sábado, 3 de agosto de 2013

Começa a cerimônia de posse do novo presidente iraniano

Começa a cerimônia de posse do novo presidente iranianoHassan Rohani foi eleito no primeiro turno da eleição presidencial com 51% dos votos

Publicação: 03/08/2013 10:20 Atualização:

Teerã - A cerimônia de posse de Hassan Rohani como sétimo presidente iraniano começou neste sábado (3/8) às 17h locais (9h30 de Brasília) na presença do guia supremo, aiatolá Ali Khamenei, e das autoridades do país, segundo imagens ao vivo da televisão estatal.

Eleito no dia 14 de junho no primeiro turno da eleição presidencial com 51% dos votos, Hassan Rohani, um religioso moderado, sucede Mahmud Ahmadinejad, que ficou oito anos na presidência marcados por diversas tensões com o Ocidente, principalmente relacionadas ao polêmico projeto nuclear de Teerã.

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Hassan Rohani defende "uma relação construtiva com o mundo" e "mais transparência" no programa nuclear iraniano para provar sua natureza pacífica e obter a suspensão progressiva das sanções internacionais.

Parlamentares do partido de Berlusconi renunciam em protesto

Parlamentares do partido de Berlusconi renunciam em protestoSilvio Berlusconi se reuniu com os parlamentares de seu partido nesta sexta-feira (2/8) em Roma e recebeu aplausos

Publicação: 02/08/2013 15:32 Atualização:

ROMA - Parlamentares do Povo da Liberdade (PDL), partido de Silvio Berlusconi, apresentaram sua renúncia em sinal de protesto contra a condenação pela justiça do Cavaliere a uma pena de prisão, indicou a imprensa italiana.

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Silvio Berlusconi se reuniu com os parlamentares de seu partido nesta sexta-feira (2/8) em Roma. Ele recebeu aplausos e afirmou, segundo participantes: "Não podemos fugir do dever de uma verdadeira reforma da justiça, e por este objetivo estamos prontos para as eleições".

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Acordo entre China e UE sobre painéis solares entra em vigor na terça-feira

Acordo entre China e UE sobre painéis solares entra em vigor na terça-feiraA decisão se traduz em dois atos legais, que serão publicados no sábado no Diário Oficial da União Europeia (UE) e entrarão em vigor na próxima terça-feira (6/8)

Publicação: 02/08/2013 16:33 Atualização: 02/08/2013 17:00

A Comissão Europeia deu seu aval, nesta sexta-feira (2/8), para o acordo amigável alcançado com Pequim sobre as importações de painéis solares chineses, o que permitirá sua entrada em vigor na terça-feira da próxima semana.

A decisão foi adotada com o apoio "quase unânime" dos Estados membros, informou a Comissão em um comunicado. Ela se traduz em dois atos legais, que serão publicados no sábado no Diário Oficial da União Europeia (UE) e entrarão em vigor na próxima terça-feira (6/8).

O acordo alcançado no sábado pelo comissário europeu encarregado do Comércio, Karel De Gucht, e as autoridades chinesas prevê que as tarifas alfandegárias provisórias impostas no começo de junho aos fabricantes chineses de painéis solares desapareçam na terça.

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Entre os exportadores chineses, 70% se comprometeram a respeitar um preço mínimo.

Os números do acordo são confidenciais, mas fontes ligadas às negociações asseguraram que o preço mínimo será de 56 centavos de euro por cada watt que o painel for capaz de produzir. Também se aplicará aos fabricantes chineses um teto de 7 gigawatts (1 gigawatt = 1 bilhão de watts).

Um terço dos fabricantes chineses não aceitou este acordo e por isso, a partir da semana que vem, terão que pagar uma compensação antidumping de 47,6% e competir com os produtores europeus, japoneses, sul-coreanos e malaios.

Os Estados membros da UE se pronunciarão sobre as medidas adotadas para defender a indústria solar europeia.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

'Coragem', pediria rainha a britânicos assolados por guerra nuclear

'Coragem', pediria rainha a britânicos assolados por guerra nuclearO discurso fictício foi tornado público nesta quinta-feira (1/8)

Publicação: 01/08/2013 18:24 Atualização:

LONDRES - A rainha britânica Elizabeth II pediria a seu "corajoso país" que se mantivesse firme em meio à guerra nuclear, em um discurso fictício mantido até agora em sigilo, preparado para ela em 1983 no âmbito de um exercício de guerra.

