terça-feira, 28 de maio de 2013

O fantasma de George Bush que persegue Barack Obama

O fantasma de George Bush que persegue Barack Obama

23.05.2013 | Fonte de informações: 

Pravda.ru

 
O fantasma de George Bush que persegue Barack Obama. 18260.jpeg

O fantasma de George Bush que persegue Barack Obama

Dalia González Delgado/Granma
GUANTÁNAMO ainda não deixa dormir Barack Obama. Após mais de dez anos da abertura do cárcere - no território ilegalmente ocupado a Cuba - o tema estava esquecido por muitos, até que a greve de fome protagonizada por uma centena de reclusos voltou a colocá-lo na palestra pública.
Trata-se "da perigosa expansão do poder executivo e as detenções ilegais, as prisões secretas e a tortura", sublinha, num editorial, o The New York Times.
Obama, como para lembrar que não esqueceu uma das promessas que o levou ao poder, disse recentemente que "continua considerando" necessário o fechamento do cárcere.
"Guantánamo é caro e ineficaz", argumentou. "A ideia de que vamos manter indefinidamente presos indivíduos que não têm sido julgados, é contrária ao que somos como país".
 Mas nem todos coincidem com o presidente. Um jornalista do The Washington Post, Benjamin Wittes, declarou que "inclusive, se graças a um milagre, o cárcere fechasse, teríamos que construí-lo noutro lugar".
"A prisão não está servindo aos interesses de segurança nacional", comentou, por sua vez, o vice-presidente do Center for American Progress (CAP), Ken Gude, um centro de pesquisas em Washington.
Mas suas razões, tais como as de Obama, são mais pragmáticas do que humanitárias. "Não há razão para que estejam lá, há alternativas melhores que Guantánamo", declarou o acadêmico à BBC Mundo. "É inevitável que nalgum momento vai fechar. Daqui a 25 anos não estaremos debatendo isto", concluiu.
O certo é que, até o momento, não se estão dando passos na direção de Obama. De fato, o professor da Universidade da Califórnia, Raul Hinojosa, opina que a greve de fome traz à baila que os EUA não têm controle sobre a situação e não sabem o que vai acontecer com seus prisioneiros. A administração "não tem uma solução neste momento", explicou Hinojosa à Russia Today.
Segundo o general John Kelly, chefe do comando sul do exército dos EUA, os presos tinham a esperança de que Barack Obama fechasse o lugar. "Estavam devastados quando perceberam que o presidente dava marcha a ré", afirmou o funcionário.
O cárcere abriu depois dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001, para encerrar ali os suspeitos de terrorismo, embora não houvesse provas em sua contra. As detenções indefinidas e os depoimentos de ex-reclusos têm feito com que a prisão ganhe merecida fama de campo de concentração. Lá se aplicam modalidades de tortura, como o isolamento em celas com temperaturas extremas, ou o waterboarding (afogamento simulado).
 Guantánamo é um dos legados mais escuros de George W. Bush, o qual recentemente, sem remorsos, afirmou que se sentia "muito bem" com as "decisões difíceis" que tinha tomado "para proteger a América".
O limbo legal em que vivem aproximadamente 166 prisioneiros - chegaram a ser mais de 700 - gerou críticas da comunidade internacional, tanto de países como de organizações defensoras dos direitos humanos.
A senadora democrata Dinane Feinstein, presidenta do Comitê de Inteligência do Senado, solicitou ao executivo reiniciar o processo de transferência e libertação de 86 presos que há mais de três anos têm permissão para voltar aos seus países.
Embora, talvez Obama não tenha capital político para fechar o cárcere, poderia, pelo menos, para exorcizar fantasmas, exercer pressão e iniciar esses processos de transferências para os que estão detidos ali, há mais de dez anos.

Assad fala, Rússia age

Assad fala, Rússia age

27.05.2013
 
Assad fala, Rússia age. 18267.jpeg
Asia Times Online
http://www.atimes.com/atimes/World/WOR-01-200513.html

Bashar al-Assad falou com exclusividade ao jornal argentino El Clarin[1] (a diáspora síria é imensa na Argentina, como também no Brasil).
Avançando contra o nevoeiro gerado pela histeria ocidental, Bashar destacou alguns pontos importantes. Há provas, sim, de que o governo sírio declarou várias vezes que concordava com conversar com a oposição; mas os muitos grupos 'rebeldes', que sequer falam uns com os outros, que não têm liderança unificada, sempre recusaram qualquer conversa. Assim sendo, não há como implementar algum cessar-fogo que, eventualmente, venha a ser 'acordado' na próxima Conferência de Genebra, entre EUA e Rússia. Assad faz sentido, quando diz que "Não podemos discutir cronogramas, sem sabermos com quem discutimos."
Sim, mas... qualquer pessoa que acompanhe o desenrolar da tragédia síria sabe quem são, todos eles, ou quase. Sabe-se que os Nada-Livres Canibais Sírios, digo, o 'Exército SírioLivre' [ing. Free Syrian Army, FSA)] é um bando esfarrapado de senhores-da-guerra, gângsteres e oportunistas de várias marcas & griffes, em interessecção-somatório com jihadistas linha-duríssima da espécie Jabhat al-Nusra (mas também de outros grupos e subgrupos ligados à, ou inspirados pela, al-Qaeda).
A Agência Reuters demorou meses, mas, afinal, teve de admitir que os jihadis comandam o show em campo.[2] Um comandante 'rebelde' até reclamou à Reuters: "Nusra agora é duas: uma segue a agenda da al-Qaeda, que luta por uma maior nação islamista. A outra é síria, com agenda nacional, para ajudar a derrubar Assad." O que não disse é que a Nusra que realmente faz diferença é a ligada à al-Qaeda.
A Síria está convertida em Inferno das Milícias; em tudo semelhante ao Iraque de meados dos anos 2000s, parecidíssima com a Líbia-estado-fracassado 'libertado' imposto ali pelo Ocidente. Essa afeganistização/somalização da Síria é consequência direta da ação do eixo de intervenção CCGOTAN-I (Conselho de Cooperação do Golfo-Organização do Tratado do Atlântico Norte & Israel). Portanto, Assad acerta, quando diz que o ocidente está jogando gasolina ao fogo, e só se interessa por 'mudar o regime' custe o que custar. 

