sábado, 7 de dezembro de 2013

Educação: mais uma vergonha

Educação: mais uma vergonha

Estiveram presentes alunos das redes públicas e particulares

Desde 2.000 a cada três anos a OECD –União Européia, realiza uma avaliação de estudantes de seus países-membros e de outros continentes. Em 2012 foi realizada pela quinta vez o PISA , sigla em inglês que significa avaliação de desempenho de alunos com 15 anos e que geralmente estão no início do ensino médio.

Os resultados que vieram a público há poucos dias representam a avaliação de mais de 500 mil alunos de 65 países, que representam em torno de 80% do PIB mundial, inclusive o Brasil. Estiveram presentes alunos das redes públicas e particulares, em diferentes níveis de gestão e regiões, de ambos os sexos e diferentes níveis sócioeconômicos. O PISA é uma verdadeira radiografia da qualidade da educação nas áreas de ciências, leitura e matemática e, em parte, serve para que os respectivos governos possam identificar as deficiências de seus sistemas educacionais e buscarem uma educação de qualidade.

O Brasil, como vem acontecendo há algumas décadas, está sempre no “rabo” da fila, uma vergonha para um país cujos governantes tanto se ufanam de suas ações e jamais se preocupam em perceber como nosso país se encontra em relação ao resto do mundo.

Nesta última avaliação do PISA, o Brasil ficou na 58ª posição em matemática, que foi a área de enfoque principal e 53ª em leitura e ciências. Apenas 7 países dos que participaram da avaliação obtiveram resultados piores do que o Brasil, enquanto 57 estão `a nossa frente. Apesar disso somos a oitava economia do planeta e o 72a país com maior nível de corrupção e um dos primeiros em violência e mortes no trânsito e homicídios.

Brasil e China lançam novo satélite de sensoriamento remoto

Brasil e China lançam novo satélite de sensoriamento remoto

AGêNCIA BRASIL 07/12/2013 18h30
 
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Brasileiros e chineses colocam em órbita na segunda-feira (9) o quarto satélite de sensoriamento remoto produzido pelos dois países. À 1h26, horário de Brasília, será lançado o satélite que vai mapear e registrar os territórios e atividades agrícolas, desmatamento, mudanças na vegetação e expansão urbana.
O projeto faz parte do Programa Sino-Brasileiro de Satélites de Recursos Terrestres (Cbers, na sigla em inglês) e será lançado após três anos de ausência nesse nível de monitoramento, devido à desativação do anterior e a atrasos na nova operação.
Integrado ao foguete Longa Marcha 4B, o Cbers-3 vai viajar durante apenas 12 minutos e atingir 780 quilômetros de altitude, quando iniciará a etapa de estabilização e de entrada em órbita. Após ser posicionado e ter seus equipamentos acionados, o satélite passará por uma fase de checagem dos equipamentos e da qualidade das imagens, para, três meses depois, serem disponibilizadas ao público.
O Cbers-3, construído pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, retoma a transmissão de imagens enviadas anteriormente pelo Cbers-2B, que deixou de funcionar em 2010. Antes, o Cbers-1 e o Cbers-2 tinham sido enviados por Brasil e China em 1999 e 2003, respectivamente.
Para o Coordenador do Segmento de Aplicações do Programa Cbers, José Carlos Neves Epiphânio, mesmo com a interrupção do monitoramento feito pelos satélites Cbers, o Inpe manteve acordos com outros países para que os dados sobre o Brasil continuassem sendo usados. O órgão mantém um catálogo de imagens feitas por diversos satélites e disponíveis gratuitamente na internet, no endereço http://www.dgi.inpe.br/CDSR/.
O investimento brasileiro na construção do Cbers 3 chegou a R$ 300 milhões, entre as despesas do instituto, da contratação de empresas especializadas e da compra de equipamentos. De acordo com o coordenador, os efeitos da disponibilização das imagens a pesquisadores, instituições de ensino e cidadãos comuns conseguem superar o valor gasto. “Se há um programa caro neste país que se pagou é o CBERS, porque o benefício social é uma coisa espantosa.”
Segundo Epiphânio, que é pós-doutor em sensoriamento remoto, a construção do Cbers-3 foi dividida igualmente entre os dois países. Nos modelos anteriores, a China era responsável pela produção de 70% do satélite. Uma vez assinado o acordo, é definido o país que vai fabricar cada componente, como painel solar, controle térmico, sistema de gravação, além das câmeras que, acopladas ao satélite, produzem as imagens usadas em estudos ecológicos, industriais, geológicos e agrícolas.
“O legal do CBERS-3 é que ele vai ter um kit de câmeras bastante versátil. As câmeras foram totalmente remodeladas e, com isso, as fotos serão mais detalhadas. Será possível notar, por exemplo, a composição colorida dos objetos”, explica. Segundo Epiphânio, duas das quatro câmeras do satélite foram produzidas no Brasil.
Ele explica que o projeto para o Cbers-3 foi feito de acordo com o Cbers-4, que deve ser lançado daqui a dois anos. Como a responsabilidade é compartilhada, caberá aos brasileiros a organização do lançamento, sendo ou não no território brasileiro. A expectativa, segundo ele, é grande. Os engenheiros brasileiros estão confiantes porque foram feitos todos os testes, e o histórico do lançador de foguetes é satisfatório.
Os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação, Antonio Raupp, e das Comunicações, Paulo Bernardo, acompanharão o lançamento em Taiyuan, província chinesa de Shanxi. No mês passado, o assunto foi discutido pelo vice-presidente, Michel Temer, quando chefiou a delegação brasileira na reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban).