Segundo o documento, tornado público nesta quinta-feira, com a Grã-Bretanha à beira da aniquilação nuclear pelas mãos da União Soviética, a rainha diria a seus compatriotas que os perigos eram "de longe maiores do que em qualquer outro momento da nossa longa história".

Ela também pediria ao povo britânico que se lembrasse das qualidades que lhe permitiram manter viva a liberdade nas duas guerras mundiais anteriores.

"Enquanto lutamos juntos para combater o novo mal, vamos rezar por nosso país e pelos homens de boa vontade, onde quer que estejam", diz o texto. "Que Deus abençoe a todos", prossegue.

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Felizmente, a rainha nunca precisou fazer este discurso e acredita-se que ela nunca mais tenha visto o texto, esboçado por funcionários do governo no auge da Guerra Fria, como parte de um exercício desenvolvido para enfrentar uma ação em potencial caso um conflito nuclear se tornasse realidade.

Detalhes do exercício WINTEX-CIMEX 83 estavam na última fila de documentos oficiais a ser divulgados pelo Arquivo Nacional britânico.

Embora fosse apenas uma simulação, o texto do discurso - supostamente transmitido ao meio-dia de 4 de março de 1983, evoca os temores da época, enquanto a monarca buscava preparar o país para a provação inimaginável que teria à sua frente.

O texto contém referências ao seu "amado filho Andrew", que na época servia como piloto de helicóptero da Marinha Real, e à fala de seu pai, George VI, na eclosão da II Guerra Mundial - um discurso dramatizado recentemente no filme "O Discurso do Rei".

"Agora esta loucura da guerra se espalha mais uma vez pelo mundo e nosso bravo país precisa se preparar novamente para sobreviver a todas as adversidades", diz.

"Eu nunca esqueci a tristeza e o orgulho que senti, enquanto eu e minha irmã ouvíamos as palavras inspiradoras do meu pai naquele fatídico dia de 1939. Nem por um momento eu imaginei que esta tarefa solene e terrível algum dia recairia sobre mim", prossegue.

"Mas, quaisquer que sejam os horrores que nos esperam, todas as qualidades que nos ajudaram a manter nossa liberdade intacta duas vezes ao longo deste triste século vão, mais uma vez, ser a nossa força", continua.

No exercício, as forças do bloco Laranja, representando a União Soviética e seus aliados do Pacto de Varsóvia, lançam um ataque com armas químicas contra a Grã-Bretanha.

As forças Azuis, representando a Otan, retaliam com um ataque nuclear, forçando o grupo Laranja a pedir a paz.

Os servidores civis que participaram do exercício chegaram a produzir falsas primeiras páginas de jornais, revelaram os documentos. A versão imaginária do tabloide The Sun trazia uma página em branco e só na página dois dizia "Guerra - a palavra que não queríamos imprimir".

Asilo temporário da Rússia a Snowden põe governo Obama na corda bamba

Asilo temporário da Rússia a Snowden põe governo Obama na corda bambaJustiça americana acusou o ex-consultor de inteligência de espionagem pelo vazamento das operações de vigilância de telecomunicações realizadas pela NSA

Publicação: 01/08/2013 18:20 Atualização:

WASHINGTON - O asilo temporário de um ano concedido pela Rússia ao ex-consultor de inteligência Edward Snowden deixa o governo Barack Obama na corda bamba, no momento em que se tenta impedir o Congresso de limitar a vigilância das comunicações eletrônicas.

Apesar das advertências de Washington, a Rússia finalmente deu asilo temporário a Snowden, que nesta quinta-feira (1/8) deixou o aeroporto internacional de Moscou - onde estava há mais de um mês - e foi transferido para um "lugar seguro" que será mantido em sigilo.

A Justiça americana acusou o ex-consultor de inteligência, de 30 anos, de espionagem pelo vazamento das operações de vigilância de telecomunicações realizadas pela Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês).