O que Assad não disse
Assad não é político brilhante - e desperdiçou uma oportunidade de ouro para explicar à opinião pública ocidental, ainda que resumidamente, por que Arábia Saudita e Qatar, petromonarquias do Conselho de Cooperação do Golfo, mais a Turquia, estão doidas para pôr fogo, de vez, à Síria.
Poderia ter falado do desejo do Qatar, de entregar a Síria à Fraternidade Muçulmana; e de a Arábia Saudita acalentar o sonho de fazer ali um cripto-emirado-colônia. Poderia ter falado do pânico que acomete Arábia Saudita e Qatar, que veem os xiitas do Golfo Persa abraçarem legítimos ideais do Despertar Árabe.
Poderia ter apontado as ruínas nas quais jaz hoje a política turca de "zero problema com os vizinhos": um dia, Ancara-Damasco-Bagdá colaboram, unidas; dia seguinte, Ancara quer 'mudança de regime' em Damasco; e todos os dias antagoniza Bagdá. Acima de tudo, a Turquia atrapalha-se cada dia mais com os curdos que se vão fortalecendo, do norte do Iraque ao norte da Síria.
Poderia ter detalhado o modo como Grã-Bretanha e França, dentro da OTAN, para nem falar dos EUA e de suas petromonarquias-fantoches, estão usando a desintegração da Síria, para atingir o Irã - e como todos esses atores que fornecem armas e muito dinheiro dão importância-zero ao sofrimento do "povo sírio". Só os alvos estratégicos interessam.
Enquanto Bashar al-Assad falava, a Rússia agia. O presidente Vladimir Putin - bem ciente de que as conversações de Genebra já estão sendo desencaminhadas por vários agentes e atores, bem antes, até, de começarem - deslocou navios de guerra russos para o leste do Mediterrâneo; e ofereceu à Síria um carregamento de ultramodernos mísseis terra-mar Yakhont, mais vários mísseis S-300 antiaéreos - o modelo russo equivalente ao míssil Patriot dos EUA. E nem é preciso lembrar que a Síria já tem mísseis antiaéreos russos, os SA-17.
Agora, elementos da gangue CCGOTAN, tentem aí, tentem, qualquer um, 'contornar' a ONU, e aparecer com alguma operação "Mini Choque e Pavor", contra Damasco. Ou metam-se a implantar alguma zona aérea de exclusão. Em termos militares, o Qatar e a Casa de Saud são piada. Britânicos e franceses sentem-se seriamente tentados, mas não têm os meios - ou estômago. Washington tem os meios - mas não o estômago. Putin sabe, com absoluta certeza, que o Pentágono já entendeu seu recado. 

