Guerra econômica e suas sanções (II)
15.02.2015
Sanções Econômicas - Trata-se de complexas medidas para fazer pressão em outros países para obter objetivos políticos, mas, tem-se que apesar dessas sanções trazerem consequências negativas para os países sendo atacados, os premeditados objetivos políticos dos países promotores da mesma, nem sempre são alcançados. Mais frequentemente esses objetivos nunca são alcançados.
Por Valentin Katasonov
Tradução Anna Malm*- Correspondente de Pátria Latina na Europa
PARTE I
Sanções Econômicas - Trata-se de complexas medidas para fazer pressão em outros países para obter objetivos políticos, mas, tem-se que apesar dessas sanções trazerem consequências negativas para os países sendo atacados, os premeditados objetivos políticos dos países promotores da mesma, nem sempre são alcançados. Mais frequentemente esses objetivos nunca são alcançados. Gary Hufbauer, um conhecido perito americano nessa área e seus associados mostram, de quando classificando 204 casos de sanções, que sómente 30 desses teriam tido sucesso (Tabela 1).
Табл. 1.
OBJETIVO DAS SANÇOES E SEUS REAIS RESULTADOS
MOTIVO* - Favor ver especificações em português logo abaixo.
MOTIVO* CASOS / PORCENTAGEM/SUCESSO
Custo da modificação da política (43-51%)
Mudança de regime ou democratização (80-31%)
Cessação das atividades de guerra (19-21%)
Destruição do potencial militar (29-31%)
Outros tipos de mudanças de política (33-30%)
EM PARÊNTESES:- (Número de Casos-Percentagem de Sucesso)
FONTE: Gary Clyde Hufbauer, Jeffrey J. Schott, Kimberly Ann Elliott, and Barbara Oegg. Economic Sanctions Reconsidered, 3rd edition. November 2007.
Em muitos casos as sanções mostram-se como estimulantes, exercendo uma ação de influência na economia abaixo de sanções. Foi assim que o denominado bloqueio continental que Napoleão Bonaparte organizou contra a Grã-Bretanha, deu um empurrão na segunda fase da revolução industrial nesse país, contribuindo para a finalização da sua tranformação na "oficina do mundo".
A propósito, Napoleão conseguiu até um certo ponto incluir a Rússia no bloqueio continental, tendo conseguido então que ela suspendesse o fornecimento à Inglaterra de cereais, madeira, linho, linhaça e outros bens. Ao mesmo tempo a Rússia se sentiu constrangida a rejeitar as importações de produtos industriais da produção da Inglaterra, entre eles as importações de produtos metalúrgicos e de vidro. Conhecedores da história econômica observaram que foi precisamente a entrada da Rússia no bloqueio continental que deu o necessário empurrão para o desenvolvimento das indústrias metalúrgicas e das indústrias de têxtil russas, então.
Um exemplo clássico da não efetividade do sistema de sanções mostrou-se com o caso do embargo levantado contra o comércio com a Itália pela Liga das Nações, 1935. Foi a Grã-Bretanha que iniciou essas sanções, e o motivo dado pela sua declaração foi o retornar da Itália à Abissínia, Etiópia. Esse embargo mostrou-se inefetivo. Em primeiro lugar, o comércio da Itália continuou com os países que não faziam parte da Liga das Nações, principalmente então com a Alemanha nazista de então. Depois, em segundo lugar, mesmo países que tinham concordado com as sanções contra a Itália não as observaram muito estritamente.
Um impressionante exemplo do poder de mobilização das sanções viu-se com o caso da União Soviética. Já nos primeiros meses da chegada ao poder pelos bolcheviques os países Antantes, ou seja dos outros aliados, começaram a organizar bloqueios marítimos e comerciais contra a Rússia Soviética. Ao final esses bloqueios vieram a fazer com que junto a direção do país tivesse começado a amadurecer a visão da necessidade de se decidir a respeito de uma elaboração construtiva da economia, a qual deveria ser minimalmente dependente dos mercados exteriores.
Em dezembro de 1925 foi proposta uma solução socialista para a industrialização. Já depois de quatro anos saiu o primeiro plano cinquenal, ou seja de cinco anos, o qual veio a caracterizar a indústria pesada da União Soviética. No começo da Segunda Guerra Mundial construiram-se mais do que 9.000 empresas industriais. O país fez mesmo por onde se preparar para a agressão por parte da Alemanha fascista de então.
O custo para satisfazer o consumo interno da importação de meios de produção para a URSS, assim como para meios de consumo no mercado, cairam no nível de mais ou menos 2%. Depois de mais 10 à 12 anos a União Soviética conseguiu realizar o seu grandioso programa de substituição de importações.
A seguir a Segunda Guerra Mundial, uma das direções que a guerra fria do ocidente contra a União Soviética tomou expressou-se na proibição de dar a ela tecnologia militar, assim como tecnologia com possibilidades a serem usadas tanto civíl como militarmente, além de embargo a exportação de cereais, a limitação de créditos, acusações de dumping, e negação a eventuais concessões de regime de país mais favorecido em comércio, etc.
Entretanto, o efeito da guerra econômica do ocidente contra a União Soviética foi limitado. Em primeiro lugar porque a União Soviética aprendeu a contornar algumas limitações e proibições de comércio com o ocidente. Em segundo lugar porque a dependência da União Soviética tanto qunato a importação como a exportação, no decorrer dos primeiros trinta anos depois da Segunda Guerra Mundial, manteve-se num nível minimal. Em terceiro lugar então, porque algumas importações necessárias para a URSS foram cobertas por outros países do bloco socialista.
Essa situação só começou a mudar no começo dos anos 70. Nos finais de 1973 o preço do petróleo nos mercados internacionais deu um salto quádruplo. Na União Soviética começou então a chover dólares, e gradualmente ela foi ficando dependente da exportação do petróleo. De ser uma potência industrial ela se transformou numa fonte de matéria prima, o que fez com que a potencialidade da efetividade de eventuais sanções do ocidente contra ela no quadro de uma guerra econômica foi aumentada.
* * *
Entretanto, o que serviria como um bom exemplo de baixa efetividade de sanções econômicas nos nossos tempos, seriam as ações do ocidente contra o Iraque e o Irã.
Depois da anexação de Kuweit pelo Iraque - mesmo que de caso pensado Saddam Hussein possa ter sido levado a isso por artimanhas dos americanos - em 6 de agôsto de 1990, o Conselho de Segurança da ONU tomou a resolução 661 em 1990, a qual tinha como objetivo o tomar contra o Iraque medidas coercivas mas sem recurso a armas. Abaixo dessas medidas entrava o estrangulamento de todos os caminhos para transações financeiras e mercadorias, excluindo-se só o fornecimento de medicamentos e produtos alimentares, num quadro humanitário. Entretanto, tem-se que como medida principal fecharam-se todos os caminhos para exportações de petróleo do Iraque.
Naturalmente então que a influência das sanções na economia do Iraque, a qual é dependente da exportação do petróleo, tornou-se muito sensível. Nas vésperas mesmo das sanções o sector petrolífero garantia mais do que 60% do PIB do Iraque. Essas sanções fizeram então por abaixar o nível de vida da população a qual veio a sentir falta até de produtos alimentares. Observou-se também ao mesmo tempo uma contínua desvalorização da moeda nacional.
No período das muito abrangentes e inclusivas medidas, de 1990 a 1995, o valor do dinheiro do Iraque em relação ao dólar caiu mais de 20 vezes e a inflação, medida em bases anuais, ficou numa porcentagem de várias centenas.
É verdade que depois do programa "Petróleo por Alimentos" ser elaborado, em 1996, a inflação começou a diminuir, e o problema da falta de alimentos, e medicamentos, perdeu a sua natureza aguda. Entretanto o governo do Iraque gradualmente começou a construir um esquema que permitiria o negociar com o mundo exterior, contornando as sanções. Foi por causa da ineficiência das sanções que os Estados Unidos resolveram retornar ao Iraque.
No Irã que já se encontra abaixo das sanções dos Estados Unidos e seus associados a 35 anos não se observa nenhum sinal de grande crise no país. A influência negativa na economia do Irã é, em resumo, sómente visível na indústria do petróleo e isso por causa da proibição quanto a importaação de equipamentos para essa indústria. Depois tem-se uma pressão suplementar na economia iraniana dado que os Estados Unidos conseguiram ligar a União Europeia as suas sanções. Entretanto, tem-se que, literalmente falando, o Irã de 2 a 3 anos, conseguiu adaptar-se a esse total bloqueio ocidental da sua indústria petrolífera.
Para Washington isso apresentou-se como uma surpresa e um fato absolutamente não aceitável. Irã tornou-se depois numa espécie de manual educacional, mostrando a outros países como se poderia contornar as sanções ocidentais. Do nosso ponto de vista foi exatamente isso que motivou a que em 2013, por iniciativa de Washington, as discussões em Geneva foram iniciadas quanto ao programa nuclear do Irã, com a participação do sexteto, ou seja dos 5 permanentes membros do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, como intermediários.