Líderes mundiais viajarão à África do Sul para homenagear Mandela

Líderes mundiais viajarão à África do Sul para homenagear Mandela

Presidente Dilma viajará à África do Sul na próxima semana.
Nelson Mandela será enterrado no dia 15 de dezembro.

Da France Presse
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A África do Sul começou neste sábado (9) os preparativos para receber o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e outros líderes de todo o mundo que farão uma última homenagem aNelson Mandela nos dez dias de luto pela morte do ícone da luta contra o apartheid.
Mandela, o fundador da África do Sul moderna e o primeiro chefe de Estado negro do país, faleceu na noite de quinta-feira aos 95 anos, cercado de amigos e familiares.
Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, viajará à África do Sul na próxima semana, anunciou a Casa Branca, somando-se a inúmeros líderes de todo o mundo que participarão de uma grande cerimônia em sua memória no dia 10 de dezembro.
O período de luto durará dez dias, anunciou na sexta-feira o presidente sul-africano, Jacob Zuma.
Os restos mortais de Mandela serão expostos no Union Building, a sede da presidência sul-africana em Pretória, entre 11 e 13 de dezembro para que seus compatriotas possam dar a ele um último adeus. Depois será realizado um funeral de Estado no dia 15 de dezembro em seu povoado natal de Qunu.
Os restos mortais de Mandela serão levados em procissão por Pretória na quarta, quinta e sexta-feira, informou neste sábado uma fonte oficial.
Nas últimas horas foram colocados em andamento preparativos logísticos de grande envergadura para receber as personalidades de todo o mundo, que viajarão à África do Sul para homenagear este estadista universalmente respeitado.
As cerimônias começarão no domingo, quando os sul-africanos serão convidados a se dirigir a igrejas, mesquitas, sinagogas e a outros edifícios religiosos.
Obama e sua esposa Michelle viajarão à África do Sul junto com o ex-presidente George W. Bush e sua esposa Laura.
Bill Clinton, que ocupava o cargo de presidente dos Estados Unidos quando Mandela se converteu no primeiro presidente negro da África do Sul, anunciou que viajará acompanhado de sua família.
Pouco depois do anúncio da morte de Mandela, Obama declarou que ele era um homem profundamente bom que "pegou a História nas mãos e curvou o arco do universo moral na direção da justiça".
A presidente Dilma Rousseff também viajará à África do Sul na próxima semana, anunciou seu gabinete.
"Um presente incrível de Deus"
Na sexta-feira, milhares de pessoas de todo o país saíram às ruas para dançar, cantar e lembrar a vida de seu amado ex-líder, conhecido afetuosamente como Madiba, o nome de seu clã.
O arcebispo emérito sul-africano Desmond Tutu, que, assim como Mandela, recebeu um Nobel da Paz, declarou que este ícone da luta contra a segregação racial foi "um presente incrível de Deus".
Enquanto lutava para conter as lágrimas, Tutu afirmou que seu velho amigo foi "um unificador desde o momento em que saiu da prisão".
Mandela passou 27 anos na prisão durante o apartheid. Após o final do regime segregacionista da minoria branca, se converteu em presidente em 1994 e conseguiu unificar seu país com uma mensagem de reconciliação.
Dividiu o Prêmio Nobel da Paz com o último presidente branco do país, F. W. de Klerk, em 1993.
Palestinos e israelenses, a China e o Dalai Lama, Estados Unidos e Teerã, entre muitos outros, enviaram à África do Sul mensagens emotivas de homenagem a Mandela, descrevendo-o como uma das principais figuras do século XX que inspirou jovens e velhos com sua luta pela igualdade.
Nos Estados Unidos, na França e na Grã-Bretanha, assim como no quartel-general das Nações Unidas em Nova York e em muitos outros países, as bandeiras foram colocadas a meio mastro.
O Empire State Building, em Nova York, e a Torre Eiffel de Paris foram iluminados com as cores da bandeira sul-africana.
A Índia declarou cinco dias de luto por um homem que seu primeiro-ministro Manmohan Singh classificou de "verdadeiro discípulo de Gandhi".
Já a ministra das Relações Exteriores sul-africana, Maite Nkoana-Mashabane, afirmou que a melhor forma de lembrar Nelson Mandela é libertar o continente africano da pobreza, da violência e das doenças.