E não esqueçamos o Oleogasodutostão
Assad também poderia ter falado - e do que poderia ser? - do Oleogasodutostão. Bastar-lhe-iam dois minutos para explicar o significado do acordo para o gasoduto Irã-Iraque-Síria, de US$10 bilhões, assinado em julho de 2012. Esse entroncamento crucial do Oleogasodutosão exportará gás extraído do campo Pars Sul, no Irã (o maior do mundo, partilhado com o Qatar), cruzando o Iraque, para a Síria - com uma possível extensão para o Líbano, com clientes já assegurados na Europa Ocidental. É situação que os chineses descrevem como "ganha-ganha".
Mas nada de gás para - adivinhem! - nem Qatar, nem Turquia. O Qatar sonha com um gasoduto rival, de seu campo Norte (contíguo ao campo Pars Sul, do Irã), que atravesse a Arábia Saudita, Jordânia, Síria e finalmente Turquia (que espera faturar sobre a licença de passagem da energia, entre Oriente e Ocidente). Destino final: mais uma vez, a Europa Ocidental.
Como em tudo que tenha a ver com o Oleogasodutostão, o xis da questão é 'contornar' o Irã e a Rússia. É o que faz o oleogasoduto qatari - freneticamente apoiado pelos EUA. Mas, instalado o gasoduto Irã-Iraque-Síria, a rota de exportação só poderá começar em Tartus, porto sírio no Mediterrâneo leste, que dá hospedagem à Marinha russa. Claro que a gigante russa Gazprom entrará nesse quadro - do investimento à distribuição.
Que ninguém se engane: o Oleogasodutostão, mais uma vez obrigado a 'contornar' Rússia e Irã - explica muita coisa sobre por que a Síria está sendo destruída.
O esquema Petróleo-para-a-Al-Qaeda, da União Europeia 
Enquanto isso, o exército sírio real - com o apoio do Hezbollah - está metodicamente reconquistando Al-Qusayr, retomando dos 'rebeldes' o controle desse ponto estratégico. O passo seguinte será olhar na direção leste - onde a frente Jabhat al-Nusra alegremente enriquece, lucrando com mais uma trapalhada típica da União Europeia: a decisão de levantar as sanções que impedem que a Síria compre petróleo.[3]
Joshua Landis, blogueiro de Syria Comment, já extraiu as conclusões óbvias: "Quem puser a mãos no petróleo, na água e na agricultura, prenderá pela garganta os sunitas sírios. No momento, quem faz isso é a Frente al-Nusra. A abertura do mercado de petróleo para a Europa força a barra nessa mesma direção. Portanto, a conclusão lógica dessa loucura só pode ser uma: a Europa logo estará financiando a al-Qaeda." Pode-se chamar de "o esquema Petróleo-para-a-Al-Qaeda, da União Europeia".
O Sudoeste da Ásia - que o ocidente chama de "Oriente Médio" - deve permanecer como espaço privilegiado da irracionalidade em ação. No pé em que andam as coisas na Síria, mesmo sem zona aérea de exclusão, o que se verá partindo dali, para sempre, voo rápido, é a paz - com todos e mais alguns, todos, todos, envolvidos: EUA, Rússia, União Europeia, mas também o Hezbollah, Israel e, claro, o Irã - como o ministro russo de Relações Exteriores Sergei Lavrov já deixou bem claro.[4]
Muito distante do que exige a obsessão ocidental por 'mudança de regime', a já difícil próxima Conferência de Genebra poderá obter, no máximo, um acordo que considere os termos da Constituição Síria - a qual, por falar dela, é absolutamente legítima, adotada em 2012, aprovada por maioria de votos do verdadeiro, real, sofredor "povo sírio".  Pode acontecer até que Assad não concorra à presidência, em eleições previstas para 2014. Mudança de regime, sim. Mas por meios pacíficos.
E o eixo de intervenção CCGOTAN-I (Conselho de Cooperação do Golfo-Organização do Tratado do Atlântico Norte & Israel) permitirá que alguma paz aconteça ali? Não.

Rússia será o maior centro comercial da Europa até 2015

Rússia será o maior centro comercial da Europa até 2015

27.05.2013 | Fonte de informações: 

Pravda.ru

 
Rússia será o maior centro comercial da Europa até 2015. 18269.jpeg

Rússia será o maior centro comercial da Europa até 2015

Desenvolvedores russos prometem implementar quase um quarto de todos os projetos de imóveis comerciais da Europa Foto: RIA Nóvosti

Iúlia Petrova, Vedomosti
Dentro de dois anos, país vai ultrapassar a França, atual líder em número de lojas, e ganhar novos comércios em regiões interioranas.
De acordo com os analistas da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield, os desenvolvedores europeus pretendem construir 7 milhões de metros quadrados de áreas comerciais em 2013. Porém, a França e o Reino Unido, antes consideradas "Meca" dos amantes das compras, estão perdendo espaço para os russos.

Existem atualmente na França 16,95 milhões de metros quadrados de áreas de comércio e no Reino Unido, 16,48 milhões de metros quadrados. Apesar de na Rússia esse número ser minimamente inferior (16,47 milhões de m2), os desenvolvedores do país prometem abrir 2,87 milhões de centros de comércio ao longo deste ano e, assim, assegurar quase um quarto de todos os projetos europeus.
Os índices são, contudo, contestados pelos analistas da Cushman & Wakefield, pois, segundo eles, até o final do ano deverão ser construídos não mais de 1,6 milhões de m2. Mesmo se a previsão pessimista for concretizada, a Rússia irá ultrapassar o Reino Unido e bater o recorde europeu em termos de novos centros comerciais.
"A título de comparação, os desenvolvedores britânicos planejam construir cerca de 325 mil m2, enquanto os franceses programam 1,39 milhões de metros quadrados de centros comerciais até 2014", afirma o chefe de investimentos em imóveis comerciais da Europa e Oriente Médio da Cushman & Wakefield, Mike Rodda.
No entanto, os imóveis comerciais na Rússia crescem agora às custas das regiões no interior do país. Tatiana Kliutchinskaia, diretora do departamento de estabelecimentos comerciais da Jones Lang LaSalle em Moscou, aponta que nenhum centro comercial de qualidade foi aberto no primeiro trimestre e até o final do ano serão alugados não mais que 300 mil novos metros quadrados. Em compensação, quase metade dos novos centros comerciais novos estão sendo construídos em cidades com população inferior a 1 milhão de pessoas.
"Se há alguns anos as redes de comércio eram relutantes em ampliar seus negócios pelas demais áreas do país, essas regiões se tornaram agora uma prioridade para muitas marcas. Os planos de desenvolvimento nas cidades com uma população inferior a 1 milhão de pessoas já foram confirmados por empresas como a Leroy Merlin e Subway", diz Kliutchinskaia.
No ano passado, um maior número de instalações comerciais foi construído em Surgut, Iekaterinburgo, Nijni Novgorod, Mitischi e Sôtchi. Já no primeiro trimestre, as cidades de São Petersburgo, Belgorod e Volgogrado foram as líderes em expansão de centros comerciais.
Apesar dos índices positivos, a Rússia ainda está longe da China. Dos 32 milhões de metros quadrados de áreas de comércio construídos atualmente no mundo inteiro, mais de 50% são em território chinês. Entre as cidades chinesas com desenvolvimento mais ativo, figuram Tianjin, Shenyang, Chuntsin, Wuhan, Guangzhou, Hangzhou e Chengdu - nos próximos três anos, esta cidade, por exemplo, ganhará 2,9 milhões de metros quadrados de centros comerciais.