Entretanto, não pensamos que os Estados Unidos estejam antes de mais nada preocupados com o programa nuclear iraniano, como também não pensamos que como troca pela redução do programa nuclear o ocidente iria suspender, ou reduzir, as sanções contra o Irã. Mesmo no caso da promessa de Washington de descongelar parte das detidas reservas monetárias do Irã, para mostrar boa vontade, tem-se que fala-se aqui de uma muito pequena parte dessas reservas. Depois disso também, a administração dos Estados Unidos sublinhou que qualquer que fosse a decisão tomada a respeito de mudanças nas sanções contra o Irã, essas seriam sempre de "carácter reversível".
Em termos gerais as seguintes conclusões podem ser tiradas:
1) Não se nega a influência das sanções econômicas nos países sancionados mas reconhece-se que os motivos políticos quanto aos países promotores das sanções raramente são alcançados. As negativas consequências sociais que seguem-se as sanções são normalmente compensadas através de que as autoridades governamentais acabam usando as sanções para introduzir novas idéias assim como para consolidação política da comunidade.
2) Com o tempo a influência das sanções vai diminuindo e o país sancionado vai também se adaptando. Sucede frequentemente que as sanções tornam-se numa espécie de empurrão para extensivas reorganizações e mudanças econômicas .
3) Os países promotores das sanções frequentemente sofrem também perdas relativas ao fato de que suas empresas perdem possibilidades de fazer negócios com os países sancionados. Depois disso tem-se que as empresas dos países distribuindo sanções também perdem na concorrência com as empresas de países que não fazem parte dessas.
4) De quando os países distribuindo sanções percebem a ausência de resultados, quanto aos efeitos políticos desejados, esses podem vir a valer-se do uso de outros métodos de pressão, como por exemplo pressão diplomática, guerras, operações de serviços secretos, etc.
5) O ocidente tem tentado de todas as maneiras possíveis negar os casos onde o uso de sanções econômicas tenha sido ineficiente. Isso sendo porque eles querem continuar a usar suas ameaças de sanções econômicas como arma para amedrontar os países que se desviem do curso estipulado pelos centros de forças ocidentais.
No final do artigo, na parte III dessa sequência, com base na análise da experiência internacional passaremos a examinar a questão da forma de adaptação empregadas por vários países abaixo do regime de sanções.
A SER CONTINUADO -
Referências e Notas:
Valentin Katasonov - Экономические войны и экономические санкции (II)
Copyright: "фонд стратегической культуры" - www.fondsk.ru
PARTE I - URL: para o português - http://artigospoliticos.wordpress.com/guerra-e-sanc/
quarta-feira, 4 de março de 2015
Guerra econômica e sanções econômicas (III)
Guerra econômica e sanções econômicas (III)
26.02.2015
Por Prof. Valentin Katasonov -
Tradução Anna Malm* - Correspondente de Pátria Latina na Europa -
PARTE I - PARTE II ;
Com o longo período do uso das sanções econômicas foi se acumulando no mundo experiência de como organizar e como resistir a essas sanções. Indiscutivelmente a mais rica experiência de resistência a sanções foi acumulada na Rússia, onde quase todas as sanções se deram no período soviético da sua história.
EXPERIÊNCIA SOVIÉTICA DE RESISTÊNCIA A SANÇÕES
No começo da Rússia Soviética os bloqueios navais e comerciais dirigidos contra ela pelos seus ex-aliados (os países do Entente) foram superados através da organização de fluxos comerciais em países neutrais (Pérsia, Turquia, China) e também através de corredores de contrabando (uns dos principais desses sendo através do Báltico e da Escandinávia). Depois da crise econômica ter entrado em erupção, no começo de 1929, a União Soviética começou a jogar com as contradições entre os países ocidentais procurando arranjar um enfraquecimento das sanções, e mesmo uma abolição das mesmas em alguns desses países.
A resolução estratégica dos problemas resultantes das sanções econômicas apresentou-se como a industrialização da União Soviética. Uma das mais importantes tarefas do processo de industrialização em 1925 foi anunciada como uma maximal diminuição da dependência da economia soviética do mercado exterior, através de desenvolver seus próprios meios de produção. No período 1929-1941 foram construidas no país mais de 10 mil empresas, as quais começaram a efectuar a produção dos meios necessários para a produção industrial, de bens de consumo, e de todos os tipos de armamentos, equipamentos e maquinários bélicos.
A economia desse período baseou-se na mobilização, e os seus principais elementos foram: centralização e gestação popular da agricultura, única e total participação do estado na produção, uma planificação diretiva cinquenal (5 anos), coletivização da agricultura, completa erradicação de qualquer tipo de capital (industrial, comercial, monetário), um sistema de crédito governamental, um nivelamento do nível de vida de todas as camadas da população (programas sociais, luta contra meios de sustento não trabalhistas etc.) assim como um monopol estatal quanto ao comércio exterior e ao sistema de câmbio.
Nas primeiras etapas da industrialização foi possível o acesso a companhias americanas que se encontravam numa situação de crise econômica grave. Foram exatamente elas que forneram equipamentos e máquinário para a construção dos primeiros cinco anos da URSS, que efetivaram montagens assim como forneceram trabalhos de comissionamento. Esse fornecimento foi feito no sistema de crédito comercial, o que removia o agudo problema relatado a falta de divisas.
Depois gradativamente a "janela americana de possibilidades" foi se fechando, e nos anos que se seguiram foram as firmas alemãs que estiveram fornecendo maquinário e equipamento. Observe-se que toda a industrialização foi feita absolutamente sem nenhuma convocação de investimentos estrangeiros. Anteriormente o capital estrangeiro tinha estado atual na URSS só nos casos de concessões, as últimas das quais foram terminadas entre 1932-1933. (1)
No decorrer de alguns decênios a economia soviética começou a ter um carácter de poder absoluto: A parte de importação-exportação no total da produção da URSS era de uns poucos porcentos o que fez com que a União Soviética se tornasse imune em relação a sanções econômicas.
Entretanto, nos meados dos anos 70 a independência da URSS quanto a exportação-importação começou a diminuir. Em 1973 o preço do petróleo no mercado internacional deu um salto quádruplo. Junto a isso, e para continuar a desenvolver o potencial industrial do país, a direção soviética seguiu o caminho da menor resistência. Problemas econômicos, sociais e militares começaram a ser resolvidos com a ajuda do dólar recebido pelo petróleo. Assim, nos últimos quinze anos da existência da URSS a efetividade das sanções econômicas do ocidente foi aumentando constantemente. O colápso do preço do petróleo no mercado internacional, em 1986, formalmente nunca levou a sanções econômicas contra a URSS, mas não há dúvidas quanto ao fato de que o colápso do preço não tinha sido natural, mas um resultado do planejamento de Washington, feito com vistas a finalizar suas atividades subversivas contra a economia soviética. Essas foram ações de guerra econômica, que acabaram por obter seus objetivos. Depois de cinco anos a União Soviética tinha parado de existir.
IRÃ E IRAQUE: TRÊS NÍVEIS DE RESISTÊNCIA A SANÇÕES
Entre os países que nos últimos anos resistiram bem as pressões econômicas do ocidente pode se nomear o Iraque e o Irã. Contra o Iraque agiu-se de facto entre 1990-2003 (formalmente - até 2010) [com a declaração da ONU]. Contra o Irã - de 1979 até hoje.
Nos dois países puderam ser identificados três níveis de resistência as sanções.
- A adaptação das atividades de comércio exterior as proibições e limitações.
- Import-substituição na produção doméstica, e diversificação na estrutura das mercadorias de exportação.
- Medidas na esfera da distribuição de bens vitais.
MEDIDAS PARA ADAPTAÇÃO DO COMÉRCIO EXTERIOR AS SANÇÕES
Aqui ressaltam-se as seguintes medidas:
а) Orientação do comércio exterior a países que não façam parte das sanções econômicas ;
b) O uso de compensações econômicas internacionais, e alternativas ao dólar americano e ao euro.
c) Negóciar usando empresas intermediárias registradas em diversos países, agindo abaixo de falsas premissas.
As sanções contra o Iraque tinham sido reconhecidas pela ONU, mas isso não tinha sido o suficiente para erigir um círculo hermético em volta do país. O Iraque entrou em acordos com países vizinhos como a Jordânia, Egito, e a Turquia, através dos quais a exportação do petróleo do Irã, e a importação para ele de um grande número de mercadorias como máquinários, equipamentos, tecnologia militar, alimentos e medicamentos foram possíveis.