OMC chega a acordo para facilitar fluxo mundial de bens

OMC chega a acordo para facilitar fluxo mundial de bens

Os 159 membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) chegaram a um acordo para impulsionar o comércio mundial neste sábado, pela primeira vez em quase duas décadas. Com isso, o acordo mantém viva a possibilidade de que um pacto mais amplo para criar condições de concorrência igualitárias poderá ser alcançado no futuro.
O acordo poderá acrescentar bilhões de dólares para a economia global ao facilitar o fluxo de bens em alfândegas, algo conhecido como "facilitação do comércio". O acordo foi firmado em Bali, depois de quatro dias de reunião, e ainda precisa de aprovação formal na OMC, que deverá acontecer em meados de 2015.
Há dois anos, os membros da OMC concordaram em desistir do ambicioso objetivo de eliminar ou reduzir as tarifas sobre uma série de bens e serviços. Em vez disso, a OMC passou a se focar em metas mais realizáveis, incluindo um esforço para simplificar os procedimentos de alfândega, uma peça central do acordo deste sábado.
Durante as negociações desta semana, o pacto parecia fora de alcance, com objeções de vários países. No final, um acordo de última hora foi alcançado nas primeiras horas do fim de semana, o que permitiu que altos funcionários presentes na reunião clamassem vitória.
"Nós colocamos o mundo de volta para a Organização Mundial do Comércio", disse Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC. Segundo a autoridade, a OMC deve passar o próximo ano desenvolvendo uma nova abordagem para avançar com as negociações de Doha. "Nós vamos tomar a agenda de Doha como um todo."
Segundo a Câmara de Comércio dos EUA; a "OMC estabeleceu novamente a sua credibilidade como um fórum indispensável para as negociações comerciais. E isso não é uma vitória apenas no papel: facilitar a passagem de mercadorias através das fronteiras" e reduzir a burocracia poderá impulsionar a economia mundial". Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.