Publicado originalmente pelo Vedomosti

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Irã produz novo sistema de defesa aérea

Irã produz novo sistema de defesa aérea

22.05.2013
 
Irã produz novo sistema de defesa aérea. 18249.jpeg
A linha de produção em massa de um novo sistema de defesa aérea iraniana foi inaugurada na presença do Ministro da Defesa da República Islâmica do Irã, brigadeiro-general Ahmad Vahidi.

Durante a inauguração da linha de produção chamada "Protector Ninth" (Herz nono) Vahidi anunciou que o sistema de defesa aérea desfrutar de alta mobilidade, facilidade de uso, e pode ser usado à noite, têm a capacidade de detectar e processar alvo em baixas altitudes e destrui-lo automaticamente e de forma inteligente.

 Segundo o ministro, o "Protector Nona" tem a capacidade de se conectar a rede de defesa do país e poderá ativado em apenas alguns segundos para combater as ameaças.

De acordo com o general de brigada, Irã goza de grande poder defensivo, graças à experiência adquirida ao longo de oito anos de defesa sagrada durante a guerra do Iraque imposta contra a nação persa. Vahidi disse que as forças armadas estão prontas para enfrentar qualquer ataque de inimigos. '

O "Nona Protector" foi projetado e criado por especialistas e peritos do Departamento de Industrias Aeroespacial do Ministério da Defesa.
Nos últimos anos, o Irã tem obtido grandes realizações no setor de defesa e alcançado assim uma autossuficiência na produção de equipamentos e sistemas militar essencial. No entanto, a doutrina de defesa do Irã é baseada na dissuasão e não representa uma ameaça para outros países. 

Hispan TV
Traduzido pela redação do Irã News

Síria expõe a impotência política dos EUA

Síria expõe a impotência política dos EUA

27.05.2013
Síria expõe a impotência política dos EUA. 18265.jpeg
Ramzy Baroud, Asia Times Online
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/MID-01-210513.html

Em artigo publicado dia 15 de maio, o cientista social norte-americano Immanuel Wallerstein escreveu: "Nada ilustra melhor as limitações do poder ocidental, que a controvérsia interna que devora suas próprias elites, já pública, sobre o que os EUA, especificamente, e os estados da Europa Ocidental deve(ria)m fazer no caso da disputa que se trava na Síria."[1]

Essas limitações são palpáveis, seja no falar seja no agir. Um vácuo político - criado pelos fracassos militares dos EUA e pelas retiradas a que foram forçados depois da Guerra do Iraque - permitiu que países como a Rússia reemergissem no cenário, como atores efetivos.

É muito significativo que, depois de dois anos, desde o início do levante sírio convertido depois em banho de sangue, os EUA continuem a tentar mascarar o próprio envolvimento, servindo-se dos aliados árabes e da Turquia, para assim garantir assistência indireta às forças que se opõem ao governo de Bashar al-Assad. Até o discurso político dos EUA é indeciso; não raras vezes, incoerente.
No córner oposto, a posição russa é cada vez mais firme, mais consistente, avançando sempre; com os EUA empurrados cada vez mais contra as cordas, comprovando-se incapazes de ação consistente, senão pelas 'condenações' nas 'declarações' ou em 'declarações' que nada declaram. Isso, vale lembrar, muito tem desagradado os aliados árabes.

A recente entrega, pelos russos ao governo da Síria, de sofisticados mísseis terra-mar, e o deslocamento que promoveram, de navios de guerra para Mediterrâneo ocidental é exemplo claro. O movimento foi condenado pelo governo Obama como "fora de hora e muito infeliz".

Mas essa atitude norte-americana é novidade na Região: por trás dela, jaz uma história sangrenta, de política externa imprudente. Independente de os EUA decidirem ou não intervir na Síria, tudo faz crer que já não será possível um simples retorno à abordagem anterior, de potência dominante.

A impotência atual dos EUA no Oriente Médio é absolutamente sem precedentes, pelo menos depois da rápida desintegração do bloco soviético no início dos anos 1990s.

A dissolução da União Soviética abrira lugar para o crescimento de um mundo unipolar, completamente gerenciado pelos EUA. Aquela hegemonia norte-americana não contestada implicou mudança na dialética histórica, pela qual as grandes potências enfrentavam-se uma a outra; e o resto do mundo, mais ou menos, acomodava-se naquela disputa.

Naquele momento, os EUA agiram rapidamente para afirmar sua dominação, a começar por sórdidas aventuras militares, como a invasão do Panamá em 1989. Movimento bem mais calculado veio depois, com uma guerra devastadora contra o Iraque, em 1990-91. No Panamá, o objetivo era lembrar aos vizinhos do sul dos EUA, que o policial de quarteirão continuava a postos, e poderia intervir a qualquer momento, pra rearranjar todo o paradigma político, na direção e ao modo que Washington entendesse necessário - como se viu acontecer no golpe e na guerra orquestrados pela CIA na Guatemala em 1954 e até antes.