Naturalmente queWashington ficou sabendo de tudo isso, mas suas pressões nos países vizinhos não deram resultados. Por dados da CIA, sabe-se que durante os anos de sanções Iraque conseguiu vender petróleo no valor de $75 bilhões de dólares. Além dos canais internacionais para acordos comérciais foi também usado contratos com empresas intermediárias e até pessoas físicas. Entre essas pessoas físicas e jurídicas encontravam-se muitos cidadãos e firmas da China, França e Rússia. Algumas dessas figuras jurídicas apresentaram-se como empresas-dia, as quais poderiam mesmo ter sido criadas só para o cumprimento de um contrato.
O bloqueio que os Estados Unidos durante muitos anos tem tentado organizar contra o Irã apresenta-se ainda hoje como muito furado. Nesse contexto ressalta-se que nem todas as sanções foram sancionadas pela ONU e que foi só no começo de 2010 que Washington conseguiu ligar a União Europeia as suas sanções. Entretanto, depois de dois anos o Irã mudou da sua orientação ao mercado europeu, para mercados de países como a China, Índia, Turquia e Rússia [que sairam ganhando com o negócio].
Uns tantos pequenos países árabes, vizinhos do Irã, foram usados na qualidade de vias de trânsito para mercadorias de e para o Irã. De quando a União Europeia se uniu as sanções de Washington, muitas das suas companhias conseguiram fazer consideráveis investimentos na economia iraniana. Por ex. companhias francesas estabeleceram-se no sector automobilístico, alemãs e inglesas no sector da mineração. Agora essas empresas europeias continuam suas relações amigáveis com o Irã, mas através de países e firmas fazendo o papel de intermediários.
Empresas interessadas poderiam muito bem dirigir equipamentos e maquinários para um endereço fictivo na Turquia, por exemplo, depois disso os equipamentos e maquinários poderiam seguir para Dubai, EAU, e dali ao porto Bender-Abass. Mas há também outras rotas - como por ex., através da África do Sul e Malásia [pelos vistos, em princípio todo o mundo fora dos Estados Unidos e a União Europeia]. Não raramente o esquema de movimento das mercadorias é feita de maneira aberta - a mercadoria pode ir do Irã a Turquia, direta e inequivocamente. A Turquia, embora seja um membro da OTAN, continua também sendo um grande parceiro comercial do Irã, mesmo que possa até ser que na estatística oficial da Turquia seja difícil de se poder identificar o total volume das suas transações com o Irã.
O crucial para países sofrendo sanções seria um cuidado especial com os cálculos básicos de backup de moedas, especialmente em relação ao dólar. Tais cálculos são controlados pelo ocidente, e os cuidados são necessários porque as transações se fazem através de cálculos com outras moedas, ou valores, que corresponderão aos dos bancos americanos e europeus.
Hoje em dia o Irã já quase que totalmente se liberou do dólar nos seus cálculos comerciais, uma vez que uma boa parte do comércio do Irã se faz ao nível de uma direta troca de mercadorias. Entretanto, todas as transações de maior porte se fazem com a ajuda de divisas de países parceiros do Irã. Sendo assim então, primeiramente com o yuan chinês, a rúpia indiana e o sul-coreano won. Usa-se também o rublo russo. O ouro é ainda um outro instrumento que pode entrar nos cálculos.
Depois, tem-se no Irã uma tendência a fortalecer o controle estatal nos sectores monetários e cambiais. Para fortalecer o rial o Banco do Irã adquiriu ouro da Índia e Turquia, assim como divisas estrangeiras através da rede de cambistas no Iraque. Foi também criado no Banco do Irã um centro econômico para uma estabilização cambial-pecuniária.
SUBSTITUIÇÃO DA IMPORTAÇÃO POR PRODUÇÃO DOMÉSTICA
Muito atual para o Iraque e para o Irã ficou sendo a tarefa de substituir a importação de alimentos por produção dos mesmos no próprio país natal. Logo depois das sanções contra o Iraque em 1990, o seu governo tomou a decisão de fortalecer a produção agrícola do pais através de uma completa participação da terra na economia, e no volume dos negócios, assim como também através de um subsídio governamental para a agrícultura, além de uma garantia de compra dos seus produtos por parte do estado. O decreto Nr. 367 do Conselho do Comando Revolucionário do Iraque estabelecia que - toda a terra, que não fosse usada pelo seu proprietário, ou algum representante responsável, determinado pelo proprietário, seria nacionalizada sem compensação.
O Ministério da Agricultura tinha compensado o agricultor até 100 % do custo da terra em 1990. Nisso tinha sido gasto 586 milhões de dinares iraquianos. A agricultura do Iraque foi sendo tranformada de maneira planejada: foram dadas instruções aos agricultores, de maneira detalhada, o que plantar, quando e como;
Instruções não obedecidas poderiam ser punidas. Em outubro de 1992 o estado começou a comprar toda a colheita, sem intermediários. Essa medida ajudou de maneira significante o aumento do volume coletado. De acordo com fontes oficiais iraquianas, em 1989 foram reunidas 1 milhão de toneladas de colheita, e em 1990 2,5 milhões de toneladas. As áreas de terra aráveis aumentaram de 50%.
O Irã também realizou uma política de substituição de importação, mas não só de produção alimentar como também de um grande número de mercadorias do espectro da produção industrial. Em 23 de agosto de 2012 o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei incentivou o governo do país a construir uma "economia de resistência" para resistir as sanções de forma eficaz.
Essa nova denominação significa na prática o continuar no curso da luta econômica, oficialmente reconhecida pelo líder Рахбаром (na escrita russa) em 2011, mas de fato conduzida desde os primeiros dias da existência da República Islâmica do Irã. A luta econômica tem por objetivo dois pontos principais: 1) diminuir a dependência do Irã da exportação do petróleo e estabelecer uma transição para a exportação de produtos de alta redistribuição; 2) diminuir a importação de mercadorias de primeira necessidade, em primeira mão alimentos e medicamentos.
Irã: diversificação da estrutura das mercadorias de exportação e novos parceiros comerciais
No ocidente os partidários do fortalecimento das sanções contra o Irã tentaram demostrar que a economia iraniana de quando abaixo da pressão das sanções tinha sido enfraquecida cada vez mais. Talvez eles tenham se baseado na declaração do Ministério de Energia do Irã, de 2012, de acordo com a qual a receita do país teria diminuido em 40% depois da aderência da União Europeia as sanções de Washington.
Entretanto, essa interpretação do processo que se deu na economia iraniana é uma interpretação um tanto quanto astuta e perversa. O Irã mudou a estrutura dos produtos da sua exportação através de expandir o refinamento das matérias primas e de outros grupos de mercadorias, além do petróleo. Dessa maneira em 2012 (2) a receita de exportação de polietileno e fertilizantes foi de 9 bilhões de dólares, a de massas plásticas de 3,2 bilhões, a de materiais de construção (material rochoso, cemento, e materiais relacionados) - 8,2 bilhões de dólares, e a de produtos agrícolas de 5,3 bilhões de dólares, sendo que a da tapeçaria [os famosos tapetes persas por ex.] somou 0,8 bilhões de dólares.
De acordo com dados da administração alfandegária do Irã, os principais parceiros desse em 2013 para exportação de seus produtos outros do que petróleo (com excepção do gás de condensação ou liquidificado), foram a China, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos, a Índia, o Afeganistão e a Turquia. Todos eles, com a excepção do Afeganistão, mostraram um aumento no volume da compra de mercadorias iranianas. Dessa maneira em 2012 a China comprou do Irã mercadorias (além do petróleo bruto) no valor de 4,8 bilhões de dólares, e em 2013 as compras da China quanto aos produtos iranianos aumentaram ao valor de 7,4 bilhões de dólares.
Quanto aos mais importantes parceiros do Irã, quanto a sua importação para seu consumo doméstico ou outros, esses apresentavam-se da seguinte maneira em 2013: EAU, China, Índia, Coreia do Sul, Turquia, Suiça e Alemanha. A importação vindo de países como a Coreia do Sul, Suiça e Alemanha diminuia um pouco, em relação a 2012.
Nesse contexto muito mais significativa mostrou-se entretanto a importação vindo de outros países. Dos Emirados Árabes Unidos a importação para uso doméstico ou outros do Irã, subia de 9,3 para 10,8 bilhões de dólares. A da China crescia de 7,1 bilhões para 9,6 bilhões de dólares. Ressaltou-se como especialmente significante o aumento da importação dos produtos vindo da Índia, que subia de 1,6 bilhões a 4,3 bilhões de dólares. Sem sombras de dúvidas isso nega o mito da efetividade das sanções contra o Irã.
A parte do Irã no PIB mundial foi de 0,74% em 2013. O prognóstico era de que essa medida deveria ter subido até 0,76 em 2014; até 0,80 em 2015; e de que para 2016 essa medida deveria então subir a 0,85. A parte do Irã no mercado petroquímico mundial era - no início da atual década - de 2,4%; no quinto programa cinquenal de desenvolvimento da República Islâmica do Irã (2011-2015) foi planejado que se levaria esse índice à 4,9%. No mercado petroquímico do Oriente Médio e Próximo a parte do Irã era 23,4%; Para 2020 foi planejado o levar esse índice a 41%.