Obama aproxima-se do ponto de não retorno

Obama aproxima-se do ponto de não retorno

por Melkulangara Bhadrakumar [*]
Materiais capturados pelo Exército Sírio aos bandos terroristas. As observações do presidente Vladimir Putin sobre a crise síria, durante uma visita a Vladivostok no fim de semana, foram as primeiras feitas desde que a crise começou a agigantar-se com os movimentos dos Estados Unidos para lançar um ataque militar contra aquele país do Médio Oriente.
O que é gritante na transcrição do Kremlin é que Putin falou muito mais extensivamente do que o noticiado pelos media. Além disso ele falou sobre virtualmente todos os aspectos daquela situação explosiva.
O momento escolhido foi igualmente muito importante, pois resta menos de uma semana para o grande evento internacional da cimeira do G20 que está programado para quinta-feira em S. Petesburgo, reunindo os líderes de topo do mundo, inclusive o presidente Barack Obama, em torno da mesa de conferência.
Certamente Putin hoje ergue-se acima de outros homens de estado do mundo ao tomar uma posição baseada altamente em princípios, dado o envolvimento da Rússia na Síria. A vantagem da Rússia é seu profundo conhecimento da Síria e do Médio Oriente e é um facto bem conhecido que ela continua a desempenhar um grande papel para remendar a conferência Genebra 2 apesar de todas as fortes adversidades...
A grande questão é em que medida Obama foi influenciado pelas observações de Putin ao adiar até 9 de Setembro a sua decisão de lançar um "ataque limitado" contra a Síria, pois é ao que equivale o seu pedido de endosso ao Congresso.
Muito depende desta grande questão, porque, prima facie, a decisão de Obama de adiar o ataque torna difícil para ele lançá-lo antes de o Congresso dos EUA se reunir em 9 de Setembro. Nessa altura, já terá havido a cimeira G20 onde se espera que a crise síria venha à discussão. Obama sentirá na G20 o isolamento dos EUA em relação à opinião pública mundial, a qual abomina o recurso à força na Síria. E Putin revelou que pretende levantar a questão síria com o presidente dos EUA.
Por outro lado, é virtualmente certo que o Congresso dos EUA endossará a decisão de Obama de atacar a Síria. Na realidade, a decisão de adiar o ataque por dez dias ou pouco mais dará a Obama mais tempo para arregimentar a opinião pública europeia. Isto já está a acontecer.
A valsa diplomática sobre a Síria parece-se cada vez mais como uma valsa lenta (cross-step waltz). O mais recente é a forte possibilidade, informada hoje pelo LATimes citando responsáveis superiores em Londres, de a Câmara dos Comuns britânica optar por uma segunda votação quanto à participação na "ação limitada" do presidente Barack Obama contra a Síria. Os principais jornais britânicos também agarraram a história.
Na verdade, é possível um consenso entre o primeiro-ministro David Cameron e o líder da oposição Ed Miliband. Assim como Cameron perdeu a face na votação de quinta-feira, também Miliband enfrenta críticas dentro do seu partido – e de aliados ocidentais da Grã-Bretanha – por precipitar uma divergência EUA-Reino Unido sobre uma questão chave, enquanto a Grã-Bretanha como um todo torna-se uma potência muito diminuída por ser implicada na situação de um cisma com os EUA sobre um grande projeto internacional de imensas consequências.
É útil recordar que Miliband também foi favorável à ação militar contra o regime sírio e seu argumento era que deveria haver um "mapa da estrada" a ser seguido. Agora, e se Cameron estiver aberto àquela sugestão? Claramente, os dançarinos estão a viajar juntos lado a lado, como em passeios ou vinhedos. Isto é uma coisa.
Putin alegou que toda a crise é uma farsa ("provocação") "daqueles que querem arrastar outros países para o conflito sírio e que querem o apoio de membros poderosos da comunidade internacional, especialmente os Estados Unidos". Ele deixou implícito que uma cabala de estados regionais teria tentado arrastar os EUA para a intervenção direta na Síria, o que até então a administração Obama recusou-se a fazê-lo, muito para seu desgosto. Putin também duvidou da veracidade da afirmação estado-unidense – e pôs em causa a intenção por trás dela – de que Washington está na posse de "prova" quanto à culpabilidade do regime sírio. Ele desafiou a administração Obama a apresentar a "prova" ao invés de usar o álibi de que é informação classificada. Putin enfatizou que falta aos EUA uma "base para tomar uma decisão fundamental" de atacar a Síria.
Washington sabe que estes pontos são impecáveis e difíceis de contestar e a administração Obama, portanto, continuará a dançar em torno destas questões perturbadoras colocadas por Putin. O secretário de Estado John Kerry fez precisamente isso na sua mais recente entrevista à CNN, no sábado: "Eles [a Rússia] escolheram, eu literalmente digo "escolheram", não acreditar nisso [a culpabilidade do regime sírio] ou pelo menos reconhecê-lo publicamente. Se o presidente russo escolhe ainda mais uma vez ignorar, essa é a sua escolha".
Putin disse que via o G20 como "uma boa plataforma" para discutir a crise síria, embora não seja uma "autoridade formal" ou uma "plataforma substituta" do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ele estava ansioso por discutir a Síria com Obama "num formato expandido" no G20 da próxima semana. Certamente, a esperança de Putin é trabalhar sobre a pedra nos rins de Obama e desviá-la da trilha militar e, esperançosamente, rumo à ressurreição do processo de Genebra 2. É um lance ambicioso e se alguém hoje pode encená-lo hoje no palco mundial, esse alguém só pode ser Putin.
Contudo, será que Obama morderá isso? Aqui, é importante analisar clinicamente as motivações americanas. Neste fim-de-semana houve açodamento ao julgar que a decisão de Obama de adiar o ataque até o Congresso deliberar significa que está a "retroceder". Bem, ele não está. Ao contrário, tudo o que está a fazer ao levar o assunto ao Congresso é ganhar tempo para organizar os aliados europeus, além de fazer um movimento inteligente para cobrir seus flancos na política interna americana.
Quanto ao último ponto, o editor da BBC para a América do Norte, Mark Mardell, avalia corretamente: "Alguns dirão que isto mostra que Obama está fraco. Ao invés disso, mostra que as cartas na sua mão são fracas... Tomar ação que é impopular, com uma coligação internacional incerta e relutância interna, não é uma posição forte para estar. Mas é sensível assegurar que a responsabilidade pela ação impopular é partilhada com outros políticos, como sabiam os assassinos de César. Também é astuto por razões internas adoçar um Congresso muito azedo. Alguns podem mesmo argumentar que numa democracia é a coisa certa a fazer".