O envolvimento militar massivo dos EUA no Iraque, contudo, foi de conquistador que chega com sua coorte de vários países - aliados regionais e ocidentais -, para exigir o butim resultante do fim da Guerra Fria. Foi arrogante show de força, dado que o alvo era um único país árabe, com poucos meios militares e econômicos, versus grandes potências militares, próximas e remotas.

A guerra devastou o Iraque - só na primeira campanha aérea de bombardeio, foram lançadas 88.500 toneladas de bombas. Usaram-se e testaram-se novos modelos de armamentos, enquanto a imprensa-empresa e a opinião pública nos EUA festejavam as glórias de seus militares. Morreram centenas de milhares de iraquianos, outros mais foram feridos e mutilados, como resultado de uma das guerras mais assimétricas em toda a história.

Tentando capitalizar o triunfo militar, Washington operou rapidamente para obter um acordo político entre seu aliado mais íntimo - Israel - e países árabes. A lógica por trás da Conferência de Madrid em 1991 foi alcançar uma pseudo paz, que servia aos interesses de Israel, ao mesmo tempo em que abria uma via de normalização entre Israel e seus vizinhos. Mais que isso, os EUA esperavam obter alguma espécie de "estabilidade" que lhes permitisse gerir a região do Oriente Médio e todos os seus recursos, em ambiente de menos hostilidade.

Em seguida, Israel conseguiu fazer seu próprio negócio político com os palestinos, o que dividiu as fileiras árabes e garantiu que o resultado das "conversações de paz" fosse absolutamente adequado às ambições coloniais de Israel.

Com o passar dos anos, as visões políticas de EUA e de Israel aproximaram-se cada vez mais, mas Washington logo se converteria em mero canal de transmissão para os objetivos coloniais dos israelenses. Viu-se a confirmação disso várias repetidas vezes durante o governo de George W Bush, o qual acrescentou, aos fracassos dos EUA na região, ainda mais outras guerras desastrosas e perigosas.

Uma das principais falhas da política externa dos EUA é que ela depende quase completamente da força militar: da capacidade para fazer cidades voarem pelos ares. A guerra dos EUA contra o Iraque, que, sob várias formas, estendeu-se de 1990 a 2011, incluiu um bloqueio devastador; e terminou em invasão brutal.

Essa longa guerra teve de falta de escrúpulo o que teve de violência. Além do aterrador número de mortos, vinha inscrita numa horrenda estratégia política, de explorar as divisões sectárias e outras que já existiam no país; o que rapidamente semeou ali, além de uma guerra civil, também o ódio sectário - duas desgraças das quais dificilmente o Iraque conseguirá recuperar-se ainda por muitos anos.
Mas, nos últimos anos, as limitações do poder militar dos EUA foram-se tornando cada vez mais óbvias. O império já não se mostrava capaz de traduzir, em campo, a própria dominação - mais ferozmente confrontada, a cada dia, por grupos locais de resistência -, e apresentar o nível de progresso político exigido para conseguir um mínimo, que fosse, de "estabilidade".

Mas sobretudo, uma recessão econômica, somada à retirada do Iraque e a outro fracasso também caríssimo no Afeganistão - forçaram o novo governo em Washington, sob a liderança do presidente Barack Obama a repensar a campanha anterior, de Bush, pela hegemonia global. Logo vieram os cortes massivos nos gastos dos militares.

Simultânea e concorrentemente, o desequilíbrio no poder global começou, lenta mas firmemente, a ser compensado, do outro lado do mundo, pela ascensão da China como novo competidor possível.
No meio da transição dos EUA, quando tentavam repensar suas políticas, um levante popular sacudiu todo o Oriente Médio. As manifestações - revoluções, guerras civis, tumultos regionais e conflitos de toda ordem - reverberaram até bem longe das praças do Oriente Médio.

Impérios ascendentes e impérios declinantes, todos eles, igualmente, tomaram conhecimento. Linhas tentativas foram rapidamente traçadas e exploradas. Jogadores mudaram de posição ou se encaminharam para posições mais avançadas, como se um novo Grande Jogo estivesse para começar. A chamada "Primavera Árabe" rapidamente se ia convertendo em fator que alteraria o jogo, numa região que sempre parecera impermeável a qualquer tipo de transformação.

A transformação do Oriente Médio - às vezes promissora, às vezes sangrenta e gorada - chegou num momento em que os EUA estavam obrigados a fazer ajustes nas suas prioridades militares. Aplicar-se mais focadamente na região do Pacífico e no Mar do Sul da China são instâncias daquela necessidade de alterar rumos. E então, de repente, os EUA foram obrigados a envolver-se novamente no Oriente Médio, e como um todo - sem poder dividir a região, país a país. Foi quando, afinal, a fraqueza dos EUA foi sinistramente exposta, e a falta de poder para influir tornou-se palpável.

Bancarrota talvez seja termo apropriado para descrever a atual política dos EUA no Oriente Médio. Aventuras militares temerárias e imprudentes devastaram a Região, mas nem assim contribuíram para que os EUA alcançassem qualquer dos seus objetivos de longo prazo. Políticas de violência e exploração, que operam para violar e explorar, não para conhecer e entender o Oriente Médio e as complexidades de sua formação histórica e política; e a insistência em manter Israel como principal prioridade em tudo que fazem ou pensam no cenário político mutável do Oriente Médio dificilmente darão bom resultado nem servirão aos interesses dos EUA.