Em fevereiro de 2014 o governo do Irã tornou público o plano de atividades para o caminho da "resistência econômica". Esse plano significa uma mobilização da economia iraniana, e se constitui de 24 pontos. Um dos principais pontos refere-se ao desenvolvimento de relações amigáveis com países que não participam nas sanções econômicas por parte dos Estados Unidos. Nesse contexto o Irã dá um papel de especial importância ao desenvolvimento de relações amigáveis com a Rússia.
REFERÊNCIAS E NOTAS - III
Prof. Valentin Katasonov, Экономические войны и экономические санкции - Guerra Econômica E Sanções Econômicas (III)
Tradução feita diretamente do original russo - Em Português: PARTE I PARTE II
Em russo: Часть I, часть II -
url do português : http://artigospoliticos.wordpress.com/z-sancoes-economicas
Notas do original:
(1) Подробности проведения индустриализации СССР в условиях экономической блокады читатель может узнать из моей книги: «Экономическая война против России и сталинская индустриализация» (М.: Алгоритм, 2014).
(2) Здесь подразумевается иранский год, который начинается 21 марта и кончается 20 марта по европейскому календарю. В данном случае под 2012 годом имеется в виду период времени с 21 марта 2012 г. по 20 марта 2013 г. европейского календаря. По иранскому календарю это 1391 год.
*Anna Malm - http://artigospoliticos.wordpress.com
26.02.2015
Por Prof. Valentin Katasonov -
Tradução Anna Malm* - Correspondente de Pátria Latina na Europa -
PARTE I - PARTE II ;
Com o longo período do uso das sanções econômicas foi se acumulando no mundo experiência de como organizar e como resistir a essas sanções. Indiscutivelmente a mais rica experiência de resistência a sanções foi acumulada na Rússia, onde quase todas as sanções se deram no período soviético da sua história.
EXPERIÊNCIA SOVIÉTICA DE RESISTÊNCIA A SANÇÕES
No começo da Rússia Soviética os bloqueios navais e comerciais dirigidos contra ela pelos seus ex-aliados (os países do Entente) foram superados através da organização de fluxos comerciais em países neutrais (Pérsia, Turquia, China) e também através de corredores de contrabando (uns dos principais desses sendo através do Báltico e da Escandinávia). Depois da crise econômica ter entrado em erupção, no começo de 1929, a União Soviética começou a jogar com as contradições entre os países ocidentais procurando arranjar um enfraquecimento das sanções, e mesmo uma abolição das mesmas em alguns desses países.
A resolução estratégica dos problemas resultantes das sanções econômicas apresentou-se como a industrialização da União Soviética. Uma das mais importantes tarefas do processo de industrialização em 1925 foi anunciada como uma maximal diminuição da dependência da economia soviética do mercado exterior, através de desenvolver seus próprios meios de produção. No período 1929-1941 foram construidas no país mais de 10 mil empresas, as quais começaram a efectuar a produção dos meios necessários para a produção industrial, de bens de consumo, e de todos os tipos de armamentos, equipamentos e maquinários bélicos.
A economia desse período baseou-se na mobilização, e os seus principais elementos foram: centralização e gestação popular da agricultura, única e total participação do estado na produção, uma planificação diretiva cinquenal (5 anos), coletivização da agricultura, completa erradicação de qualquer tipo de capital (industrial, comercial, monetário), um sistema de crédito governamental, um nivelamento do nível de vida de todas as camadas da população (programas sociais, luta contra meios de sustento não trabalhistas etc.) assim como um monopol estatal quanto ao comércio exterior e ao sistema de câmbio.
Nas primeiras etapas da industrialização foi possível o acesso a companhias americanas que se encontravam numa situação de crise econômica grave. Foram exatamente elas que forneram equipamentos e máquinário para a construção dos primeiros cinco anos da URSS, que efetivaram montagens assim como forneceram trabalhos de comissionamento. Esse fornecimento foi feito no sistema de crédito comercial, o que removia o agudo problema relatado a falta de divisas.
Depois gradativamente a "janela americana de possibilidades" foi se fechando, e nos anos que se seguiram foram as firmas alemãs que estiveram fornecendo maquinário e equipamento. Observe-se que toda a industrialização foi feita absolutamente sem nenhuma convocação de investimentos estrangeiros. Anteriormente o capital estrangeiro tinha estado atual na URSS só nos casos de concessões, as últimas das quais foram terminadas entre 1932-1933. (1)
No decorrer de alguns decênios a economia soviética começou a ter um carácter de poder absoluto: A parte de importação-exportação no total da produção da URSS era de uns poucos porcentos o que fez com que a União Soviética se tornasse imune em relação a sanções econômicas.
Entretanto, nos meados dos anos 70 a independência da URSS quanto a exportação-importação começou a diminuir. Em 1973 o preço do petróleo no mercado internacional deu um salto quádruplo. Junto a isso, e para continuar a desenvolver o potencial industrial do país, a direção soviética seguiu o caminho da menor resistência. Problemas econômicos, sociais e militares começaram a ser resolvidos com a ajuda do dólar recebido pelo petróleo. Assim, nos últimos quinze anos da existência da URSS a efetividade das sanções econômicas do ocidente foi aumentando constantemente. O colápso do preço do petróleo no mercado internacional, em 1986, formalmente nunca levou a sanções econômicas contra a URSS, mas não há dúvidas quanto ao fato de que o colápso do preço não tinha sido natural, mas um resultado do planejamento de Washington, feito com vistas a finalizar suas atividades subversivas contra a economia soviética. Essas foram ações de guerra econômica, que acabaram por obter seus objetivos. Depois de cinco anos a União Soviética tinha parado de existir.
IRÃ E IRAQUE: TRÊS NÍVEIS DE RESISTÊNCIA A SANÇÕES
Entre os países que nos últimos anos resistiram bem as pressões econômicas do ocidente pode se nomear o Iraque e o Irã. Contra o Iraque agiu-se de facto entre 1990-2003 (formalmente - até 2010) [com a declaração da ONU]. Contra o Irã - de 1979 até hoje.
Nos dois países puderam ser identificados três níveis de resistência as sanções.
- A adaptação das atividades de comércio exterior as proibições e limitações.
- Import-substituição na produção doméstica, e diversificação na estrutura das mercadorias de exportação.
- Medidas na esfera da distribuição de bens vitais.
MEDIDAS PARA ADAPTAÇÃO DO COMÉRCIO EXTERIOR AS SANÇÕES
Aqui ressaltam-se as seguintes medidas:
а) Orientação do comércio exterior a países que não façam parte das sanções econômicas ;
b) O uso de compensações econômicas internacionais, e alternativas ao dólar americano e ao euro.
c) Negóciar usando empresas intermediárias registradas em diversos países, agindo abaixo de falsas premissas.
As sanções contra o Iraque tinham sido reconhecidas pela ONU, mas isso não tinha sido o suficiente para erigir um círculo hermético em volta do país. O Iraque entrou em acordos com países vizinhos como a Jordânia, Egito, e a Turquia, através dos quais a exportação do petróleo do Irã, e a importação para ele de um grande número de mercadorias como máquinários, equipamentos, tecnologia militar, alimentos e medicamentos foram possíveis.
Naturalmente queWashington ficou sabendo de tudo isso, mas suas pressões nos países vizinhos não deram resultados. Por dados da CIA, sabe-se que durante os anos de sanções Iraque conseguiu vender petróleo no valor de $75 bilhões de dólares. Além dos canais internacionais para acordos comérciais foi também usado contratos com empresas intermediárias e até pessoas físicas. Entre essas pessoas físicas e jurídicas encontravam-se muitos cidadãos e firmas da China, França e Rússia. Algumas dessas figuras jurídicas apresentaram-se como empresas-dia, as quais poderiam mesmo ter sido criadas só para o cumprimento de um contrato.
O bloqueio que os Estados Unidos durante muitos anos tem tentado organizar contra o Irã apresenta-se ainda hoje como muito furado. Nesse contexto ressalta-se que nem todas as sanções foram sancionadas pela ONU e que foi só no começo de 2010 que Washington conseguiu ligar a União Europeia as suas sanções. Entretanto, depois de dois anos o Irã mudou da sua orientação ao mercado europeu, para mercados de países como a China, Índia, Turquia e Rússia [que sairam ganhando com o negócio].
Uns tantos pequenos países árabes, vizinhos do Irã, foram usados na qualidade de vias de trânsito para mercadorias de e para o Irã. De quando a União Europeia se uniu as sanções de Washington, muitas das suas companhias conseguiram fazer consideráveis investimentos na economia iraniana. Por ex. companhias francesas estabeleceram-se no sector automobilístico, alemãs e inglesas no sector da mineração. Agora essas empresas europeias continuam suas relações amigáveis com o Irã, mas através de países e firmas fazendo o papel de intermediários.