O fim dos chefões
Hoje na realidade há o perigo crescente de que a "ação limitada" possa bem vir a assumir uma dimensão muito maior com uma vasta intervenção militar um tanto como o "mapa da estrada" que Miliband havia proposto – especialmente se o parlamento francês também se alinhar na quarta-feira, o que é altamente provável, dado o facto de que tanto os socialistas como os verdes que têm maioria no parlamento apoiam ação contra a Síria, com a esquerda intelectual francesa [NR] proporcionando o estímulo necessário junto à opinião pública.
Em suma, um plano inclinado encontra-se pela frente e podíamos mesmo estar a rumar para uma intervenção ocidental na Síria como a do Kosovo. De fato, isso parece cada vez mais ser o único caminho para Obama poder encontrar uma saída da armadilha da "linha vermelha" que ele arrogantemente estabeleceu para si mesmo na questão das armas químicas – a menos que alguma fórmula de compromisso, tal como a "comunidade internacional" encarregar-se dos stocks de armas químicas da Síria, surja no próximo G20 de quinta-feira.
A questão é que, se a "ação limitada" dos EUA for desafiada militarmente pela Síria e/ou Irão e Hezbolá, isso podia do dia para a noite transmutar-se numa "acção ilimitada", pois os EUA teriam de responder com força muito superior. (Curiosamente, os EUA continuam a aumentar sua armada naval no Leste do Mediterrâneo.) Tudo começou como uma "ação limitada" de ataques aéreos sobre a Jugoslávia em 24 de Março de 1999, mas quando a assim chamada Operação Bigorna Nobre acabou onze semanas depois, em 10 de Junho de 1999, uma missão da ONU atacou o Kosovo.
O que precisa ser decomposto do ângulo geopolítico é que Obama não pode sequer pensar que tem qualquer outra opção além de atuar sobre a Síria. Ou do contrário, os dias dos EUA como chefão estão acabados no Médio Oriente – os laços com a Arábia Saudita ficarão sob tensão sem precedente; a segurança de Israel será seriamente afetada; o Irã inexoravelmente ganhará vantagem tanto como potência regional como no caso de impasse; e os EUA terão de negociar com Teerã a partir de uma posição de fraqueza. De modo geral, a falha em atuar na Síria já dará uma bofetada letal na posição dos EUA no Médio Oriente da qual será difícil recuperar, e isso por sua vez transformará a maré da Primavera Árabe e disparará uma série de convulsões a jusante numa variedade de frentes tais como o futuro do Egito, o Iraque, o Líbano, o problema da Palestina, a presença militar americana na região e assim por diante. Um período perigoso depara-se pela frente.
02/Setembro/2013
[NR] A classificação de "esquerda" dada aos que apoiam servilmente as agressões militares do imperialismo é do autor. Resistir.info não endossa tudo o que publica.