Porém, diferente do início dos anos 1990s, quando os EUA movimentaram-se para remodelar toda a região e estabeleceram ali sua presença militar permanente, as novas dinâmicas obrigam a mudar as táticas. E, nessa nova realidade, os EUA absolutamente não conseguem mudar coisa alguma. De fato, já parecem condenados, no máximo, a tentar alguma espécie de gerenciamento dos resultados adversos, com minimização dos danos.

"O que os EUA e a Europa Ocidental querem fazer é 'controlar' a situação" - escreveu Immanuel Wallerstein. - "Não são capazes de controlar coisa alguma. Daí a gritaria dos 'intervencionistas' e o arrasta-arrasta dos 'prudentes'. É jogo de perde-perde para o ocidente e, simultaneamente, tampouco é vitória para os povos do Oriente Médio."

Esse cenário de "perde-perde" talvez não se traduza no imediato derretimento de toda a política exterior dos EUA, mas sem dúvida já abriu a possibilidade de que novos atores surgissem e crescessem. A Rússia é, aí, o caso exemplar mais claro.

Os EUA serão obrigados a mudar suas táticas, gritem o quanto gritarem as forças neoconservadoras e todo o lobby pró-Israel.

[1] 15/5/2013, "Syria: No Win for the West" [ap. Síria: sem vitória para o ocidente]  http://www.iwallerstein.com/syria-win-west/
Tradução Vila Vudu

domingo, 26 de maio de 2013

Como o FBI fabricou o ato terrorista em Boston

Como o FBI fabricou o ato terrorista em Boston
27.04.2013Como o FBI fabricou o ato terrorista em Boston. 18137.jpeg
Os EUA estiveram praticamente paralisados por dois jovens, ou melhor, seus colaboradores zelosos no FBI. Depois de terem capturado um adolescente de 19 anos a multidão louca de alegria cumprimentou- os como se a tivessem libertado de um jugo. O espetáculo foi realizado segundo o cenário já aprovado muitas vezes. Tudo nesta pista chechena parece improvável, especialmente examinando -a da Rússia
"Nós nunca enfrentamos um problema com separatistas chechenos, aqui nos EUA" — confessou o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani. "É estranho que eles nos ataquem", disse. Não é só que o estranha, Sr. Giuliani, estranha-nos também. Dos 200 (!) chechenos residindo legalmente nos Estados Unidos, de acordo com o jornal USA Today (para comparar, na Áustria -30.000), dois revelaram-se os bombistas autodidatas talentosos, fazendo ficarem ajoelhados os EUA .

Primeiro, examinemos os desajeitamentos. A principal evidência criminal que levou aos irmãos Tsarnaev é as mochilas pretas usadas para guardar os dispositivos explosivos improvisados. No entanto, com uma análise cuidadosa das imagens relevantes, fica claro que o irmão mais velho a tinha de cor acinzentada, e o mais jovem — branca. Ao mesmo tempo, uma organização de pesquisa canadense independente The Centre for Research on Globalization (CRG) viu no local do crime um grupo de guardas da empresa de segurança privada Blackwater com mochilas pretas muito semelhantes. Também foram observados na linha de chegada os "soldados da fortuna" da outra empresa privada Craft International. O vídeo mostra que após a explosão os seguranças ajudaram a desmontar os escombros das arquibancadas e depois da picape da Blackwater aproxima-se um elemento com a abreviatura FBI nas costas da uniforme dele. Quem contratou esses guardas, e quais foram as tarefas, está perguntando CRG. Nem o FBI, nem a prefeitura de Boston por enquanto não respondeu.

Suponhamos que empresas tenham sido contratadas para o evento, mas a uniforme deles pode ser comprada livremente na Internet. E se foi uma luta competitiva entre duas empresas privadas pelo mercado, onde estão vinculando mundialmente, segundo a revista The Economist, US $ 100 bilhões? A imprensa americana informou que nos primeiros 9 meses da presidência de Barack Obama o número de combatentes privados de empreiteiros do Pentágono  cresceu 2, 4 vezes no Afeganistão e em outros países onde os EUA mantêm suas tropas, e é estimado de 22 a 30 por cento. É um negócio enorme e competitivo. Porque é que a investigação desta pista aparente não é refletida na mídia norte-americana? Talvez por ter a imagem capturando um agente do FBI?

A seguir, que motivo podiam ter tido os irmãos? Existem duas opções,  eles são os terroristas isolados ou atrás deles fica, pelo menos, o líder tos terroristas chechenos Docu Umarov (FBI fez um pedido de referência a FSB , Serviço Federal de Segurança russo). O irmão mais velho, Tamerlan, foi o melhor boxeador em Boston, casado com mulher americana Katherine Russel de 24 anos, que se converteu ao islamismo. Este fato é apresentado como a principal peça de evidência de extremismo islâmico de Tamerlan. Mas para os americanos que estão cozinhados em uma enorme racial, religiosa e outra caldeira, tal mudança nada significa, é apenas um sinal de respeito ao marido. Vídeo, mostrando Tamerlan morto, mostra-o deitado, estendendo as mãos como se tivesse rendido. Nas mãos não há nenhuma arma.