Empresas interessadas poderiam muito bem dirigir equipamentos e maquinários para um endereço fictivo na Turquia, por exemplo, depois disso os equipamentos e maquinários poderiam seguir para Dubai, EAU, e dali ao porto Bender-Abass. Mas há também outras rotas - como por ex., através da África do Sul e Malásia [pelos vistos, em princípio todo o mundo fora dos Estados Unidos e a União Europeia]. Não raramente o esquema de movimento das mercadorias é feita de maneira aberta - a mercadoria pode ir do Irã a Turquia, direta e inequivocamente. A Turquia, embora seja um membro da OTAN, continua também sendo um grande parceiro comercial do Irã, mesmo que possa até ser que na estatística oficial da Turquia seja difícil de se poder identificar o total volume das suas transações com o Irã.
O crucial para países sofrendo sanções seria um cuidado especial com os cálculos básicos de backup de moedas, especialmente em relação ao dólar. Tais cálculos são controlados pelo ocidente, e os cuidados são necessários porque as transações se fazem através de cálculos com outras moedas, ou valores, que corresponderão aos dos bancos americanos e europeus.
Hoje em dia o Irã já quase que totalmente se liberou do dólar nos seus cálculos comerciais, uma vez que uma boa parte do comércio do Irã se faz ao nível de uma direta troca de mercadorias. Entretanto, todas as transações de maior porte se fazem com a ajuda de divisas de países parceiros do Irã. Sendo assim então, primeiramente com o yuan chinês, a rúpia indiana e o sul-coreano won. Usa-se também o rublo russo. O ouro é ainda um outro instrumento que pode entrar nos cálculos.
Depois, tem-se no Irã uma tendência a fortalecer o controle estatal nos sectores monetários e cambiais. Para fortalecer o rial o Banco do Irã adquiriu ouro da Índia e Turquia, assim como divisas estrangeiras através da rede de cambistas no Iraque. Foi também criado no Banco do Irã um centro econômico para uma estabilização cambial-pecuniária.
SUBSTITUIÇÃO DA IMPORTAÇÃO POR PRODUÇÃO DOMÉSTICA
Muito atual para o Iraque e para o Irã ficou sendo a tarefa de substituir a importação de alimentos por produção dos mesmos no próprio país natal. Logo depois das sanções contra o Iraque em 1990, o seu governo tomou a decisão de fortalecer a produção agrícola do pais através de uma completa participação da terra na economia, e no volume dos negócios, assim como também através de um subsídio governamental para a agrícultura, além de uma garantia de compra dos seus produtos por parte do estado. O decreto Nr. 367 do Conselho do Comando Revolucionário do Iraque estabelecia que - toda a terra, que não fosse usada pelo seu proprietário, ou algum representante responsável, determinado pelo proprietário, seria nacionalizada sem compensação.
O Ministério da Agricultura tinha compensado o agricultor até 100 % do custo da terra em 1990. Nisso tinha sido gasto 586 milhões de dinares iraquianos. A agricultura do Iraque foi sendo tranformada de maneira planejada: foram dadas instruções aos agricultores, de maneira detalhada, o que plantar, quando e como;
Instruções não obedecidas poderiam ser punidas. Em outubro de 1992 o estado começou a comprar toda a colheita, sem intermediários. Essa medida ajudou de maneira significante o aumento do volume coletado. De acordo com fontes oficiais iraquianas, em 1989 foram reunidas 1 milhão de toneladas de colheita, e em 1990 2,5 milhões de toneladas. As áreas de terra aráveis aumentaram de 50%.
O Irã também realizou uma política de substituição de importação, mas não só de produção alimentar como também de um grande número de mercadorias do espectro da produção industrial. Em 23 de agosto de 2012 o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei incentivou o governo do país a construir uma "economia de resistência" para resistir as sanções de forma eficaz.
Essa nova denominação significa na prática o continuar no curso da luta econômica, oficialmente reconhecida pelo líder Рахбаром (na escrita russa) em 2011, mas de fato conduzida desde os primeiros dias da existência da República Islâmica do Irã. A luta econômica tem por objetivo dois pontos principais: 1) diminuir a dependência do Irã da exportação do petróleo e estabelecer uma transição para a exportação de produtos de alta redistribuição; 2) diminuir a importação de mercadorias de primeira necessidade, em primeira mão alimentos e medicamentos.
Irã: diversificação da estrutura das mercadorias de exportação e novos parceiros comerciais
No ocidente os partidários do fortalecimento das sanções contra o Irã tentaram demostrar que a economia iraniana de quando abaixo da pressão das sanções tinha sido enfraquecida cada vez mais. Talvez eles tenham se baseado na declaração do Ministério de Energia do Irã, de 2012, de acordo com a qual a receita do país teria diminuido em 40% depois da aderência da União Europeia as sanções de Washington.
Entretanto, essa interpretação do processo que se deu na economia iraniana é uma interpretação um tanto quanto astuta e perversa. O Irã mudou a estrutura dos produtos da sua exportação através de expandir o refinamento das matérias primas e de outros grupos de mercadorias, além do petróleo. Dessa maneira em 2012 (2) a receita de exportação de polietileno e fertilizantes foi de 9 bilhões de dólares, a de massas plásticas de 3,2 bilhões, a de materiais de construção (material rochoso, cemento, e materiais relacionados) - 8,2 bilhões de dólares, e a de produtos agrícolas de 5,3 bilhões de dólares, sendo que a da tapeçaria [os famosos tapetes persas por ex.] somou 0,8 bilhões de dólares.
De acordo com dados da administração alfandegária do Irã, os principais parceiros desse em 2013 para exportação de seus produtos outros do que petróleo (com excepção do gás de condensação ou liquidificado), foram a China, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos, a Índia, o Afeganistão e a Turquia. Todos eles, com a excepção do Afeganistão, mostraram um aumento no volume da compra de mercadorias iranianas. Dessa maneira em 2012 a China comprou do Irã mercadorias (além do petróleo bruto) no valor de 4,8 bilhões de dólares, e em 2013 as compras da China quanto aos produtos iranianos aumentaram ao valor de 7,4 bilhões de dólares.
Quanto aos mais importantes parceiros do Irã, quanto a sua importação para seu consumo doméstico ou outros, esses apresentavam-se da seguinte maneira em 2013: EAU, China, Índia, Coreia do Sul, Turquia, Suiça e Alemanha. A importação vindo de países como a Coreia do Sul, Suiça e Alemanha diminuia um pouco, em relação a 2012.
Nesse contexto muito mais significativa mostrou-se entretanto a importação vindo de outros países. Dos Emirados Árabes Unidos a importação para uso doméstico ou outros do Irã, subia de 9,3 para 10,8 bilhões de dólares. A da China crescia de 7,1 bilhões para 9,6 bilhões de dólares. Ressaltou-se como especialmente significante o aumento da importação dos produtos vindo da Índia, que subia de 1,6 bilhões a 4,3 bilhões de dólares. Sem sombras de dúvidas isso nega o mito da efetividade das sanções contra o Irã.
A parte do Irã no PIB mundial foi de 0,74% em 2013. O prognóstico era de que essa medida deveria ter subido até 0,76 em 2014; até 0,80 em 2015; e de que para 2016 essa medida deveria então subir a 0,85. A parte do Irã no mercado petroquímico mundial era - no início da atual década - de 2,4%; no quinto programa cinquenal de desenvolvimento da República Islâmica do Irã (2011-2015) foi planejado que se levaria esse índice à 4,9%. No mercado petroquímico do Oriente Médio e Próximo a parte do Irã era 23,4%; Para 2020 foi planejado o levar esse índice a 41%.
Em fevereiro de 2014 o governo do Irã tornou público o plano de atividades para o caminho da "resistência econômica". Esse plano significa uma mobilização da economia iraniana, e se constitui de 24 pontos. Um dos principais pontos refere-se ao desenvolvimento de relações amigáveis com países que não participam nas sanções econômicas por parte dos Estados Unidos. Nesse contexto o Irã dá um papel de especial importância ao desenvolvimento de relações amigáveis com a Rússia.
REFERÊNCIAS E NOTAS - III
Prof. Valentin Katasonov, Экономические войны и экономические санкции - Guerra Econômica E Sanções Econômicas (III)
Tradução feita diretamente do original russo - Em Português: PARTE I PARTE II
Em russo: Часть I, часть II -
url do português : http://artigospoliticos.wordpress.com/z-sancoes-economicas
Notas do original:
(1) Подробности проведения индустриализации СССР в условиях экономической блокады читатель может узнать из моей книги: «Экономическая война против России и сталинская индустриализация» (М.: Алгоритм, 2014).