A Casa Branca se disse "extremamente decepcionada" com a decisão da Rússia, no mais recente atrito entre os dois países que deteriorou ainda mais as relações entre os dois ex-inimigos da Guerra Fria.

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O congressista democrata Robert Menendez, que presidente a poderosa Comissão de Relações Exteriores no Senado, avaliou que a decisão de Moscou representa "um golpe para as relações entre russos e americanos". Ele reiterou a posição de Washington, que defende que "a Rússia deve expulsar Snowden para que seja julgado" nos Estados Unidos.

A reação do influente senador John McCain foi ainda mais severa: o asilo a Snowden é "uma bofetada em todos os americanos", denunciou, pedindo a Obama que avalie sua relação com o presidente russo, Vladimir Putin.

Para Steven Pifer, especialista nas relações EUA-Rússia na Brookings Institution, o asilo concedido ao ex-consultor de inteligência não é "uma boa notícia".

Enquanto Snowden estava no aeroporto, "ainda havia a possibilidade de ver os russos expulsá-lo para um terceiro país, o que, na minha opinião, teria sido a melhor solução", afirmou Pifer, ex-embaixador na Ucrânia.

Especulando sobre as represálias que podem ser aplicadas pelos Estados Unidos, Pifer disse esperar uma reação cautelosa, já que "Putin demonstrou que reage muito mal às ameaças".

Depois da concessão do asilo, a Casa Branca afirmou nesta quinta-feira que está avaliando a utilidade de realizar a cúpula entre Putin e Obama, no início de setembro, em Moscou, como prévia para a reunião do G-20 em São Petesburgo.

-- Disputa diplomática, crise política --

"Por causa de Snowden e da repressão política (...), se Obama participar da cúpula bilateral com Putin, será criticado" nos Estados Unidos, previu Pifer. "A verdadeira questão é saber se Putin está disposto a tornar essa cúpula frutífera para que os resultados justifiquem o preço político que o presidente pagará" em casa.

Em meio à disputa diplomática pelo asilo dado a Snowden pela Rússia, o governo ainda tem de enfrentar uma crise política interna com os questionamentos no Congresso pelo programa de vigilância das telecomunicações.

Em 24 de julho, a Câmara de Representantes rejeitou em uma apertada votação uma emenda que teria cortado o financiamento do programa. O texto uniu congressistas democratas e republicanos.

Na tentativa de aliviar a pressão e em nome da "transparência", a Direção de Inteligência Nacional (DNI) "desclassificou" na quarta-feira documentos sigilosos sobre as operações de vigilância. Em uma de suas raras declarações sobre o assunto, Obama pediu que seja encontrado um "equilíbrio" entre a transparência e a segurança nacional.

Além disso, como sinal de seu envolvimento, o presidente americano deve se reunir nesta quinta-feira com "representantes do Congresso de ambos os partidos para discutir temas cruciais" de inteligência.

"O presidente acha que é importante ouvir o que o Congresso tem a dizer, incluindo (os representantes) que criticam esses programas", disse uma fonte da Casa Branca, que pediu para não ser identificada.

Os membros do governo Obama "tentam encontrar uma forma de proteger os programas que continuam sendo importantes, na sua opinião, para a segurança nacional", acrescentou Pifer.

Para ele, muitas perguntas terão de ser respondidas, "se (o governo) quiser que o Congresso continue apoiando esses programas".