O irmão mais novo — Johar, foi o melhor estudante de medicina de uma universidade de prestígio. O seu perfil psicológico (escrito em rede russa VKontakte " há uma coisa na vida: carreira e dinheiro"), comportamento (um dia antes do ataque terrorista estava presente em uma festa), e o fato de não esconder seu rosto diante as câmeras contradizem os "fatos" de ele 24 horas ficar disparando e correndo ao redor de Boston enfrentando as forças especiais de enorme experiência profissional. Colocar sete bombas sem cúmplices também se apresenta impossível ou não eram sete, e também é uma mentira?


Examinemos a segunda opção, os irmãos são membros de uma grande organização terrorista. Mas Tamerlan estava controlado pelo FBI. Foi dito por sua mãe. "Ele estava sob o controle do FBI por três, cinco anos. Eles sabiam o que o meu filho estava fazendo, eles sabiam quais ações ele traçou, e que sites visitava. Eles o controlavam a cada passo, e agora dizem que este é um ataque terrorista … ", disse. Como é que o FBI podia faltar a formação deste ataque terrorista? Não teria podido, se não tivesse participado dele. Também gera dúvidas a escolha de pó preto para as bombas, pois, resulta em um forte barulho e muita fumaça, sem efeitos especiais mortais, não é uma bomba terrorista.

"Eles estudavam, tinham as perspectivas para o futuro: boas perspectivas, negócio, dinheiro. Isso foi inventado por alguém, alguém fê-lo e envolveu -os, pois foi. Alguma situação política está detrás deste caso … um ataque terrorista bem planejado por forças especiarias. Isso foi feito por serviços especiais, eu não sei das quais, disse à BBC Anzor Tsarnaev, o pai dos suspeitos.

A suposição é correta. Em abril de 2012, o jornal New York Times, na secção "Opinião" publicou um artigo de David K. Shipler intitulado de "Tramas terroristas, feitas pelo FBI" (Terror Plots, Hatched by the FBI) que descreve uma tática comum para a organização dos falsos atos de terrorismo. Em primeiro lugar, a vítima infeliz pega-se numa mesquita ou rede social por agente especial (informante).

Ele é da mesma nacionalidade que o "frango" e até do mesmo território, e encoraja o "cliente" como estão mal tratados os muçulmanos nos Estados Unidos, mostra-lhe vídeos, onde soldados americanos os torturam nas masmorras da Abu Ghraib e no Afeganistão. A seguir envolve em fóruns a discutir estes assuntos  de forma negativa, e assim por diante. Processado ​​e provocado, de costume, um estudante, uma vez entra num carro cheio de explosivos, e vai com o "cúmplice" — um agente do FBI, ao local do ataque. E no momento de ativar a bomba, fica pego em flagrante. No julgamento o informante e outras "testemunhas" podem gastar muito tempo para manobrarem, mudarem de evidências, lavando o cérebro dos juízes com o envolvimento de todos juntos em uma conspiração terrorista.

Alguns dos juízes, no entanto, ficam entendendo. Assim, o juiz Colleen McMahon, examinando o caso da tentativa de explosão em duas sinagogas, disse: "Só o governo podia fazê-lo (o acusado) terrorista, cuja palhaçada é realmente de Shakespeare no seu âmbito" e chamou o espetáculo, interpretado em frente dele, de "operação terrorista fantástica". No entanto, um tal James Cromitie foi condenado a 25 anos de prisão, escreve Shipler.

Porque é que desta vez a operação preparada desleixadamente (gafe com mochilas e lendas) culminou com a explosão? Lembremo-nos da experiência, previamente testada na Europa. "Operação Gladio" foi um projeto plurianual da NATO realizado nos tempos da Guerra Fria para influenciar os acontecimentos políticos na Europa. Organizações fascistas recrutadas explodiam bombas ao ar livre, em estações de trem, supermercados e assim por diante, mas os culpados foram encontrados entre grupos de esquerda e "ameaça vermelha". Como resultado, o governo, que tinha parado os nazistas, aumentava drasticamente a sua taxa de popularidade. Não é disso de que precisa hoje a administração de Obama?

E a última pergunta, por que os chechenos, e não Al-Qaeda? Contra a Al-Qaeda não é o momento de revelar. A razão fica na Síria, onde há pouco o grupo influente An-Nusra tomou o juramento de fidelidade a líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri. E quem recentemente dotou à oposição síria 60 milhões de dólares? Quem está fabricando na Jordânia comandantes para os terroristas? Os EUA. Pode haver outro motivo, tal como deixar uma parte do contingente militar no Azerbaijão, com a retirada das tropas da NATO do Afeganistão, sob o pretexto de aumento da ameaça caucasiana.
Lyuba Lulko
Pravda.Ru

