Mendes reclamou: “Nós já temos as mãos queimadas em matéria de controle de emenda constitucional com aquele caso dos precatórios, em quem produzimos um verdadeiro desastre”. O ministro Luiz Fux aproveitou a queimação gilmariana para alfinetar as recentes decisões dos colegas: “Nós estamos não com as mãos queimadas. Estamos com o corpo todo queimado porque há outras decisões que também que são muitos díspares do ideário do Supremo”.
Claramente queimado perante a opinião pública – o que pouco importa para ministros que parecem executar, legislar e julgar em outro planeta -, o STF deu uma queimada nos planos privatizantes do trio presidencial Michel Temer, Moreira Franco e Eliseu Padilha. O ministro Ricardo Lewandowski tomou uma decisão monocrática que deixou os rentistas arrepiados. Ele concedeu uma liminar proibindo a venda do controle acionário de estatais brasileiras sem autorização legislativa. O patético da situação é que o ministro está certíssimo da silva... Não adianta o Gato Angorá soltar a franga...
Essa perniciosa insegurança jurídica incomoda os militares. Vide o recente pronunciamento do novo presidente do Clube Militar. O General Antônio Mourão soltou o verbo contra a suprema decisão que botou José Dirceu em liberdade:
“Ontem tive a honra e o privilégio de assumir a Presidência do Clube Militar, onde juntamente com a equipe formada pelos Gen Eduardo, Santos e Cel Lindenblat iremos não só dar continuidade ao excelente trabalho realizado pela equipe do Gen Pimentel, como também atuar no sentido de apoiar incondicionalmente nossos candidatos oriundos da família militar”.
Pondera Mourão: “Contudo, ao retornar para casa, tive o desprazer de ver a decisão da 2ª Turma do STF, colocando em liberdade o facínora José Dirceu, um guerrilheiro fajuto e, pior ainda, ladrão dos parcos recursos desta Nação. A argumentação do Ministro Toffoli soou como um tapa na cara da população ordeira e que paga os pesados impostos, os quais alimentam os salários e mordomias dessa casta. Óbvio que o time formado por Gilmar e Lewandowski de imediato coonestou a tese de que a dosimetria da pena de Dirceu poderia ser revista. Ora minha gente, independente do tempo que tenha de cumprir, a verdade é que Dirceu está condenado em 2ª instância e portanto deveria aguardar na cadeia a solução do seu caso”.
O General Mourão finaliza fuzilando: “O trio de Ministros constitui o exemplar perfeito daquilo que Skousen denominou de "homo marxianus" (homem marxista). Esta espécie, infelizmente ainda abundante em nosso País, considera que nada é mau, desde que atenda suas conveniências. Libertou-se de todas as restrições da honra e da ética que o confinavam e que a humanidade havia tentado usar como base para a harmonia nas relações humanas. Quantas leis houverem, igual número ele as quebrará. VEGONHOSA DECISÃO!!!!!”.
O General Mourão não falou nada diferente do que pensa a maioria da população brasileira acerca do Judiciário e sua mais alta Corte. Felizmente, o STF ainda garante a plena liberdade de expressão – inclusive para receber críticas duríssimas de quem quer que seja. O problema concreto é: estamos longe de resolver o problema estrutural da insegurança individual, jurídica, política e econômica – que são a base da Democracia.
Resumindo: Judiciário queimado significa a incineração do regime democrático. O Brasil arde no inferno antidemocrático. Até quando suportaremos tamanho regime de exceção?