Evo Morales explica a verdadeira dívida externa

Evo Morales explica a verdadeira dívida externa

02.08.2013
 
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Com linguagem simples, que era transmitida em tradução simultânea a mais de uma centena de Chefes de Estado e dignitários da Comunidade Européia, o Presidente Evo Morales conseguiu inquietar sua audiência quando disse:
Aqui eu, Evo Morales, vim encontrar aqueles que participam da reunião.
Aqui eu, descendente dos que povoaram a América há quarenta mil anos, vim encontrar os que a encontraram há somente quinhentos anos.
Aqui pois, nos encontramos todos. Sabemos o que somos, e é o bastante. Nunca pretendemos outra coisa.
O irmão aduaneiro europeu me pede papel escrito com visto para poder descobrir aos que me descobriram. O irmão usurário europeu me pede o pagamento de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei a vender-me.
O irmão rábula europeu me explica que toda dívida se paga com bens ainda que seja vendendo seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu os vou descobrindo. Também posso reclamar pagamentos e também posso reclamar juros. Consta no Archivo de Indias, papel sobre papel, recibo sobre recibo e assinatura sobre assinatura, que somente entre os anos 1503 e 1660 chegaram a San Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Saque? Não acredito! Porque seria pensar que os irmãos cristãos pecaram em seu Sétimo Mandamento.
Expoliação? Guarde-me Tanatzin de que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue de seu irmão!
Genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomé de las Casas, que qualificam o encontro como de destruição das Indias, ou a radicais como Arturo Uslar Pietri, que afirma que o avanço do capitalismo e da atual civilização europeia se deve à inundação de metais preciosos!
Não! Esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata devem ser considerados como o primeiro de muitos outros empréstimos amigáveis da América, destinado ao desenvolvimento da Europa. O contrário seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito não só de exigir a devolução imediata, mas também a indenização pelas destruições e prejuízos. Não
Eu, Evo Morales, prefiro pensar na menos ofensiva destas hipóteses.
Tão fabulosa exportação de capitais não foram mais que o início de um plano 'MARSHALLTESUMA', para garantir a reconstrução da bárbara Europa, arruinada por suas deploráveis guerras contra os cultos muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, do banho cotidiano e outras conquistas da civilização.
Por isso, ao celebrar o Quinto Centenário do Empréstimo, poderemos perguntar-nos: Os irmãos europeus fizeram uso racional, responsável ou pelo menos produtivo dos fundos tão generosamente adiantados pelo Fundo Indoamericano Internacional?Lastimamos dizer que não. Estrategicamente, o dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em armadas invencíveis, em terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo, sem outro destino que terminar ocupados pelas tropas gringas da OTAN, como no Panamá, mas sem canal. Financeiramente, têm sido incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de cancelar o capital e seus fundos, quanto de tornarem-se independentes das rendas líquidas, das matérias primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo. Este deplorável quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e os juros que, tão generosamente temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus as vis e sanguinárias taxas de 20 e até 30 por cento de juros, que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos adiantados, mais o módico juros fixo de 10 por cento, acumulado somente durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça.
Sobre esta base, e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que nos devem, como primeiro pagamento de sua dívida, uma massa de 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambos valores elevados à potência de 300. Isto é, um número para cuja expressão total, seriam necessários mais de 300 algarismos, e que supera amplamente o peso total do planeta Terra.
Muito pesados são esses blocos de ouro e prata. Quanto pesariam, calculados em sangue?
Alegar que a Europa, em meio milênio, não pode gerar riquezas suficientes para cancelar esse módico juro, seria tanto como admitir seu absoluto fracasso financeiro e/ou a demencial irracionalidade das bases do capitalismo.
Tais questões metafísicas, desde logo, não inquietam os indoamericanos. Mas exigimos sim a assinatura de uma Carta de Intenção que discipline os povos devedores do Velho Continente, e que os obrigue a cumprir seus compromissos mediante uma privatização ou reconversão da Europa, que permita que a nos entregue inteira, como primeiro pagamento da dívida histórica.
Fonte: Diálogos do Sul