Do mesmo autor:
Syria: The Iron In Obama’s Soul , 04/Setembro/2013

[*] Ex-embaixador da Índia.
O original encontra-se em www.strategic-culture.org/news/2013/09/02/obama-nearing-point-of-no-
return.html
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Israel condena acordo nuclear com Irã: "um erro histórico"

Israel condena acordo nuclear com Irã: "um erro histórico"

Outros líderes mundiais, no entanto, enaltecem "grande avanço" nos diálogos sobre enriquecimento de urânio
Opera Mundi
Ilustração: Carlos Latuff 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expressou neste domingo (24/11) de forma enérgica que rejeita o acordo alcançado pelo Grupo 5+1 em suas negociações com o Irã, classificando a decisão como "um erro histórico". "O que se estipulou em Genebra não é um acordo histórico mas um erro histórico (...). Hoje o mundo se transformou em um lugar muito mais perigoso", disse o premiê.
Além disso, Netanyahu considerou que os resultados do acordo significam que "o regime mais perigoso do mundo deu um passo significativo para conseguir a arma mais perigosa do mundo". De acordo com a Agência Efe, Israel não foi surpreendido pelo acordo alcançado nesta madrugada, mas frustrado pelo Irã não ser obrigado a desmantelar suas instalações para o enriquecimento de urânio e a que possa seguir mantendo em seu território o material enriquecido até 5%.

Brasil, Índia e África do Sul debatem ações conjuntas nas áreas tributárias e aduaneiras

Brasil, Índia e África do Sul debatem ações conjuntas nas áreas tributárias e aduaneiras

Cristina Indio do Brasil
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - Técnicos da Receita Federal do Brasil, da Índia e da África do Sul (Ibas) começaram nesta segunda (4) a reunião de dois dias, no Hotel Windsor Atlântica, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, para preparar o encontro dos secretários da Receita desses países, que vai debater, de quarta-feira (6) até sexta-feira (8), a cooperação em ações na áreas tributária e aduaneira.

Os três países formam o grupo Ibas e já desenvolvem programas conjuntos. “O grupo tem diversas ações, sobretudo na troca de informações entre as administrações tributárias e no aperfeiçoamento das legislações como a questão de preço de transferência”, disse o secretário da Receita Federal do Brasil, Carlos Alberto Freitas Barreto, em entrevista à Agência Brasil.
O coordenador-geral de Relações Internacionais da Receita Federal, Flávio Araújo, explicou que a legislação que trata de preço de transferência impede que as empresas façam operações tributárias com outros países com fixação de preços inferiores para burlar o fisco. “São situações que as leis dos países permitem à administração tributária usar um método para calcular o preço justo da negociação”, disse.
Araújo explicou que a questão ganhou dimensão com a crise econômica mundial e provocou uma discussão maior entre as administrações tributárias para evitar a perda de receita. “ Elas identificaram que existia um conjunto de debilidades no sistema tributário internacional que permitia às grandes corporações não pagar a sua parte justa de imposto. Então surgiu o projeto Beps, que é a sigla em inglês para Erosão da Base Tributária e Transferência de Lucros”, esclareceu, completando que, com a Índia e a África do Sul, o Brasil foi convidado para compor o grupo que conduz o trabalho do Beps feito com o Comitê de Assuntos Fiscais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Os temas dos debates do encontro no Rio de Janeiro incluem ainda tributação internacional, análise de risco, técnicas de investigação, conectividade aduaneira, capacitação e barreiras não tarifárias. As reuniões dos administradores tributários são anuais e a última feita no Brasil foi em 2010, em Salvador (BA).
Ainda na reunião, segundo o coordenador, será discutido o entendimento entre as administrações tributárias do Brasil e dos Estados Unidos para uma ação conjunta de intercâmbio automático que permita identificar as contas bancárias de um mesmo cliente nos dois países. O secretário acredita que as operações possam entrar em vigor ainda este ano.
Este tipo de trabalho poderá ser ampliada se entrar em vigor uma legislação multilateral com a participação de um número maior de países que já começou a ser discutida, mas não deve ficar pronta antes de 2015, segundo o secretário. De acordo com  o coordenador-geral de Relações Internacionais da Receita Federal, os Estados Unidos lançaram a lei que permite a troca de informações bancárias e os outros países do mundo acharam que seria interessante saber o quanto os seus contribuintes têm em bancos no exterior. “Se fizer um acordo global de troca de informações de ativos financeiros no exterior, a administração tributária pode atacar a questão de evasão tributária internacional de uma maneira mais efetiva”, disse.
O encontro no Rio de Janeiro terá também a participação de representantes da Rússia, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da Organização Mundial de Aduanas (OMA) e do Centro Interamericano de Administrações Tributárias (CIAT).
O secretário informou ainda que as conclusões do encontro serão levadas para a reunião de presidentes dos países integrantes do Brics (grupo que reúne as economias emergentes do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul), prevista para março de 2014 em Fortaleza, no Ceará.