(2) Здесь подразумевается иранский год, который начинается 21 марта и кончается 20 марта по европейскому календарю. В данном случае под 2012 годом имеется в виду период времени с 21 марта 2012 г. по 20 марта 2013 г. европейского календаря. По иранскому календарю это 1391 год.
*Anna Malm - http://artigospoliticos.wordpress.com
No Brasil, só 32% da população confiam no Judiciário e 33% na Polícia
No Brasil, só 32% da população confiam no Judiciário e 33% na Polícia
19.02.2015
BRASILIA/BRASIL - No Brasil, a desconfiança da população diante das instituições públicas do País faz com que 81% dos brasileiros concordem com a afirmação de que é "fácil" desobedecer as leis. O mesmo porcentual de pessoas também tem a percepção de que, sempre que possível, as pessoas escolhem "dar um jeitinho" no lugar de seguir as leis.
Por ANTONIO CARLOS LACERDA
PRAVDA.RU
Os dados são de uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e revelam ainda que 32% da população confia no Poder Judiciário. Já a confiança na polícia fica um ponto porcentual acima, com 33%. Apesar de baixos, esses índices já foram menores - 29% e 31% respectivamente - em pesquisa anterior.
O levantamento mostra ainda que a ruptura entre os cidadãos e as instituições públicas ligadas à Justiça leva 57% da população a acreditar que "há poucos motivos para seguir as leis do Brasil", segundo o levantamento. Isso está relacionado à desconfiança que as pessoas têm no comprimento das leis.
O Índice de Confiança na Justiça Brasileira (ICJBrasil) está em sua 8ª edição. Ele faz parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A pesquisa ouviu 7,1 mil pessoas em oito Estados, de abril de 2013 a março de 2014. Elas foram convidadas a assinalar desde "discordo muito" a "concordo muito" nas afirmações propostas.
Os moradores do Distrito Federal, por exemplo, foram os que mais disseram acreditar na saída do "jeitinho" como regra nas relações. No total, 84% dos brasilienses disseram concordar ou concordar muito com a afirmação. Quem menos acredita no desrespeito às regras são os baianos, mas ainda assim, a porcentagem é alta: 71% deles responderam que concordavam com a percepção de que todos dão "um jeitinho", sempre.
A pesquisa também fez um corte por renda. E, quanto maior o rendimento da pessoa, mais alta é a sensação de que as leis não são cumpridas. De acordo com o estudo, 69% dos entrevistados que ganham até um salário mínimo concordaram que o "jeitinho" é a regra, porcentual que cresce para 86% na população que ganha mais de oito salários mínimos.
Já sobre a polícia, a renda não influencia a má avaliação. Entre as pessoas que ganham até um salário mínimo, 52% concordam que "a maioria dos policiais é honesta". Para quem ganha oito salários ou mais, o porcentual é de 50%.
No entanto, nem Justiça nem polícia são bem avaliadas. Se a polícia faz algo muito errado, isso reflete rapidamente na população, na confiança que se tem da polícia. No Judiciário, como as coisas são muito mais demoradas, esse erro demora mais, não tem reflexo imediato na confiança.
A impunidade faz com que as pessoas também passem a desafiar as leis. Se não tem punição para dar exemplo e fiscalização a sensação para quem faz algo errado é de que nada vai acontecer.
ANTONIO CARLOS LACERDA
19.02.2015
BRASILIA/BRASIL - No Brasil, a desconfiança da população diante das instituições públicas do País faz com que 81% dos brasileiros concordem com a afirmação de que é "fácil" desobedecer as leis. O mesmo porcentual de pessoas também tem a percepção de que, sempre que possível, as pessoas escolhem "dar um jeitinho" no lugar de seguir as leis.
Por ANTONIO CARLOS LACERDA
PRAVDA.RU
Os dados são de uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e revelam ainda que 32% da população confia no Poder Judiciário. Já a confiança na polícia fica um ponto porcentual acima, com 33%. Apesar de baixos, esses índices já foram menores - 29% e 31% respectivamente - em pesquisa anterior.
O levantamento mostra ainda que a ruptura entre os cidadãos e as instituições públicas ligadas à Justiça leva 57% da população a acreditar que "há poucos motivos para seguir as leis do Brasil", segundo o levantamento. Isso está relacionado à desconfiança que as pessoas têm no comprimento das leis.
O Índice de Confiança na Justiça Brasileira (ICJBrasil) está em sua 8ª edição. Ele faz parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A pesquisa ouviu 7,1 mil pessoas em oito Estados, de abril de 2013 a março de 2014. Elas foram convidadas a assinalar desde "discordo muito" a "concordo muito" nas afirmações propostas.
Os moradores do Distrito Federal, por exemplo, foram os que mais disseram acreditar na saída do "jeitinho" como regra nas relações. No total, 84% dos brasilienses disseram concordar ou concordar muito com a afirmação. Quem menos acredita no desrespeito às regras são os baianos, mas ainda assim, a porcentagem é alta: 71% deles responderam que concordavam com a percepção de que todos dão "um jeitinho", sempre.
A pesquisa também fez um corte por renda. E, quanto maior o rendimento da pessoa, mais alta é a sensação de que as leis não são cumpridas. De acordo com o estudo, 69% dos entrevistados que ganham até um salário mínimo concordaram que o "jeitinho" é a regra, porcentual que cresce para 86% na população que ganha mais de oito salários mínimos.
Já sobre a polícia, a renda não influencia a má avaliação. Entre as pessoas que ganham até um salário mínimo, 52% concordam que "a maioria dos policiais é honesta". Para quem ganha oito salários ou mais, o porcentual é de 50%.
No entanto, nem Justiça nem polícia são bem avaliadas. Se a polícia faz algo muito errado, isso reflete rapidamente na população, na confiança que se tem da polícia. No Judiciário, como as coisas são muito mais demoradas, esse erro demora mais, não tem reflexo imediato na confiança.
A impunidade faz com que as pessoas também passem a desafiar as leis. Se não tem punição para dar exemplo e fiscalização a sensação para quem faz algo errado é de que nada vai acontecer.
ANTONIO CARLOS LACERDA
terça-feira, 3 de março de 2015
REPORTAGEM-BOMBA DE 'VEJA' REVELA A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE LULA:
sexta-feira, fevereiro 13, 2015
REPORTAGEM-BOMBA DE 'VEJA' REVELA A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE LULA: UMA OPERAÇÃO ABAFA PARA IMPEDIR QUE O PETROLÃO FAÇA O PT EVAPORAR DO PODER PARA SEMPRE.
O que será, que será? Que andam suspirando pelas alcovas; O que será que estão combinando no breu das tocas?
Embora a capa da revista Veja faça uma brincadeira com os leitores estimulando-os a abrir a revista só depois do carnaval e aproveitar o feriadão para desplugar da parafernália eletrônica que nos mantém plugados 24 horas do dia, o certo é que o miolo da revista está irresistível.
A reportagem-bomba de Veja desta semana revela uma reunião dos petistas de alto coturno com representantes dos empreiteiros grandalhões ocorrida nesta semana. O objetivo do encontro foi garantir aos mega empresários que na verdade mantiveram os petralhas no poder até explodir o petrolão, que passadas os festejos de Momo, Lula sairá da toca para comandar uma "operação-abafa", cujo objetivo é esfarelar a Operação Lava Jato, impedindo que os empreiteiros entreguem o próprio Lula e a 'Presidenta'. Ninguém desconhece o fato de que os grandalhões envolvidos no petrolão estão prontos para explodir e não há Revotril que os apascente. Estão presos e humilhados. E, ao que parece, gostariam muito de falar com o demiurgo de Garanhuns, vulgo 'Barba'.
É nesse ambiente nervoso, quando cresce o movimento popular pelo impeachment da Dilma, que se realizou a tal reunião cujo desfecho foi a notícia de que Lula sairá da toca para transformar o petrolão em piada de salão. Será?
Por tudo isso, este modesto escriba continuará ligado full-time. Afinal, longe dos ruidosos folguedos carnavalescos figuras de cenhos franzidos estarão procurando de todas as formas fazer sumir do horizonte político as nuvens carregadas do petrolão.
Nesta madrugada o site de Veja ofereceu um resumo da reportagem-bomba que chegará às bancas nesta sexta-feira que transcrevo para vocês. Leiam:
A MORTE DO 'DEUS' PETRALHA
Desde a morte do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos no ano passado, o PT perdeu seu grande estrategista em momentos de crise. Chamado carinhosamente de “God” (Deus, em inglês) pelos amigos, o onipresente MTB foi convocado para coordenar a defesa das empreiteiras tão logo deflagrada a Operação Lava-Jato. Ele tinha uma meta clara: livrar seus clientes de penas pesadas na Justiça e, de quebra, o governo petista da acusação de patrocinar um novo esquema de corrupção para remunerar sua base aliada no Congresso.