O posicionamento ecológico deve estar acima do económico

O posicionamento ecológico deve estar acima do económico

02.08.2013
 
O posicionamento ecológico deve estar acima do económico. 18640.jpeg
Marcus Eduardo de Oliveira (*)
Sem retórica ou exagero desmesurado, uma das mais urgentes necessidades em termos de organização da sociedade é a de conciliar desenvolvimento econômico com a promoção do desenvolvimento social, respeitando e resguardando o meio ambiente. A ideia central é procurar compatibilizar as dimensões econômica, social e ambiental; ponto de partida para tentar superar o dilema dicotômico entre "crescer" e "preservar o equilíbrio ecológico"; dito de outra forma, entre "prosperar" (econômica e socialmente) "sem destruir" (ambientalmente).
Na essência, busca-se alcançar e cumprir três princípios básicos que estão referenciados no Relatório Brundtland (publicado em 1987), também conhecido como "Nosso Futuro Comum": desenvolvimento econômico (aspiração imanente da humanidade), proteção ambiental (o cuidado para com a nossa Casa Comum, a Mãe Terra) e equidade social (a inclusão dos excluídos).
Com isso, para superar a dicotomia acima referenciada tem-se um evidente questionamento do ecologismo sobre a racionalidade econômica, tendo em conta que essa última, pelas lentes do pensamento neoclássico - que em geral forma a maneira de pensar dos economistas - pouco se importa com as consequências (degradação do capital natural) ambientais advindas de uma política de intenso estímulo ao crescimento econômico.
Por sinal, alcançar o crescimento a qualquer custo se transformou numa espécie de obsessão da macroeconomia convencional, ignorando com isso os graves distúrbios gerados na biosfera, pondo em risco a base de sustentação da vida, uma vez que, em decorrência da expansão econômica produtiva, os limites biofísicos são completamente desrespeitados. É a atividade econômica dilapidando o capital natural.
Nesse pormenor, cabe citar uma importante passagem que consta do Manual Global de Ecologia (1993): "A produção de alimentos, energia e artigos industrializados está fortemente relacionada à deterioração do sistema que garante a vida na Terra. Entre 1950 e 1986, quando a população do mundo duplicou, o consumo de grãos aumentou 2,6 vezes, o uso de energia cresceu 3,2 vezes, a potência efetiva da economia quadruplicou, e a produção de bens manufaturados cresceu sete vezes. (...) Atualmente, o ser humano consome em alimentos, direta ou indiretamente, cerca de 40% do total de terras cultivadas no mundo".
É exatamente por esse tipo de atuação invasiva (a atividade humana interferindo nos ciclos naturais da Terra) que o crescimento econômico não pode continuar sua "jornada" de deterioração dos recursos naturais e dos ecossistemas.
Continuar estimulando a aceleração do crescimento da atividade produtiva é aumentar substancialmente a perda de diversidade biológica e dos serviços ecossistêmicos. Não há como escapar dessa verdade: aumentar a produção econômica é, dentre tantos outros possíveis estragos ambientais, sinônimo de "jogar" mais poluição na atmosfera.
Os elevados níveis de poluição e contaminação do ar não deixam dúvidas quanto à reposta que esse tipo de prática econômica expansiva oferece ao meio ambiente. No mundo, mais de dois milhões de pessoas morrem a cada ano por "respirar poluição", alojando nos pulmões pequenas partículas (PM 10) geradas pela queima de combustíveis fósseis, além da poluição de ozônio (O3).
Somente na América Latina e no Caribe, a cada ano, morrem aproximadamente 35 mil pessoas devido à contaminação do ar; na Europa, são mais de 150 mil e, no leste da Ásia, mais de 1 milhão de vidas são ceifadas pelo mesmo motivo. É no mínimo vergonhoso presenciar que em pleno século 21 ainda se computam vidas perdidas devido à poluição.
Por isso, o posicionamento ecológico, ao deixar claro que há limites e medidas restritivas para o aumento da produção econômica, deve estar acima do pensamento econômico tradicional, ferindo assim, para desespero dos economistas tradicionais, o dogma atinente ao crescimento econômico, visto e defendido, erroneamente, como fator preponderante para consolidar a prosperidade de uma sociedade.
Com um padrão de consumo avassalador, alimentado pela voracidade consumista de 20% da população mundial (1,4 bilhão de pessoas) residente nas sociedades mais abastadas, o Planeta Terra apresenta sinais de completo esgotamento, evidenciando que não suporta produções expansivas.
Não por acaso, 10% da terra fértil do planeta já se transformou em deserto. Por ano, são perdidos 7 milhões de hectares. Simplesmente, 60% dos principais serviços ecossistêmicos estão deteriorados. De acordo com o documento "Avaliação Ecossistêmica do Milênio 2005", nos últimos 50 anos perdemos 35% dos manguezais, 40% das florestas, 50% das áreas alagadas. Os estoques de peixes estão 80% menores e a área cultivada do planeta cobriu 25% da superfície da Terra. Lamentavelmente, esses dados mostram que o posicionamento econômico encontra-se acima da questão ambiental. Urge reverter isso.
(*) Professor de economia. Mestre em Integração da América Latina (USP).