segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Paz na terra? Não até que os EUA parem de vender armas e fazer guerra

Paz na terra? Não até que os EUA parem de vender armas e fazer guerra

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Revendo os lances dos Estados Unidos no final de 2015, concluo que somos uma nação assassina, em nosso país e no exterior.
O segmento da nossa sociedade que mais se beneficia desse papel, novamente, em nosso país e no exterior, é a indústria de armamentos. Em nosso país, eles vendem as armas que são usadas, praticamente sem controle, para matar grupos de pessoas inocentes, inclusive em escolas e igrejas. Nossos legisladores federais e estaduais corruptos e sem escrúpulos não têm a coragem e a inteligência para detê-los. E isto não se aplica apenas à National Rifle Association (NRA) [Associação Nacional do Rifle]; aplica-se também aos fabricantes de armas e negociantes que financiam a NRA para que ela possa exercer influência em Washington e nas capitais dos Estados.

Daniel H. Simpson

No exterior, somos considerados assassinos. Outros países podem apenas rezar ao seu deus ou deuses escolhido/s pedindo que os Estados Unidos não decidam impor sua vontade sobre eles, quer se trate de impor uma forma de governo que achamos que eles devem adotar, ou citar alguns supostos erros que tenham cometido como desculpa para atirar bombas sobre deles ou enviar drones para matar seus líderes.

Gostemos ou não, é a nossa reputação. A maioria dos estrangeiros que conheço acha que nós somos loucos. Praticamente todos pensam que nós somos um perigo para a sociedade mundial.
Alguns dos nossos aliados tomam o nosso lado na tentativa de exercer algum tipo de controle sobre nossas tendências homicidas. Eu colocaria os britânicos nessa categoria.
Alguns países só querem ficar longe de nós e, acima de tudo, não depender de nós para nada. Um exemplo é a Índia. O governo dos EUA e os vendedores particulares de armas trabalharam durante anos para tornar a Índia um grande cliente para armas americanas. A Índia ao invés escolheu sorrir para os americanos, mas continuar a comprar suas armas da Rússia - da Rússia liderada pelo notório Vladimir V. Putin, em oposição à América liderada pelo adorável Barack H. Obama. Será que a Índia está consciente de que armas americanas invariavelmente são acompanhadas por conselheiros militares americanos para treinar e apoiar seus clientes estrangeiros?
Então onde estamos quando 2015 chega ao fim?
Estamos no Afeganistão, onde começamos em 2001, logo após o 11 de setembro. Estamos no Iraque, onde o Presidente George W. Bush nos levou em 2003, em falsas premissas, para se reeleger Presidente em tempo de guerra.
Nós perdemos 2.332 soldados no Afeganistão nos últimos 14 anos - outro seis na semana passada - e 4.425 no Iraque. Ainda mantemos milhares de tropas nesses países, uma homenagem por termos colocado ali governos que não podem se sustentar. As forças especiais dos EUA acabam de ajudar os iraquianos a retomar Ramadi, pela qual lutamos antes, desta vez do grupo Estado Islâmico. Da última vez, foram os sunitas que se rebelaram, lá. No Afeganistão, nós estamos lutando novamente para segurar lugares que, caso contrário, cairiam nas mãos do Talibã e que pode, de fato, cair nas mãos do Talibã apesar de nossos esforços.
Por que fazemos isso? Eu achei que o argumento de Ronald Reagan em 1986, de que se não lutarmos os comunistas na Nicarágua, teremos que lutar contra eles em Harlingen, Texas, havia sido derrubado, assim como os charlatães que governaram naquele tempo. Será que alguém realmente acredita que se Ramadi, no Iraque, ou Sangin, no Afeganistão, estiverem em mãos "amigáveis" isso faz qualquer diferença para os americanos? Até mesmo perguntar isso é imaginar que o governo de Abadi no Iraque e o governo de guerra no Afeganistão são mãos "amigáveis", uma fantasia de Washington tão perto da credibilidade quanto um anúncio de campanha de Ted Cruz ou Hillary Clinton.
Eu suponho que os esforços do Sr. Obama para terminar seu mandato, sem ver o colapso do Afeganistão ou do Iraque no caos total, pode ser visto como um tipo de desordem obsessiva-compulsiva ou lealdade de campanha para com sua antiga adversária democrata, Hillary Clinton. Há tempos deveríamos ter tomado a posição de que fizemos tudo que pudemos no Afeganistão e no Iraque, trazendo nossas tropas de volta ao nosso país.
O que mais fizemos? Nós destruímos a Líbia. Moammar Gadhafi era uma praga egocêntrica, mesmo tendo ele eventualmente renunciado ao seu programa de armas nucleares. Mas, o que tomou o lugar dele, em grande parte devido a decisões tomadas pelo governo do Sr. Obama, incluindo a Sra. Clinton, foram dois governos "nacionais" aspirantes e muitas milícias locais fora da lei, agora incluindo o Estado Islâmico, bem como a migração descontrolada para a Europa.
Para apoiar a nossa aliada e compradora de armas, Arábia Saudita, ajudamos a destruir o Iêmen. Os sauditas bombardearam o país de volta à idade da pedra e ainda tenho de ouvir alguém na Casa Branca ou no Pentágono dizer que não há nenhum piloto dos EUA nas cabines dos aviões [cockpits] sauditas. O Iêmen já era o país mais pobre do Médio Oriente...
O envolvimento dos EUA no conflito do Iêmen também nos coloca bem no meio do conflito sunita-xiita dentro do Islã. Não há nenhuma razão no mundo para estarmos envolvidos em um conflito intra-islâmico. A razão pela qual estamos tem a ver com os compromissos dos fabricantes americanos de armas em dar suporte após a compra de armas que eles venderam para a Arábia Saudita. Não acho que nós vendemo-los as espadas que eles usam para cortar as cabeças dos criminosos acusados.
Os Estados Unidos também tem usado a ausência de governo na Somália e o mercantilismo do governo do Djibuti para estabelecer um posto militar em Djibouti. Existem lá agora milhares de tropas dos EUA, bombardeiros e uma base de drone, sem nenhuma boa razão. Isso representa uma desnecessária intervenção para a expansão do Pentágono na África.+
Deveríamos trazer nossos soldados de volta ao nosso país. Não haverá paz na terra enquanto não fizermos isso. Não sejamos assassinos.
Daniel H. Simpson
Tradução
Marisa Choguill
Fonte
Pittsburgh Post-Gazette (USA)