Negociador nato, Thomaz Bastos se dedicava a convencer o Ministério Público Federal de que a roubalheira na Petrobras não passava de um cartel entre empresas -- e que, como tal, deveria ser punido e superado com o pagamento de uma multa bilionária. Nada além disso. A morte tirou o criminalista cerebral da mesa de negociação. MTB deixou um vácuo. O governo perdeu sua ponte preferencial com as empreiteiras, o diálogo entre as partes foi interrompido, e as ameaças passaram a dominar as conversas reservadas. Foi nesse clima de ebulição que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, assumiu o papel de bombeiro. Ex-deputado pelo PT e candidato há anos a uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cardozo se lançou numa ofensiva para acalmar as construtoras acusadas de envolvimento no petrolão, que, conforme VEJA revelou, ameaçam implicar a presidente Dilma Rousseff e o antecessor Lula no caso se não forem socorridas. Há duas semanas, o ministro recebeu em seu gabinete, em Brasília, o advogado Sérgio Renault, defensor da UTC, que estava acompanhado do ex-deputado petista Sigmaringa Seixas.
O relato da conversa percorreu os gabinetes de Brasília e os escritórios de advocacia como um sopro de esperança para políticos e empresários acusados de se beneficiar do dinheiro desviado da Petrobras.
UMA ARAPUCA PARA A OPOSIÇÃO
Não sem razão. Na reunião, que não constou da agenda oficial, Cardozo disse a Renault que a Operação Lava-Jato mudaria de rumo radicalmente, aliviando as agruras dos suspeitos de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. O ministro afirmou ainda que as investigações do caso envolveriam nomes de oposicionistas, o que, segundo a tradição da política nacional, facilitaria a costura de um acordo para que todos se safem. Depois disso, Cardozo fez algumas considerações sobre os próximos passos e, concluindo, desaconselhou a UTC a fechar um acordo de delação premiada. Era tudo o que os outros convivas queriam ouvir. Para defender a UTC, segundo documentos apreendidos pela polícia, o escritório de Renault receberá 2 milhões de reais. Além disso, se conseguir anular as provas e as delações premiadas que complicam a vida de seu cliente, amealharia mais 1,5 milhão de reais. Renault esgrime a tese de que a Lava-jato está apinhada de irregularidades, como a coação de investigados. No encontro, Cardozo disse o mesmo ao advogado, ecoando uma análise jurídica repetida como mantra pelos líderes petistas.
LULA E AS CINZAS
Depois da reunião no ministério, representantes de UTC e Camargo Corrêa recuaram nas conversas com o Ministério Público para um acordo de delação premiada. A OAS manteve-se distante da mesa de negociação. “Na quarta-feira (um dia depois do encontro em Brasília), fomos orientados a suspender as conversas com os procuradores”, confidencia um dos advogados do caso. Cardozo não operou esse milagre sozinho. “Chegou o recado de que o Lula entrará para valer no caso e assumirá a linha de frente. Isso aumentou a esperança de que o governo não deixe as empresas na mão”, diz outro advogado de uma empreiteira.
Procurados por VEJA, Cardozo, Renault e Sigmaringa tropeçaram nas próprias contradições ao tentar esclarecer a reunião no Ministério da Justiça, classificada por eles como um mero bate-papo entre amigos sobre assuntos banais. Cardozo disse inicialmente que não se reuniu com Renault. Depois, admitiu o encontro. A primeira reação de Sigmaringa também foi negar a audiência com Renault no gabinete do ministro, para, em seguida, recuar. Os amigos compartilham, como se vê, do mesmo problema de memória. Na versão de Cardozo, a reunião teria sido obra do acaso. Sigmaringa, um “amigo de longa data”, teria ido visitá-lo. Renault, que estava em Brasília e tinha um almoço marcado com o ex-deputado, decidiu se encontrar com Sigmaringa também no ministério. Pimba! Por uma conjunção cósmica, o advogado da UTC, empresa investigada pela Polícia Federal, acabou no gabinete de José Eduardo Cardozo.
Conforme os estimados leitores podem constatar não há clima de jeito nenhum para as brincadeiras de carnaval, haja vista que o circo está de fato pegando fogo. Não dá para ficar de bobeira. Sugiro que passem cedo na banca mais próxima e apanhem o exemplar de Veja e se preparem para a quarta-feira de cinzas!
REPORTAGEM-BOMBA DE 'VEJA' REVELA A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE LULA: UMA OPERAÇÃO ABAFA PARA IMPEDIR QUE O PETROLÃO FAÇA O PT EVAPORAR DO PODER PARA SEMPRE.
O que será, que será? Que andam suspirando pelas alcovas; O que será que estão combinando no breu das tocas?
Embora a capa da revista Veja faça uma brincadeira com os leitores estimulando-os a abrir a revista só depois do carnaval e aproveitar o feriadão para desplugar da parafernália eletrônica que nos mantém plugados 24 horas do dia, o certo é que o miolo da revista está irresistível.
A reportagem-bomba de Veja desta semana revela uma reunião dos petistas de alto coturno com representantes dos empreiteiros grandalhões ocorrida nesta semana. O objetivo do encontro foi garantir aos mega empresários que na verdade mantiveram os petralhas no poder até explodir o petrolão, que passadas os festejos de Momo, Lula sairá da toca para comandar uma "operação-abafa", cujo objetivo é esfarelar a Operação Lava Jato, impedindo que os empreiteiros entreguem o próprio Lula e a 'Presidenta'. Ninguém desconhece o fato de que os grandalhões envolvidos no petrolão estão prontos para explodir e não há Revotril que os apascente. Estão presos e humilhados. E, ao que parece, gostariam muito de falar com o demiurgo de Garanhuns, vulgo 'Barba'.
É nesse ambiente nervoso, quando cresce o movimento popular pelo impeachment da Dilma, que se realizou a tal reunião cujo desfecho foi a notícia de que Lula sairá da toca para transformar o petrolão em piada de salão. Será?
Por tudo isso, este modesto escriba continuará ligado full-time. Afinal, longe dos ruidosos folguedos carnavalescos figuras de cenhos franzidos estarão procurando de todas as formas fazer sumir do horizonte político as nuvens carregadas do petrolão.
Nesta madrugada o site de Veja ofereceu um resumo da reportagem-bomba que chegará às bancas nesta sexta-feira que transcrevo para vocês. Leiam:
A MORTE DO 'DEUS' PETRALHA
Desde a morte do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos no ano passado, o PT perdeu seu grande estrategista em momentos de crise. Chamado carinhosamente de “God” (Deus, em inglês) pelos amigos, o onipresente MTB foi convocado para coordenar a defesa das empreiteiras tão logo deflagrada a Operação Lava-Jato. Ele tinha uma meta clara: livrar seus clientes de penas pesadas na Justiça e, de quebra, o governo petista da acusação de patrocinar um novo esquema de corrupção para remunerar sua base aliada no Congresso.
Negociador nato, Thomaz Bastos se dedicava a convencer o Ministério Público Federal de que a roubalheira na Petrobras não passava de um cartel entre empresas -- e que, como tal, deveria ser punido e superado com o pagamento de uma multa bilionária. Nada além disso. A morte tirou o criminalista cerebral da mesa de negociação. MTB deixou um vácuo. O governo perdeu sua ponte preferencial com as empreiteiras, o diálogo entre as partes foi interrompido, e as ameaças passaram a dominar as conversas reservadas. Foi nesse clima de ebulição que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, assumiu o papel de bombeiro. Ex-deputado pelo PT e candidato há anos a uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cardozo se lançou numa ofensiva para acalmar as construtoras acusadas de envolvimento no petrolão, que, conforme VEJA revelou, ameaçam implicar a presidente Dilma Rousseff e o antecessor Lula no caso se não forem socorridas. Há duas semanas, o ministro recebeu em seu gabinete, em Brasília, o advogado Sérgio Renault, defensor da UTC, que estava acompanhado do ex-deputado petista Sigmaringa Seixas.
O relato da conversa percorreu os gabinetes de Brasília e os escritórios de advocacia como um sopro de esperança para políticos e empresários acusados de se beneficiar do dinheiro desviado da Petrobras.
UMA ARAPUCA PARA A OPOSIÇÃO
Não sem razão. Na reunião, que não constou da agenda oficial, Cardozo disse a Renault que a Operação Lava-Jato mudaria de rumo radicalmente, aliviando as agruras dos suspeitos de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. O ministro afirmou ainda que as investigações do caso envolveriam nomes de oposicionistas, o que, segundo a tradição da política nacional, facilitaria a costura de um acordo para que todos se safem. Depois disso, Cardozo fez algumas considerações sobre os próximos passos e, concluindo, desaconselhou a UTC a fechar um acordo de delação premiada. Era tudo o que os outros convivas queriam ouvir. Para defender a UTC, segundo documentos apreendidos pela polícia, o escritório de Renault receberá 2 milhões de reais. Além disso, se conseguir anular as provas e as delações premiadas que complicam a vida de seu cliente, amealharia mais 1,5 milhão de reais. Renault esgrime a tese de que a Lava-jato está apinhada de irregularidades, como a coação de investigados. No encontro, Cardozo disse o mesmo ao advogado, ecoando uma análise jurídica repetida como mantra pelos líderes petistas.