Feira da bala: lobby pró-armas nos EUA junta Sarah Palin e pistola para crianças

Feira da bala: lobby pró-armas nos EUA junta Sarah Palin e pistola para crianças

16.05.2013
 
Feira da bala: lobby pró-armas nos EUA junta Sarah Palin e pistola para crianças. 18220.jpeg
Convenção da célebre NRA, a Associação Nacional do Rifle, reuniu milhares de portadores de armas no Texas
Uma jovem de cabelos claros segura um fuzil Beretta como se fosse uma guitarra. Está excitadíssima. Ela o aponta em direção a uma parede, que traz uma foto gigante de uma selva. Talvez imagine que ali estejam escondidos leões selvagens, tigres ou até mesmo perigosos terroristas. Nas mãos, uma Ruger 1022 roxa, "fun gun", presente da mãe. Rose, que só tem 15 anos, posa para uma foto, enquanto finge que vai disparar. Um homem observa, rindo e orgulhoso, para em seguida dedicar o olhar ao próprio filho adolescente, que segura uma Uzi. Ele fala para o menino: "eu tinha prometido, ela agora é sua."
Centenas de canos apontam simultaneamente para o teto no primeiro dia da 142ª edição da Convenção da Associação Nacional do Rifle (NRA na sigla em inglês), em Houston, Estado do Texas. Na semana passada, se respirava nos pavilhões um ar de festa, de feira popular, mas o que se via eram milhares de armas - e de aficionados por elas.

Um sujeito explica como posicionar os pés para disparar contra um criminoso. "Sou um ex-militar", diz, firme, empunhando sua Glock em frente a um pequeno e atento público. "E posso dizer que é fundamental manter a posição exata dos pés, pernas e costas". A maioria, formada por jovens, o escuta fascinada. De fato, o ambiente na convenção da NRA é familiar, com pais e filhos - quase todos brancos - passeando pelos corredores do evento como se estivessem em um passeio de domingo.

Perto dali, Sandy segura um pequeno fuzil Rascal. Aponta para o teto, concentrada. Fecha um olho. Respira. Dispara. Recarrega. O trabuco é rosa, pequeno, parece um brinquedo. Tem a coronha de plástico, mas o cano é de metal preto. Sandy sorri. Aos quatro anos, ela e o pai, Eric, estão escolhendo seu primeiro fuzil. Faltam poucos meses para o aniversário e, consequentemente, para poder levar o "presente" para casa.

Eric conta que se sente contente por poder dar à filha um fuzil de tão boa qualidade, pagando apenas 180 dólares. Mas a menina não é um pouco pequena para ter uma arma? "Claro que não. Eu vou ensiná-la a usar. Estarei sempre presente. E, além disso, esses fuzis são feitos sob medida. Foram pensados para crianças. Parecem brinquedos, mas têm balas calibre 22", explica Eric, em detalhes.

Leia também na Revista Samuel:
Para treinar tiros, empresa vende boneco-zumbi de Obama e versão machista de ex-namorada
A impressão 3D vai acabar com a política de desarmamento?

Um fuzil exatamente como o de Sandy provocou uma tragédia em 30 de abril, no condado de Cumberland, Estado de Kentucky. No dia, um menino de cinco anos disparou por acidente na irmãzinha de dois, matando-a. A arma tinha sido dada de presente um ano antes. Eric continua: "É importante que seja eu quem a ensine a disparar. O que os estrangeiros não entendem é que não é através da proibição que se evitam as tragédias, e sim pela educação. É necessário ensinar as crianças a disparar com segurança e transmitir valores justos".
No terceiro andar acontecem conferências e seminários. Em uma enorme sala, todos se preparam para ver o grande evento do dia, com as "estrelas" Rick Perry, governador do Texas, Rick Santorum, ex-candidato republicano e Sarah Palin, ex-governadora ultraconservadora do Alaska e destaque da campanha presidencial de 2008, quando saiu como vice de John McCain. Ela é aplaudida de pé. Após o frenesi, aos gritos, incentiva os donos de armas a seguir "lutando para defender os valores da América".
"Nós também nos sensibilizamos com as tragédias. Quem de nós não sentiu tristeza ou raiva pelo que acontece na Chicago de Obama, ou em Nova York, ambas cidades nas mãos de criminosos, onde o controle de armas é mais rigoroso", questiona a plateia. De acordo com a ex-governadora "de aço", Obama "faz campanha eleitoral em cima dos sentimentos do povo, utiliza a dor para que as pessoas se comovam", enquanto os portadores de armas são os verdadeiros heróis nacionais, defensores mais valentes da democracia, e, obviamente, da liberdade. Aplausos. Lágrimas.
Em telões gigantes, começa a ser transmitido um vídeo comovente sobre a vida heroica de Chris Kyle, famoso por ser o franco-atirador mais letal da história militar dos Estados Unidos, com 160 mortes nas costas. Em fevereiro do ano passado, um amigo que sofria de estresse pós-traumático o matou em um polígono de tiro no Texas. Chorando, a viúva de Chris, que segura fotos do falecido marido, exalta o papel da NRA, do exército norte-americano, das armas em sua vida e na do marido.

De volta à área da exposição, uma senhora testa uma pistola. Christine se diz indecisa. A Ruger LC380 automática, uma indicação da amiga, Brenda, é difícil de ser carregada. As mãos ossudas da já avó não permitem deslizar o slide. Christine afirma que se sente insegura em sua casa em Woodlands, no norte de Houston. O vendedor a aconselha a usar uma point and shoot, de tambor. Mais rápida, fácil de empunhar e de usar, ressalta. Ele conta que deu uma de presente à esposa porque ela tem mãos fortes. Christine é convencida a levar o produto. "Não vivemos em uma zona perigosa, pelo contrário. É muito tranquila", responde Brenda. "Por isso é melhor estarmos protegidas", continua. Chega ao fim o primeiro dia de convenção em Houston, que já dorme armada até os dentes. Assim como o resto dos EUA.
Fonte: Opera Mundi