LULA E AS CINZAS
Depois da reunião no ministério, representantes de UTC e Camargo Corrêa recuaram nas conversas com o Ministério Público para um acordo de delação premiada. A OAS manteve-se distante da mesa de negociação. “Na quarta-feira (um dia depois do encontro em Brasília), fomos orientados a suspender as conversas com os procuradores”, confidencia um dos advogados do caso. Cardozo não operou esse milagre sozinho. “Chegou o recado de que o Lula entrará para valer no caso e assumirá a linha de frente. Isso aumentou a esperança de que o governo não deixe as empresas na mão”, diz outro advogado de uma empreiteira.
Procurados por VEJA, Cardozo, Renault e Sigmaringa tropeçaram nas próprias contradições ao tentar esclarecer a reunião no Ministério da Justiça, classificada por eles como um mero bate-papo entre amigos sobre assuntos banais. Cardozo disse inicialmente que não se reuniu com Renault. Depois, admitiu o encontro. A primeira reação de Sigmaringa também foi negar a audiência com Renault no gabinete do ministro, para, em seguida, recuar. Os amigos compartilham, como se vê, do mesmo problema de memória. Na versão de Cardozo, a reunião teria sido obra do acaso. Sigmaringa, um “amigo de longa data”, teria ido visitá-lo. Renault, que estava em Brasília e tinha um almoço marcado com o ex-deputado, decidiu se encontrar com Sigmaringa também no ministério. Pimba! Por uma conjunção cósmica, o advogado da UTC, empresa investigada pela Polícia Federal, acabou no gabinete de José Eduardo Cardozo.
Conforme os estimados leitores podem constatar não há clima de jeito nenhum para as brincadeiras de carnaval, haja vista que o circo está de fato pegando fogo. Não dá para ficar de bobeira. Sugiro que passem cedo na banca mais próxima e apanhem o exemplar de Veja e se preparem para a quarta-feira de cinzas!
Lava Jato: lista agita Congresso Nacional
Lava Jato: lista agita Congresso Nacional
Procurador-geral da República entrega ao STF, nesta terça-feira, nomes que serão investigados
Elza Fiúza/Agência Brasil
Janot entrega lista ao STF nesta terça-feira
Elza Fiúza/Agência Brasi
Da Redação com Jornal da Band noticias@band.com.br
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entrega nesta terça-feira (2) ao STF (Supremo
Tribunal Federal) pedidos de investigação contra mais de 30 políticos, mas os parlamentares suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato, só serão avisados depois que a documentação chegar ao tribunal.
Por enquanto, o Ministério Público apenas solicita a abertura de inquérito, com base em suspeitas fortes - só quando a investigação confirmar as suspeitas o Ministério Público denunciará os políticos.
O objeto da curiosidade da maioria dos políticos, no entanto, não deve ser conhecido oficialmente nesta terça, embora o Ministério Público tenha pedido que a lista com os nomes e acusações seja aberta, não tenha nenhum tipo de sigilo.|
O ministro responsável pelo caso, Teori Zavascki, deu sinais de que não tem pressa para decidir sobre a abertura da lista e, mesmo que aceite a investigação sem sigilo, ele não deve abrir as informações das delações premiadas que trazem os detalhes de quanto cada político recebeu e como foram os pagamentos.
A presidente Dilma Rousseff já mandou dizer que não está preocupada, porque o tema não diz respeito ao governo. Já na CPI (Comissão de Inquérito Parlamentar) que investigará o escândalo na Petrobras, o PT vai para o ataque e vai insistir para investigar também a época em que a oposição mandava na empresa.
Os tucanos, por sua vez, garantem que não temem uma apuração durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. A oposição amanheceu a segunda-feira (2) no Congresso para garantir a votação dos primeiros pedidos de convocação: o PSDB quer ouvir, logo de cara, José Dirceu, o tesoureiro petista João Vaccari, e os empreiteiros presos.
Para tentar se reaproximar do PMDB, que comanda o Senado, a Câmara e a CP I, a presidente Dilma se reuniu com o partido, para dizer que os peemedebistas fazem parte do governo, ou seja: qualquer problema na imagem dela vai respingar neles.
Apesar disso, em um sinal do clima ruim com o Planalto, Renan Calheiros decidiu não comparecer, alegando que, como o presidente do Congresso, deve colocar a instituição acima das questões partidárias com o governo.
Procurador-geral da República entrega ao STF, nesta terça-feira, nomes que serão investigados
Elza Fiúza/Agência Brasil
Janot entrega lista ao STF nesta terça-feira
Elza Fiúza/Agência Brasi
Da Redação com Jornal da Band noticias@band.com.br
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entrega nesta terça-feira (2) ao STF (Supremo
Tribunal Federal) pedidos de investigação contra mais de 30 políticos, mas os parlamentares suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato, só serão avisados depois que a documentação chegar ao tribunal.
Por enquanto, o Ministério Público apenas solicita a abertura de inquérito, com base em suspeitas fortes - só quando a investigação confirmar as suspeitas o Ministério Público denunciará os políticos.
O objeto da curiosidade da maioria dos políticos, no entanto, não deve ser conhecido oficialmente nesta terça, embora o Ministério Público tenha pedido que a lista com os nomes e acusações seja aberta, não tenha nenhum tipo de sigilo.|
O ministro responsável pelo caso, Teori Zavascki, deu sinais de que não tem pressa para decidir sobre a abertura da lista e, mesmo que aceite a investigação sem sigilo, ele não deve abrir as informações das delações premiadas que trazem os detalhes de quanto cada político recebeu e como foram os pagamentos.
A presidente Dilma Rousseff já mandou dizer que não está preocupada, porque o tema não diz respeito ao governo. Já na CPI (Comissão de Inquérito Parlamentar) que investigará o escândalo na Petrobras, o PT vai para o ataque e vai insistir para investigar também a época em que a oposição mandava na empresa.
Os tucanos, por sua vez, garantem que não temem uma apuração durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. A oposição amanheceu a segunda-feira (2) no Congresso para garantir a votação dos primeiros pedidos de convocação: o PSDB quer ouvir, logo de cara, José Dirceu, o tesoureiro petista João Vaccari, e os empreiteiros presos.
Para tentar se reaproximar do PMDB, que comanda o Senado, a Câmara e a CP I, a presidente Dilma se reuniu com o partido, para dizer que os peemedebistas fazem parte do governo, ou seja: qualquer problema na imagem dela vai respingar neles.
Apesar disso, em um sinal do clima ruim com o Planalto, Renan Calheiros decidiu não comparecer, alegando que, como o presidente do Congresso, deve colocar a instituição acima das questões partidárias com o governo.
Blog do Lobbo em, Ave Maria!
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Meu filho! termina o dia...
A primeira estrela brilha...
Procura a tua cartilha,
E reza a Ave Maria!
O gado volta aos currais...
O sino canta na igreja...
Pede a Deus que te proteja
E que dê vida a teus pais!
Ave Maria!... Ajoelhado,
Pede a Deus que, generoso,
Te faça justo e bondoso,
Filho bom, e homem honrado;
Que teus pais conserve aqui
Para que possas, um dia,
Pagar-lhes em alegria
O que sofreram por ti.
Reza, e procura o teu leito,
Para adormecer contente;
Dormirás tranqüilamente,
Se disseres satisfeito:
“Hoje, pratiquei o bem:
Não tive um dia vazio,
Trabalhei, não fui vadio,
E não fiz mal a ninguém.”
A primeira estrela brilha...
Procura a tua cartilha,
E reza a Ave Maria!
O gado volta aos currais...
O sino canta na igreja...
Pede a Deus que te proteja
E que dê vida a teus pais!
Ave Maria!... Ajoelhado,
Pede a Deus que, generoso,
Te faça justo e bondoso,
Filho bom, e homem honrado;
Que teus pais conserve aqui
Para que possas, um dia,
Pagar-lhes em alegria
O que sofreram por ti.
Reza, e procura o teu leito,
Para adormecer contente;
Dormirás tranqüilamente,
Se disseres satisfeito:
“Hoje, pratiquei o bem:
Não tive um dia vazio,
Trabalhei, não fui vadio,
E não fiz mal a ninguém.”
Por Olavo Bilac
segunda-feira, 2 de março de 2015
BRASIL, ESTA É NOSSA ÚLTIMA ESPERANÇA
BRASIL, ESTA É NOSSA ÚLTIMA ESPERANÇA
Brasileiros, ouçam o que este General está dizendo, pode ser nossa última esperança!
Por, Blog do Lobbo
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